Relato: “Meu namorado virou meu padrasto, antes de terminar de vez comigo”

A artesã Mildima, de 64 anos, tinha 13 anos quando conheceu Narciso. Os dois namoraram por dois anos e antes mesmo do relacionamento acabar a mãe dela já se envolvia com ele. A menina teve que viver sob o mesmo teto do ex, que namorou com a mãe por 7 anos

Resumo da Notícia

  • A artesã Mildima, de 64 anos, tinha 13 anos quando conheceu Narciso
  • Os dois namoraram por dois anos e antes mesmo do relacionamento acabar a mãe dela já se envolvia com ele
  • A menina teve que viver sob o mesmo teto do ex, que namorou com a mãe por 7 anos

Mildima teve que conviver com o ex-namorado dentro de casa, já que depois do término sua mãe começou a namorar com ele. “Tive uma infância simples e bastante humilde”, começou ela à Revista Glamour. “Minha mãe, Célia, chegou a São Paulo e logo ficou viúva. Tinha 24 anos e um casal de filhos. Ela nasceu em Macaé, no estado do Rio de Janeiro”, continuou.

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“Depois, se casou de novo com o meu pai. Ficaram juntos por 24 anos, até meu pai desaparecer, na época da ditadura. Tiveram 14 filhos, mas hoje só há sete vivos”, explicou.

Ela ainda contou que se mudou para Poá, na região metropolitana de São Paulo em 1968. “No ano seguinte, a amiga de uma das minhas irmãs, que estava namorando um rapaz dez anos mais jovem que ela e tinha vergonha de leva-lo à sua casa, pediu que minha mãe o recebesse. Muito gregária, dona Célia topou. O rapaz chegou lá todo falante, e eu, que só tinha 13 anos, não tive permissão de me sentar com eles. Mas acompanhei o almoço e longe”, disse.

Narciso foi o primeiro garoto que Mildima gostou (Foto: Getty Images)

A família mudou-se de casa um ano depois, foram para um bairro vizinho, casa qual tinha vista para o campo de futebol, não demorou muito para a família voltar a ver o menino que havia almoçado com eles em 1969. “Jogava bola muito bem e, sempre no fim do jogo, sempre passava em frente ao nosso portão espichando o olho para dentro”, revelou ela.

O rapaz foi o primeiro menino que Mildima se interessou. Ela tinha 14 e ele 18. “Passei então a frequentar o campinho de futebol. Passava horas prestando atenção no quanto ele tinha fôlego e como corria ligeiro durante o jogo. Narciso era seu nome. Gostava de quando ele me contava sobre seu trabalho como tecelão e quando, no fim da partida, passava em frente à minha casa jogando charme”, afirmou ela.

Um belo dia, como contou Mildima, a mãe disse que ela deveria tomar um banho e ficar bem bonita porque iriam receber visita. Com a mesa posta e caprichada chegou timidamente Narciso. Dona Célia contou a ela que o menino havia a pedido em namoro. “Fiquei meio cabreira, desconfiada. Na verdade, não gostei nadinha. Ele deveria ter falado comigo primeiro, oras! Mas, como estava completamente encantada, aceitei”, explicou.

“No segundo ano de namoro, no entanto, comecei a perceber que nem tudo eram flores. Gostava muito de ouvir música, dançar, ir ao cinema e ele, muitas vezes, me proibia de sair, de usar minissaias e outras coisas que apontavam para uma relação tóxica”, contou.

Entre idas e vindas o relacionamento terminou em 1973, estranhamente triste com a separação a mãe de Mildima disse que se ela não voltasse com Narciso ela não a consideraria mais como filha. A menina decidiu passar a noite na casa da irmã mais velha, no entanto a angústia se mantinha e decidiu, por instinto, voltar para casa naquela noite. Ao chegar lá se deparou com Narciso.

Mildima ficou não escondeu preocupação ao saber que viveria com o ex (Foto: Getty Images)

“Aí que caiu a ficha: eles estavam tendo um caso, claro!”, concluiu Mildima. Em 1974, Dona Célia soltou a bomba para a filha de que iria namorar o Narciso. “Falou que eu precisava aceitar essa condição, porque os já estavam juntos havia algum tempo. Depois, tentou me convencer que tinha esperado a gente terminar para ficar com ele. Mais: meu ex iria vivia conosco a partir do dia seguinte. Comecei a suar frio, minha pressão caiu”, disse ela.

Narciso morou com a família durante 7 anos. “Completamente deprimida, procurei ajuda médica e fui internada em uma clínica psiquiátrica. Quando tive alta, dona Célia botou uma penteadeira na porta do meu quarto para, conforme ela dizia, eu não ter vontade de ficar com o seu marido”, disse Mildima, que contou que Narciso continuava dando em cima dela durante o relacionamento com Célia.

“Não aguentei ficar nem um ano vivendo ali. Nossos vizinhos criticavam essa situação pelas costas, diziam que eu não era moça digna porque não quis me casar com Narciso. Era essa a justificativa para os dois estarem juntos”, explicou ela.

Ela descobriu que estava grávida de Dominique (Foto: Getty Images)

“No fim de 1980, arrumei um emprego no Guarujá e parti numa tentativa de fugir dessa situação. Lá, entrei no mar, com a intenção de acabar com a minha própria vida, quando um salva-vidas chamado George me resgatou. Nos envolvemos e, em pouco tempo, engravidei da minha filha, Dominique. Só depois descobri que ele era casado, mas isso não era nada depois do que havia passado”, continuou Mildima.

“Grávida e mãe solo, em 1981, voltei para a casa da minha mãe em 1981, quando minha filha nasceu”, disse. Pouco tempo depois ela conseguiu encontrar um espaço para ela e a filha. “Após sete anos vivendo lá com Narciso, ela o ajudou a comprar um imóvel e se mudou de lá. Por pouco tempo, porém. Narciso começou a maltratá-la, e ela me pediu para viver conosco”, explicou Mildima.

Mildima concluiu: “Luto contra a depressão até hoje. Tive também uma menopausa precoce (aos 33 anos) e uma doença rara chamada Espondilite Anquilosante, deonça inflamatória crônica que causa fortes dores nas articulações. Tudo culpa do estresse que vivi naquele período. Mas dizem que o tempo cura tudo – e é verdade. Os anos passaram e aprendi a ressignificar essas dores dentro de mim, a lidar com o amor da minha mãe”.