Relato: “Minha filha é a primeira após quatro gerações de prostitutas a ir para a faculdade”

Karina Núñez, de 47 anos, se esforçou para tirar a família daquela realidade e proporcionar um novo futuro para Valeska

Resumo da Notícia

  • Karina Núñez comemora a entrada de Valeska na faculdade após quatro gerações de prostituas na família
  • Karina é uma líder sindical conhecida no país e uma defensora dos direitos das mulheres, em especial à exploração sexual de crianças e adolescentes
  • Com a quinta geração das Núñez à sua frente, a mãe percebeu que a única maneira de mudar o futuro da filha seria rompendo o ciclo

“Minha filha é a primeira após quatro gerações de prostitutas a ir para a faculdade e o orgulho não cabe no meu peito”, relata Karina Núñez, de 47 anos, em entrevista à BBC. A mãe comemora a conquista de Valeska como a própria emancipação das mulheres da família, e não é por menos: desde a bisavó a exploração sexual esteve presente no cotidiano da casa.

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A mãe comemorou a vitória da filha (Foto: Reprodução / BBC)

“Quando você nasce no ambiente da prostituição, é muito difícil sair dele”, explica a uruguais. Hoje, Karina é uma líder sindical conhecida no país e uma defensora dos direitos das mulheres, em especial à exploração sexual de crianças e adolescentes. Mas muito antes do ativismo, a única saída parecia ser a mesma encontrada pela mãe e avós: “Quando criança, sempre quis ser professora. Mas acabei me prostituindo, como minha mãe, minha avó e minha bisavó”.

A mãe queria mudar o futuro da filha

A história mudou com o nascimento de Valeska. Com a quinta geração das Núñez à sua frente, a mãe percebeu que a única maneira de mudar o futuro da filha seria rompendo o ciclo.

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A mãe comemorou a vitória da filha (Foto: Reprodução / BBC)

“Em 1999, denunciei uma rede de tráfico que levou duas gurias para a Itália e por isso fui espancada por nove cafetões. Fiquei internada na UTI por 11 dias e demorei três meses para caminhar novamente”, relata.

Karina passou a ser a conselheira das outras prostitutas, ouvindo as histórias e levando os casos para as autoridades, exigindo direitos. “À medida que fui derrubando barreiras e exigindo direitos para mim e minhas colegas, fui sendo reconhecida por elas como uma voz confiável”, explica. Foi a partir daí que a mãe de Valeska se tornou uma sindicalista engajada na causa das trabalhadoras do sexo.

A entrada da filha na faculdade de recursos humanos é mais do que um orgulho para Karina: representa uma mudança de patamar para a família. Das camas para a sala de aula, as Núñez contaram com a garra de uma mãe para mudar o futuro das próximas gerações. “Mas hoje posso dizer que tudo isso valeu a pena”, finaliza Karina.