Raiva humana: Minas Gerais confirma terceiro caso em criança

Todos os casos da raiva humana aconteceram na zona rural do Vale do Mucuri, em Bertópolis. Duas crianças morreram e uma está internata

Resumo da Notícia

  • Minas Gerais confirma terceiro caso de raiva humana em criança
  • Todos os casos da raiva humana aconteceram na zona rural do Vale do Mucuri, em Bertópolis
  • Duas crianças morreram e uma está internata

O terceiro caso de raiva humana em crianças foi confirmado em Minas Gerais. Os três casos aconteceram neste mês na zona rural do Vale do Mucuri, em Bertópolis. Duas das crianças morreram e a terceira está internada.

-Publicidade-

O primeiro caso foi identificado em um menino de 12 anos, que acabou não resistindo. Outro caso foi em uma menina, também de 12 anos, que está internada em uma UTI em Belo Horizonte. No último dia 17 de abril, outra criança, de 5 anos, também não resistiu e acabou falecendo. A Secreteria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) está, no momento, investigando um quarto caso suspeito, em uma menina de 11 anos, que está internada aguardando o resultado dos exames.

Minas Gerais confirma terceiro caso de raiva humana
Minas Gerais confirma terceiro caso de raiva humana (Foto: Pixabay)

Os casos levantaram um alerta sobre a raiva humana e trouxeram muitas dúvidas, principalmente para as famílias que vivem na região. Afinal, o que ela é, como é transmitida e quais os principais sintomas dessa doença?

Entenda mais sobre a Raiva

Segundo informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, a raiva é uma zoonose, ou seja, uma doença que é passada de um animal para um humano e vice-versa. O vírus causador dessa doença envolve o sistema nervoso central e é letal tanto para nós, humanos, quanto para os animais, levando a óbito em um curto período de tempo.

No caso de humanos infectados, a doença é transmitida quando a saliva do animal que tem o vírus penetra no organismo, seja por meio da pele ou de mucosas, por mordidas, arranhões ou lambidas. Como explicado no documento oficial do Ministério da Saúde, a raiva tem três tipos de transmissão:

  • urbano: representado principalmente por cães e gatos;
  •  rural: representado por animais de produção, como: bovinos, eqüinos, suínos, caprinos;
  • silvestre: representado por raposas, guaxinins, primatas e, principalmente, morcegos

Sintomas nos animais

Em todos os animais, a raiva costuma apresentar os mesmos sintomas. São eles:

  • dificuldade para engolir;
  • salivação abundante;
  • mudança de comportamento;
  • mudança de hábitos alimentares;
  • paralisia das patas traseiras (no caso dos animais que andam em quatro patas)

Nos cachorros, além desses sintomas, a raiva também pode ocasionar um latido diferente do normal, como se fosse um “uivo rouco”. No caso dos morcegos infectados, a mudança de comportamento pode ser tamanha a ponto de transformá-los em animais que também vagam por aí durante o dia, em horários e locais não habituais.

Sintomas nos humanos

Os humanos também possuem sintomas característicos quando são infectados pela raiva. Normalmente, os primeiros sintomas que aparecem são:

  • transformação de caráter,
  • inquietude,
  • perturbação do sono,
  • sonhos tenebrosos,
  • aparecem alterações na sensibilidade,
  • queimação,
  • formigamento e dor no local da mordedura;

Esses sintomas costumam durar de 2 a 4 dias. Depois disso, começa um quadro de alucinações, acompanhado de febre. Nesse momento, começa o que é chamado de período de estado da doença, que dura cerca de 2 a 3 dias, quando a pessoa começa a ter medo de correntes de ar e/ou água, com diferentes intensidades. Neste momento também surgem crises convulsivas periódicas.

O que fazer se entrei em contato com um animal infectado com raiva?

Se você foi agredido de alguma forma por um animal, é importante seguir uma série de passos para tentar evitar que você se contamine com a raiva. Vale ressaltar que o Ministério da Saúde recomenda que você siga esses passos mesmo no caso de agressões por animais conhecidos e que você sabe que já tomou a vacina contra a doença.

  • lavar imediatamente o ferimento com água e sabão;
  • procurar com urgência o Serviço de Saúde mais próximo;
  • não matar o animal, e sim deixá-lo em observação durante 10 dias, para que se possa identificar qualquer sinal indicativo da raiva;
  • o animal deverá receber água e alimentação normalmente, num local seguro, para que não possa fugir ou atacar outras pessoas ou animais;
  • se o animal adoecer, morrer, desaparecer ou mudar de comportamento, voltar imediatamente ao Serviço de Saúde
  • nunca interromper o tratamento preventivo sem ordens médicas;
  • quando um animal apresentar comportamento diferente, mesmo que ele não tenha agredido ninguém, não o mate e procure o Serviço de Saúde

A doença também pode ser prevenida, levando os animais para serem vacinados periodicamente e sempre informar o Serviço de Saúde caso desconfie de qualquer problema ou mudança de comportamento do seu animal ou de vizinhos. Além disso, é importante evitar tocar em animais desconhecidos, feridos ou doentes; perturbar animais quando estiverem comendo, bebendo ou dormindo; separar animais que estejam brigando; entrar em grutas ou furnas e tocar em qualquer tipo de morcego (vivo ou morto); criar animais silvestres ou tirá-los de seu “habitat” natural.

Vale ressaltar que o recomendado em qualquer situação é buscar ajuda profissional. Afinal, mesmo com todos os sintomas, somente médicos e cirurgiões-dentistas habilitados podem diagnosticar a doença e indicar os possíveis tratamentos.