Refugiada congolesa conta que não quer que os filhos cresçam no Brasil após morte de Moise

Ela relembrou situações preconceituosas e xenofóbicas que enfrentou com a família no país

Resumo da Notícia

  • Refugiada afirmou que não quer criar os filhos no Brasil
  • O desejo intensificou após o assassinato de Moïse Kabagambe, no Rio de Janeiro
  • A mulher veio da República Democrática do Congo com a família

Após a morte do jovem Moïse Kabagambe, no Rio de Janeiro, a refugiada congolesa Prudence Kalambay, de 41 anos, aumentou seu desejo de sair do Brasil com os cinco filhos, por conta da falta de segurança.

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Prudence afirmou que tem medo que os filhos cresçam no país, por conta da cor da pele. Ela é ativista pelos direitos de imigrantes e refugiados e atualmente mora em São Paulo.

Refugiada congolesa quer sair do Brasil com os filhos
Refugiada congolesa quer sair do Brasil com os filhos (Foto: Reprodução / Osmar Moura)

“Mesmo eles tendo nascido no Brasil, eu não vejo meus filhos crescendo aqui. Essas coisas doem. Essa mãe [de Moise] nunca imaginava que ia perder o seu filho assim. O menino não foi roubar. Mesmo se roubasse, ninguém tem o direito de tirar a vida da outra pessoa, existe lei”, disse ela a Folha de S. Paulo. “A minha filha mais velha vai completar 21 anos neste ano. Ele [Moise] poderia ser meu filho, um menino congolês”, acrescentou.

A refugiada também contou que já enfrentou diversas situações envolvendo racismo e xenofobia. “Se eu pudesse, mudaria para outro país, para evitar novos constrangimentos”, disse ela.

Entenda o caso

O jovem Moïse Kabamgabe, da República Democrática do Congo, morreu espancado, na noite de segunda-feira, 24 de janeiro, após cobrar pagamento atrasado de um cliente, em um quiosque onde trabalhava. O caso aconteceu na praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Moïze Kabamgabe faleceu na Barra da Tijuca, na segunda-feira, 24 de janeiro
Moïze Kabamgabe faleceu na Barra da Tijuca, na segunda-feira, 24 de janeiro (Foto: Reprodução / Facebook / Moïze Kabamgabe)

“Ela ainda dura no Congo. O pai dele e muitos parentes desapareceram por conta dessa disputa. Na minha cabeça, eu tinha que fugir para o Brasil para ficar calma. Viemos para cá em 2014. Meus filhos começaram a estudar. Eles chegaram aqui pequenos. O Moïse (Mugenyi Kabagambe) chegou aqui com 11 anos, em 15 de fevereiro de 2011. Ele veio primeiro. Nesses anos todos, o meu filho virou um brasileiro. Tudo dele era do Brasil. Ele sabia como trabalhar no Brasil, fez muitos amigos”, disse a mãe do jovem Ivana Lay, na última segunda-feira, 31 de janeiro. Leia a matéria completa aqui.