Semana Mundial da Imunização: vacinar é a melhor forma de combater doenças e proteger sua família

A vacinação foi responsável por um aumento de cerca de 30 anos na expectativa de vida da população. Escolher não imunizar seu filho, independentemente do motivo, é uma ameaça à saúde e vida das pessoas

A vacinação ajuda a prevenir uma média de três milhões de mortes ao ano (Foto: iStock)

Você conseguiria imaginar um mundo sem vacinas? É só voltarmos ao começo do século 20, época em que uma a cada cinco crianças morria de alguma doença infecciosa antes mesmo de completar 5 anos.

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Para evitar esse tipo de retrocesso, é preciso entender que a vacina é a forma mais eficaz de proteger seu filho e sua família contra as doenças. Os dados provam: a vacinação foi responsável por um aumento de cerca de 30 anos na expectativa de vida da população. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que a vacinação ajuda a prevenir uma média de três milhões de mortes ao ano em doenças como tétano, sarampo e difteria.

Graças à vacina, doenças altamente contagiosas e perigosas, como a varíola, foram erradicadas. A vida dos bebês, pais e pediatras ficou muito mais fácil, e o número de internações e mortes por doenças infecciosas caiu. Por esses e tantos outros motivos, a OMS lidera a Semana Mundial da Imunização, que começa hoje (24) e vai até 30 de abril. A data tem como objetivo promover o uso das vacinas como instrumento de proteção contra doenças para pessoas de todas as idades.

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Com o tema #VaccinesWork for All”, a campanha ressalta o valor das vacinas para a saúde das crianças, comunidades e do mundo. Em tempos de coronavírus, o mundo enfrenta uma doença com grande potencial de transmissão, sem um tratamento eficaz cientificamente comprovado. Essa dificuldade levanta ainda mais a importância das pesquisa para o desenvolvimento de vacinas e a confiança da sociedade nos programas de imunização.

(Foto: Getty Images)

Sem medo da vacina

Infelizmente, alguns pais ainda têm medo em dar vacina aos filhos e até encontram argumentos com profissionais que, com certeza, não estão alinhados às melhores práticas médicas da atualidade. “As vacinas são vítimas do próprio sucesso”, define Melissa Palmieri, filha de Antônio Carlos e Maria, pediatra especialista em infectologia, membro da Sociedade Brasileira de Imunizações e coordenadora médica de vacinas do Grupo Pardini. É difícil entender o porquê do movimento antivacina e as fake news sobre vacinação ainda estarem ganhando força, principalmente nas redes sociais.

Segundo a especialista, conforme as doenças são eliminadas, a população se esquece das ferramentas de prevenção e ganha uma falsa sensação de segurança. “Temos uma geração de adultos que se beneficiaram do Programa Nacional de Imunizações no passado e agora estão negligenciando esse direito aos filhos. Como os pais não tiveram essas doenças, não existe uma memória em relação à gravidade delas, e eles acabam relaxando em relação à vacinação dos filhos”, explica a especialista. Além disso, muitas famílias também enxergam a vacina como cura, e não prevenção, e só vão atrás da imunização dos filhos em casos mais graves.

Com o sucesso da imunização no país, muitas doenças tornaram-se desconhecidas. Isso faz com algumas pessoas não tenham ideia do risco que elas carregavam e acabem se preocupando bem mais com os possíveis efeitos colaterais de vacina do que com a prevenção de doenças graves. “Não há mais desculpas para falar que as vacinas causam mal. Claro que todo produto que seja vacina ou medicamento não está isento de reações adversas, mas se colocarmos na balança, é um risco muito pequeno e que vale ser corrido”, defende Melissa.

Os benefícios da vacinação universal superam de longe os riscos, que incluem reações leves, como febre ou dor local e (mais raramente) reações mais sérias. No geral, de 5% a 10% dos casos, as reações adversas consistem em inchaços, vermelhidão e dor no local da aplicação da vacina. As reações sistêmicas, como febre, mal-estar e dor de cabeça, ocorrem em cerca de apenas 2% dos casos. Já o risco de reações adversas graves é mínimo: cerca de 0,05% e geralmente acontecem em pessoas que apresentam alguma contraindicação. Por isso, se você tem algum problema de saúde, informe ao serviço para avaliar se você ou seu filho pode ser vacinado ou se a vacinação deve ser postergada para outro momento. O médico pediatra também deve sempre ser consultado para uma orientação segura. Mas as reações às vacinas são bem menos prejudiciais se comparadas aos efeitos da doença em uma criança não imunizada. Então, pode vacinar seu filho sem medo.

Crianças sem marquinhas não precisam de segunda dose! (Foto: Getty Images)

Juntos pela vacinação e prevenção

Imunizar a família toda funciona como um ato coletivo de responsabilidade e cuidado. Pense que, para uma doença conseguir sobreviver e se propagar, é preciso que outras pessoas estejam infectadas. Por isso, quanto mais gente protegida, o ciclo de um vírus ou bactéria se encerra e a doença pode ser erradicada. “A vacinação é algo maior que uma escolha pessoal. Precisamos olhar o bem social do outro e do coletivo também. Exceto para as doenças com exposição de risco individual, como o tétano e a febre amarela, a vacina funciona como uma arma coletiva e diminui a circulação do agente infeccioso”, afirma Melissa.

Protegendo seu filho

Você faria algo que pudesse fazer seu filho ou sua família ficarem doentes? Com certeza, não. A gente entende que você só deseja o melhor para o seu filho e que os receios, dúvidas e medos causados por falta de informações, fake news ou movimentos antivacina são naturais. Mas a vacinação é a melhor forma de proteger sua família contra as doenças. “A vacina é uma das maiores descobertas da medicina e uma das principais causas da longevidade das pessoas. Abrir mão dos avanços da ciência por causa de uma crença pessoal ou de uma orientação individual de um médico não faz sentido. Recomendo que os pais com esse tipo de pensamento reflitam e conversem com outros médicos para formarem uma ideia mais consistente sobre o assunto, além confiar somente em fontes seguras e oficiais, como o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria”, explica o Dr. Claudio Len, pediatra e médico do departamento Materno-Infantil do Hospital Albert Einstein, nosso colunista e pai de Fernando, Beatriz e Silvia.

Não à toa, deixar de imunizar as crianças na época adequada é ilegal no Brasil, já que esse é um direito assegurado há 29 anos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Lembre-se que, enquanto é pequeno, seu filho não tem o poder de escolha sobre a vacinação e depende exclusivamente de você. “Os pais precisam começar a tratar a vacinação como algo positivo entre os filhos. Essa nova geração não pode ter ainda mais medo da vacina. Vale trazer a imunização para o universo lúdico das crianças, falar que os super-heróis ou as princesas também tomam a gotinha ou a picadinha para ficar mais forte, além de evitar ao máximo vincular a vacinação com qualquer aspecto negativo”, aconselha Melissa.

Sem gripe neste ano!

A Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe do Ministério da Saúde foi iniciada em 23 de março de 2020. A data foi antecipada por conta da pandemia do novo coronavírus. Mesmo com o isolamento social, a recomendação médica é que as pessoas mantenham o calendário de vacinação em dia. A vacina da gripe previne a contaminação pelo vírus Influenza, incluindo os subtipos H1N1 e H3N2, que costuma circular no Brasil com mais intensidade a partir de março.

O governo separou os públicos em três etapas:

  • 1ª etapa (23 de março): início da campanha com foco na vacinação de pessoas acima de 60 anos e trabalhadores da área da saúde.
  • 2ª etapa (16 de abril): ampliação da vacinação para pacientes com doenças crônicas (como diabetes e hipertensão) e condições clínicas especiais, caminhoneiros, população indígena e forças de segurança e salvamento.
  • 3ª etapa (9 de maio): crianças a partir de 6 meses e menores de 6 anos, professores, gestantes e puérperas.

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