Família

Seleção Brasileira de Futsal Down conquista primeiro mundial e dá show de representatividade

Esta foi a segunda edição do Campeonato Mundial de Futsal Down

Marina Paschoal

Marina Paschoal ,Filha de Selma e Antônio Jorge

(Foto: Reprodução / Prefeitura de Ribeirão Preto)

O Brasil venceu, pela primeira vez, o Campeonato Mundial de Futsal Down nesta terça-feira, 4 de junho. A final aconteceu em Ribeirão Preto, no ginásio Cava do Bosque, e a seleção brasileira cravou o placar de 7 x 5 no time da Argentina. “O esporte é importante para o desenvolvimento de todas as crianças e jovens. E, para aqueles com síndrome de Down, não é diferente”, acredita Ana Castelo Branco, embaixadora da Pais&Filhos e mãe de Helena e Mateus, que tem síndrome de Down. “O exercício físico, o espírito de equipe e aprender a lidar com vitórias e derrotas é importante para todos”, ela completa.

O Brasil chegou a abrir diferença de 5 x 1 no placar e além do show de diversidade, a partida foi superemocionante do começo ao fim  – literalmente, já que o sétimo gol da seleção brasileira foi feito faltando menos de dez segundos para o término da partida. Ana e Matheus não chegaram a acompanhar a seleção neste ano, mas ela faz questão de organizar a torcida para visitar, conhecer e acompanhar o treinamento do time do Corinthians. “Mas faço questão de manter contato com o técnico. Cleiton Monteiro faz um trabalho importantíssimo para o desenvolvimento da autonomia dos atletas. Pais e mães são proibidos de acompanhar treinos e viagens. O que estimula estes jovens a se tornarem mais independentes. Isso sem falar no desenvolvimento da autoestima que um campeonato como esse traz. Ver a torcida vibrando com eles não tem preço”, ela conta.

(Foto: Reprodução / Globo Esporte / FL Piton/Prefeitura Municipal Ribeirão Preto)

E como se não bastasse levar o prêmio para casa, ainda garantimos o posto de melhor atleta do mundial com a atuação de Renato, que ocupa a posição de ala. “Sabemos como nossos filhos são sempre vistos com condescendência ou como inferiores. Então, quando eles se mostram capazes de jogar futebol muito melhor do que a maioria das pessoas típicas, o recado dado é muito importante”, Ana comenta sobre o destaque do jogador. “Outro ponto importante é quebrar o esteriótipo de ‘eternas crianças’. Ao serem tratados como atletas pela mídia, uma mensagem muito importante para nós se espalha: a de que eles são pessoas absolutamente capazes de batalhar e realizar seus sonhos”, completa.

Essa foi a segunda edição do Campeonato Mundial de Futsal Down, organizado pela Federação Internacional de Futebol Para Síndrome de Down (FIFDS) e seguindo as regras da FIFA. Em 2018 o prêmio foi para Itália e aconteceu em Portugal, em que também participaram atletas do México, Portugal, Itália, África do Sul e, infelizmente, o Brasil ficou de fora, já que não tinham verba o suficiente para viajar.

Desta vez, mesmo o campeonato acontecendo em solos brasileiros, mais uma vez eles quase ficaram de fora por falta de dinheiro. “Espero que essa vitória chame a atenção dos patrocinadores para que, daqui pra frente, eles tenham as condições que merecem para treinar – com vestuário, materiais, transporte e até mesmo remuneração para equipe que tanto se dedica”, Ana finaliza.

 

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