Réu no julgamento da Boate Kiss faz apelo para ser condenado: “Para tirar a dor dos famíliares”

Luciano Bonilha é ex-produtor da banda Gurizada Fandangueira e está sendo condenado por comprar artefato pirotécnico usado no dia da tragédia – que teria sido responsável pelo início do incêndio que matou mais de 200 pessoas

Resumo da Notícia

  • Luciano Bonilha foi ouvido no nono dia de julgamento do incêndio da Boate Kiss
  • A tragédia aconteceu em janeiro de 2013 e matou mais de 200 pessoas
  • Luciano é ex-produtor da banda Gurizada Fandangueira e está sendo condenado por comprar artefato pirotécnico usado no dia da tragédia - que teria sido responsável pelo início do incêndio

Nesta quinta-feira, 9 de dezembro, Luciano Bonilha foi ouvido no julgamento do incêndio da Boate Kiss, que aconteceu no início de janeiro de 2013. O réu era produtor da banda Gurizada Fandangueira e está sendo condenado por comprar artefato pirotécnico usado no dia da tragédia – que teria sido responsável pelo início do incêndio.

-Publicidade-

Em depoimento, ele declarou: “Não foi meu ato que causou tragédia, que tirou a vida desses jovens. Mesmo eu sabendo que sou inocente, para tirar as dores dos pais, me condenem”. Além disso, ele disse que o tal artefato foi comprado a pedido do sanfoneiro da banda – que faleceu no incêndio.

“A história da boate Kiss é muito grande. Não posso vir aqui e lhe dizer que a boate não estava cheia, estava cheia sim. Os jovens não conseguiam deixar as garrafas nas mesas e ficavam com as garrafas no braço, era muito apertado”.

Luciano pediu para ser condenado em depoimento
Luciano pediu para ser condenado em depoimento (Foto: Reprodução/ UOL)

Ele ainda contou que tentou jogar água no início das chamas na boate, mas elas se alastraram. Luciano também viu um jovem passar um extintor para o vocalista da banda – mas o objeto não funcionou.

“O extintor não tinha o lacre e batia a lata, era xoxo (no sentido de parecer vazio), depois que começou fogaréu, nós só saímos porque alguém gritou. Não consegui respirar, coloquei assim (camiseta nos olhos e boca), e caíram mais pessoas sobre mim. Eu fui arrastado de lá, tenho até hoje marca de unha, de alguém que me tirou”.

Luciano ainda alegou que haviam ao menos 26 microfones no palco – que poderiam ter sido usados para avisar a multidão sobre o incêndio. Ele enfim negou que fosse o produtor da banda que se apresentou.

“Eu era roadie. Como eu sou produtor? Se eu não ia em reunião, em ensaios, tinha sessão de fotos e eu não ia, eu não desenhava aquilo que tinha que ser no show. Vocês não sabem a responsabilidade em cima da palavra produtor de palco. É o ajudante da banda”. A mãe de uma das vítimas da tragédia o chamou de assassino antes que ele deixasse a sala.