Ron Bugado: nova animação prova valor da amizade e questiona papel das redes sociais nas relações

O longa metragem conta a história de amizade entre Barney, um menino tímido, e Ron, uma inteligência artificial pensada para ser o melhor amigo de uma criança – mas que, na verdade, não sabe nada sobre o assunto. A Pais&Filhos conversou com os diretores da animação para saber a inspiração por trás do longa, que já pode ser assistido nos cinemas por todas as famílias

Resumo da Notícia

  • "Ron Bugado" é a nova animação da 20th Century Studios e Locksmith Animation
  • O longa-metragem foi lançado em 21 de outubro nos cinemas e é um convite delicioso para todas as famílias se divertirem assistindo
  • O filme conta a história de amizade entre Barney, um menino tímido e solitário, e Ron, uma inteligência artificial nem tão inteligente assim]
  • Em conversa com a Pais&Filhos, os diretores da animação contaram a história por trás do longa e a motivação para criar o filme

A timidez pode ser um empecilho (dos grandes!) para fazer novas amizades – ainda mais durante a infância. Agora, já imaginou ter um assistente virtual para chamar de amigo e, ainda por cima, te ajudar a criar vínculos com outras pessoas? Essa é a realidade de Barney, personagem do novo filme da 20th Century Studios e Locksmith Animation, e de todos ao seu redor.

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Com estreia nos cinemas em 21 de outubro, quinta-feira, “Ron Bugado” conta a história de Barney, um menino tímido que frequenta uma escola cheia de crianças hiper conectadas e que têm uma coisa em comum: um B*Bot, uma inteligência artificial criada pela empresa Bubble Inc especialmente para ser o melhor amigo perfeito delas e lhes ajudarem a encontrar quem tenha os mesmos interesses que elas nas redes sociais. É o algoritmo da amizade.

Ron e Barney constroem uma amizade verdadeira ao longo da animação (Foto: Divulgação Disney)

No aniversário, Barney é presenteado pelo pai com Ron, seu próprio B*Bot, e o menino enxerga no novo melhor amigo a solução para os problemas com a falta de popularidade. Como na vida real, no mundo do cinema as coisas também fogem das nossas expectativas e é aí que a aventura começa. Ron não é como os outros robôs: ele veio com um bug e não funciona da maneira como deveria.

De um jeito muito leve e divertido, Ron Bugado (cujo título original é Ron’s Gone Wrong) encontra um jeito de falar sobre como a amizade verdadeira realmente é: sem filtros, sem algoritmo e longe de alcançar qualquer tipo de perfeição. Coisa que, inclusive, absolutamente não existe. “A imperfeição é uma coisa boa, e poder falar com seus amigos sobre as coisas que você não concorda é muito importante nesse tipo de relação”, diz Jean-Philippe Vine, diretor da animação, em entrevista à Pais&Filhos.

A imperfeição de Ron é a chave para entender que amizades são feitas de diferenças – e não tem nada melhor do que isso para construir um relacionamento saudável (Foto: Divulgação Disney)

Amizade x conectividade

A realidade de Ron Bugado (cujo título original é Ron’s Gone Wrong) pode parecer, em um primeiro momento, um pouco distante da nossa quando falamos de tecnologia – mas, se pararmos para pensar, ela está bem perto de nós. Na animação, as relações das crianças são construídas baseadas no online – assim como toda interação e diversão acontece por meio das telas (ou barriga) dos B*Bots.

Enquanto Barney e Ron constroem uma amizade baseada em companheirismo e distância de telas, Andrew, um dos diretores da Bubble Inc, assiste de longe e revoltado. Afinal, “você não pode se divertir offline”. A frase do ganancioso personagem traz à tona também uma discussão importante sobre a relação que crianças têm com as redes sociais desde muito jovens. “Eu e Octavio [Rodriguez, também diretor da animação] somos pais e nós vemos nossos filhos cresceram e construírem vínculos por meio das telas. Mas, mais do que isso, também assistimos como isso reflete de volta para eles”, começou Jean.

Pensados para serem os melhores amigos perfeitos, os B*Bots conectam amizades virtuais e reais (Foto: Divulgação Disney)

“O filme examina essa questão, particulamente. Isso tudo é realmente benéfico? Medir nossa popularidade por quem somos online ou por qual grupo pertencemos? Essa é a melhor maneira de construir uma amizade?”, explica. Quando falamos sobre educar filhos, não existe o passo a passo ou receita perfeita. Cada família tem o seu jeito de criar crianças e sabe o que funciona melhor dentro da dinâmica da casa. Então, como lidar com a tecnologia e ainda assim permitir que as experiências de amizade sejam verdadeiramente vivenciadas?

“Equilíbrio”, diz Octavio. “A tecnologia não vai embora, então é preciso encontrar maneiras de ficar offline. Meu principal conselho para os pais que vão assistir ao filme é esse”. E, se o jeito é fazer uma limonada quando a vida te dá um limão, Jean vai além e conta a própria experiência como pai. “Eu encorajo meus filhos a usarem a tecnologia de maneira criativa, mas de uma maneira que não os faça se comparar com os outros online”.

Para toda a família

O que aconteceria se o celular que carregamos para todos os lados se transformasse em uma inteligência artificial ainda mais avançada, pensada para ser seu amigo – e que ainda te ajudasse a fazer mais amigos ainda – mas que, por algum motivo, não tivesse inteligência nenhuma em sua programação? Ron foi criado para formar amizades, mas não sabe absolutamente nada sobre o assunto. “Ron Bugado”, que já está disponível nos cinemas, é um convite delicioso para toda a família assistir, se divertir e refletir sobre amizades e o uso da tecnologia. No fim do dia, tudo o que temos é um ao outro – independente dos algoritmos.