Relato de mãe: “Saber que meu filho era autista me trouxe um certo alívio”

Uma mãe de um menino autista de 6 anos explicou o porquê chamar o filho de ‘anjo azul’a incomoda tanto

Resumo da Notícia

  • Uma mãe de um menino autista de 6 anos explicou o porquê chamar o filho de 'anjo azul'a incomoda tanto
  • Ela ainda disse que diagnosticar o pequeno e descobrir que ele tinha uma deficiência foi um alívio
  • A mulher contou que buscou outras mães de filhos autistas, mas se chateou com certas coisas que descobriu

Uma mãe de um menino autista de 6 anos explicou o porquê chamar o filho de ‘anjo azul‘a incomoda tanto. “Sou mãe do Thomas, um menino autista de 6 anos. Ele foi diagnosticado com 3 anos depois de investigarmos sua regressão no desenvolvimento e atraso na fala. Como já havia passado meses de sofrimento, já sabendo o que poderia ser e tomando consciência de que minha vida não seria como eu havia planejado, saber que ele era autista me trouxe certo alívio”, começou ela.

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“Fui prática, busquei informação, tratamento e parti, de mãos dadas com ele, para essa nova jornada. Sendo mãe de uma criança com deficiência, um mundo se abriu e passei a ver o que antes era transparente para mim. Você já se perguntou com quantas pessoas com deficiência você estudou, trabalhou, foi ao bar, jogou bola, videogame? Então, bem-vinda ao mundo dos invisíveis para a sociedade”, continuou ela.

Ela contou que buscou outras mães de filhos autistas, mas, segundo a UOL, se incomodou com certas coisas que descobriu: “Na fase das descobertas duras, muita gente me indicou grupos de mães no Facebook. De cara me deparei com muitos perfis cheios de exposição da vida da criança e com variações de nomes sob o tema “anjo azul”. Eu nem sabia o motivo, mas me incomodava muito aquilo, chamar o filho autista de anjo azul”.

(Foto: reprodução/ Getty Images)

“Anjo se referia ao fato de serem seres especiais, como os próprios, e azul se referia à cor oficial do autismo, por teoricamente ter mais incidência em meninos. O termo nunca vinha sozinho, mas com um discurso de fundo religioso, de que o filho era uma dádiva enviada por Deus, que ali havia uma família escolhida para tal missão”, explicou a mulher.

Ela seguiu: “Me afastei das redes, não queria ler nada, me fazia mal. Com o tempo, me abri e passei a descobrir outras mães que negavam a nomenclatura, e autistas adultos ativistas. Com a ajuda deles, entendi o motivo daquilo não ser bacana”. “Anjo não é humano. Anjo não é cidadão. Não é pessoa com direitos. Não tem sexo, não fala, não tem vontade, paira no ar trazendo amor. Tirando a parte de trazer amor, pois estou falando do meu filho, me recuso a chamá-lo de anjo. E olha que sou cristã, devota de Santo Expedito, daquelas que vão pelo menos uma vez ao ano em Aparecida pedir proteção a ele”, contou a mãe.

Em seguida ela afirmou: “Mas meu filho é gente, ele tem opinião, quer ser ouvido (mesmo falando muito pouco). Chamá-lo assim o desumaniza”.