Síndrome do Intestino Curto (SIC) e nutrição parenteral: do diagnóstico ao tratamento

O paciente com SIC não tem uma absorção suficiente dos nutrientes pelo intestino, por isso, necessita de nutrição enteral ou parenteral. A ausência dela pode causar perda de peso, desidratação e sinais de deficiência

Resumo da Notícia

  • A Síndrome do Intestino Curto (SIC) é uma doença rara
  • Nela, adultos e crianças têm uma perda muito significativa da área de absorção dos alimentos, por conta do tamanho do intestino
  • Dessa forma, os pacientes necessitam de nutrição enteral e parenteral

Uma pessoa adulta é diagnosticada com a Síndrome do Intestino Curto (SIC), uma doença rara e crônica, quando apresenta o intestino delgado com tamanho inferior a 2 metros de comprimento¹. Como parâmetro, a Dra. Maria de Lourdes Teixeira da Silva, mestre em gastroenterologia e especialista em nutrição parenteral e enteral, diretora do GANEP, filha de João e Tereza, explica que “o esperado em um indivíduo saudável nessa faixa etária é o intestino delgado possuir um tamanho entre 3 e 8 metros”.

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Tire suas dúvidas sobre a Síndrome do Intestino Curto, uma doença rara que tem tratamento³
Tire suas dúvidas sobre a Síndrome do Intestino Curto, uma doença rara que tem tratamento³ (Foto: Getty Images)

A médica ainda acrescenta que, para crianças com SIC, a medida do remanescente de intestino após uma cirurgia é entre 40 e 80 centímetros ou menos. “Nestas condições, tanto os adultos quanto as crianças têm uma perda muito significativa da área de absorção dos alimentos, não conseguindo aproveitar todos os nutrientes”, pontua. Assim, a SIC pode levar à desidratação, má nutrição, sinais de deficiência e perda de peso¹. A diarreia é um frequente sintoma de alerta também, nesta doença que atinge de 3 a 4 pessoas a cada milhão².

Converse com o seu médico

A perda de parte considerável do intestino delgado surge como consequência de uma ou várias cirurgias, doenças imunológicas que levam a cirurgias ou malformações ao nascer². Desta forma, a Dra. Maria de Lourdes reforça a importância da comunicação: “no caso de haver necessidade de procedimentos cirúrgicos, é importante o cirurgião informar ao paciente o tamanho de intestino que ainda restou após a retirada, já que é esta informação que irá colaborar no diagnóstico do quadro, e saber quais os trechos do órgão restaram”, comenta a especialista, uma vez que pode haver a possibilidade de o intestino delgado ser cirurgicamente conectado ao intestino grosso, o que fará diferença na extensão e no tempo, maior, para a absorção dos alimentos¹.

Nutrição enteral e parenteral

Com a confirmação do diagnóstico, o paciente irá precisar passar por um período de adaptação e cuidado especial com os alimentos³. Nos casos mais graves, em que há falência intestinal – ou seja, quando o intestino não é mais capaz de absorver os nutrientes de forma efetiva garantindo uma boa qualidade de vida –, o paciente precisa de nutrição enteral e parenteral, que assegura a quantidade necessária de nutrientes para aquele indivíduo, sempre recomendada por um médico especialista de acordo com a condição clínica, idade e peso do paciente³.

A Síndrome do Intestino Curto pode acometer tanto meninas quanto meninos e não atinge apenas o paciente, mas a rotina de toda a família, uma vez que existe a necessidade de um cateter na veia para nutrição parenteral, com objetivo de oferecer nutrientes necessários àquela pessoa diretamente na corrente sanguínea¹. Esse dispositivo obriga um cuidado enorme com a limpeza, higienização e manuseio, para evitar infecções. A própria necessidade de estar conectado a ele também impede, muitas vezes, o deslocamento do paciente¹; por outro lado, a Dra. Maria de Lourdes reforça que “alguns pacientes podem fazer esse tipo de nutrição no período da noite, enquanto dormem, podendo, então, levar uma vida mais próxima ao normal”.

Jornada do paciente

A grande diferença da SIC entre crianças e adultos é que, nos mais novos, o intestino não está totalmente formado, por isso irá crescer com o tempo3. Nos adultos, o intestino não crescerá mais3; portanto, “se após uma cirurgia restarem 20 centímetros de intestino, é isso que ele terá pelo resto da vida”, complementa a Dra. Maria de Lourdes. A reabilitação e adaptação fazem parte do tratamento da doença². Com o tempo, o tratamento vai tendo efeito e fazendo com que o intestino dilate, consequentemente aumentando a área de absorção, conseguindo reduzir as doses da nutrição  parenteral até chegar a zero, em cerca de 50% dos casos3, segundo a especialista.

Na Síndrome do Intestino Curto, o paciente precisa de nutrição parenteral, uma vez que o intestino perde a capacidade de absorção dos alimentos³
Na Síndrome do Intestino Curto, o paciente precisa de nutrição parenteral, uma vez que o intestino perde a capacidade de absorção dos alimentos³ (Foto: Getty Images)

É importante que este paciente seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar, desde a avaliação até o tratamento². Se a nutrição parenteral, após algum tempo de reabilitação, não surtir efeito, outras possibilidades, como cirurgia de alongamento de intestino e tratamento com hormônio – precisam ser avaliadas3. Se não houver resultado favorável, ainda há a possibilidade de transplante de intestino delgado¹.

Doenças raras

As doenças raras são aquelas que acometem até 65 pessoas para cada 100 mil4. Pouco se fala sobre elas, porém a informação é uma fonte fundamental no combate. Mesmo que 95% delas não possuam tratamentos, contando apenas com cuidados paliativos e serviços de reabilitação⁴, é importante que estas decisões possam ser tomadas e implementadas, a fim de garantir uma maior e melhor qualidade de vida aos pacientes³. Diante da importância do cenário, a Organização Europeia de Doenças Raras (EURORDIS – European Organisation for Rare Diseases – https://www.eurordis.org) definiu 28 de fevereiro como o Dia Mundial das Doenças Raras⁴.

A ideia é justamente conscientizar a população sobre a existência das doenças raras, seus sintomas, modelos diagnósticos e opções de tratamento ou cuidados necessários. A Takeda, referência no cuidado ao paciente com doenças raras, e o site Juntos Pelos Raros também colaboram com a disseminação de informações sobre este assunto.

REFERÊNCIAS:

1. Franzon, Orli; Suzuki, Hideo; Sato, Karina Midori; Piccoli, Maria Claudia; Volpato, Marília Granzotto. Síndrome do Intestino Curto: uma nova alternativa de tratamento cirúrgico. arq. bras. cir. dig. 23 (1) • Mar 2010.

2. Terapia Nutricional na Síndrome do Intestino Curto – Insuficiência/Falência Intestinal. Projeto Diretrizes, Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. 2011.

3. DiBaise JK, Iyer K, Rubio-Tapia A. AGA Clinical Practice Update on Management of Short Bowel Syndrome: Expert Review. Clin Gastroenterol Hepatol. 2022 Jun 11:S1542-3565(22)00561-4.

4. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. 28/02 – Dia Mundial das Doenças Raras. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/28-02-dia-mundial-das-doencas-raras/. Acesso em maio de 2022.

C-ANPROM/BR/CORP/0256 – Jun/2022 | Material destinado ao público em geral