São identificados os dois primeiros casos de varíola dos macacos em crianças, nos EUA

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte-americano, esses são os primeiros registros de varíola dos macacos em crianças nos Estados Unidos

Resumo da Notícia

  • São identificados os primeiros casos de varíola dos macacos em crianças, nos EUA
  • Ainda não foi confirmado qual foi o meio de transmissão
  • A vacina contra a doença está sendo disponibilizada para crianças por meio de protocolos especiais

Nessa sexta-feira do dia 22 de julho, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano se pronunciou sobre dois casos de varíola dos macacos que foram identificados em crianças, nos Estados Unidos. Segundo o serviço de informações, um dos casos é de uma criança residente da Califórnia, e o outro é uma criança que não mora efetivamente nos EUA.

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OMS define situação de emergência para varíola dos macacos
OMS define situação de emergência para varíola dos macacos (Foto: reprodução/Twitter)

As autoridades de saúde pública ainda estão investigando como as crianças foram infectadas, uma vez que a maior parte dos casos acontece por meio de contato sexual. Entretanto, há a evidência de que qualquer pessoa pode contrair o vírus por meio do contato pele a pele, o que, segundo a agência, inclui “segurar, abraçar, alimentar, bem como por meio de itens compartilhados, como toalhas, roupas de cama, copos e utensílios”.

As duas crianças apresentaram sintomas, porém estão com a saúde estável. Além disso, já começaram a receber o tratamento, que consiste em um medicamento antiviral cujo nome é tecovirimat ou TPOXX, recomendado para crianças menores de 8 anos.

Ainda, o CDC afirma que a vacina que atua contra a varíola dos macacos, Jynneos, está sendo administrada para pessoas menores de 12 anos através de protocolos especiais de uso expandido. Para além, eles desenvolveram novas orientações para os profissionais de saúde, com o objetivo de prevenir, identificar e tratar os casos da doença em crianças e adolescentes.

Crianças são grupo de risco?

Para tranquilizar as famílias, a Pais&Filhos conversou com alguns pediatras e infectologistas que explicam se as crianças fazem parte o grupo de risco. E a boa notícia é que: NÃO! A imunologista pela USP, Brianna Nicoletti, mãe de Felipe e do João Pedro, explica que entre os grupos de risco estão pessoas imunossuprimidas, idosos e crianças (que ainda não têm o sistema imunológico formado, como por exemplo, os recém-nascidos).

Segundo o pediatra as Sociedade Brasileira de Pediatria, Paulo Telles, pai de Leonardo e Carolina não há motivo para se desesperar, pois a ameaça para a população é baixa e para as crianças é ainda menor. “Nos últimos tempos, a taxa de letalidade da varíola dos macacos varia de cerca de 3 a 6% conforme dados da OMS. Os pesquisadores que têm acompanhado o surto atual afirmam que é tão raro em crianças que é mais provável que qualquer lesão de pele em criança seja causada pelas doenças comuns na infância, como a catapora ou doença da mão-pé-boca por exemplo”, explica o médico.

O presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, pai de Mariana e Luciana, explica ainda que em toda a história foram vistos poucos casos em crianças e o potencial endêmico é muito menor do que as doenças respiratórias, como a covid, principalmente nessa época do ano. “Não há motivo para pânico, dificilmente teremos uma grande onda de infecções, ainda mais em crianças. O foco nesse momento são as doenças sazonais” tranquiliza ele.

Os casos em crianças ainda não foram identificados no Brasil, apenas nos Estados Unidos (Foto: iStock)

Como a monkeypox é transmitida?

O vírus pode se espalhar de pessoa para pessoa pelo contato direto com as lesões da pele ou fluidos corporais. Pode ser transmitido também por gotículas respiratórias ou durante o contato físico íntimo, como beijos, abraços ou sexo ou por objetos contaminados, como roupas de cama ou toalhas. Outra forma possível de infecção é através de animais infectados, por  arranhadura  ou mordida ou pela ingestão de carne contaminada.

Mesmo com uma baixa incidência da doença o infectologista Paulo Telles acha importante ressaltar que existe também a transmissão de mãe para filho, durante a gestação. “Talvez este seja o maior risco para o feto, podendo levar a aborto e infecção congênita e após o nascimento a transmissão neonatal pela mãe infectada pode acontecer, já que o recém-nascido é imunossuprimido”, explica Telles.

A Dra. Brianna reforça que gestantes com suspeita de infecção devem ter acompanhamento médico intenso e o bebê precisa ser testado logo após o parto. “Nesses casos, as mulheres devem ser separadas dos recém-nascidos e a amamentação não é recomendada, até que ambos testem negativo”, explica ela.

Cuidados são sempre bem-vindos!

Mesmo sem previsão de uma pandemia da varíola, os cuidados de prevenção são sempre a melhor opção. Os cuidados são os mesmos para todos os outros vírus e bactérias que já conhecemos: lavar bem as mãos, uso de álcool gel, uso de máscaras e evitar o contato com pessoas doentes.

Dr. Renato Kfouri lembra ainda que já existem vacinas contra a monkeypox, que são eficazes contra esta infecção, atualmente aplicadas em militares que vão pra África e profissionais de laboratório que lidam com o vírus diretamente. “No momento não há nenhuma necessidade desse tipo de imunização na população, mas caso algum dia precise, é possível aumentar a produção”, diz o médico.

 

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