“Sinto muita falta do outro bebê”, desabafa mãe que teve filho trocado na maternidade

Pauliana Maciel contou pela primeira vez os detalhes do que aconteceu após levar o filho biológico para casa

(Foto: Reprodução/G1)

Dois bebês foram trocados na maternidade e entregues para os casais errados em Goiás. José Miguel e Murillo Henrique nasceram no dia 9 de julho no Hospital de Urgências de Trindade e apenas nesta quinta-feira (1) foram devolvidos para os pais biológicos.

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Menos de 24 horas depois de recuperarem o filho, Genésio Vieira, 43 anos, e Pauliana Maciel, 27, passaram a primeira noite com o menino em casa.

Vinte e quatro dias após o nascimento, a criança pôde finalmente dormir no berço preparado pelos pais. “Foi um turbilhão de sensações. Sinto muita falta do outro bebê. Não tem como esquecer do cheirinho que ficou nas minhas coisas. Estou vivendo um dia de cada vez. Tem de ser assim. Não quero ficar pensando como vai ser lá na frente”, disse Pauliana, em entrevista ao Metrópoles.

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Em casa pela primeira vez

A mãe contou pela primeira vez os detalhes do que aconteceu após devolver o filho biológico de Murilo Lobo, 22 anos, e Aline Alves, 20. “Estamos mantendo contato, não vamos nos separar. Nós perguntamos se dormiram bem. São nossos filhos para o resto da vida”, conta.

“Está sendo como se estivéssemos o encontrado pela primeira vez. Parece que ele chegou ontem. Ainda não sabemos como ele gosta de dormir. O que mais queria era estar com ele. Nosso coração se acalmou depois dessa angústia”, disse o pai, Genésio.

(Foto: Arquivo pessoal)

Caso está sendo investigado

De acordo com a investigação da Polícia Civil, os partos ocorreram na mesma faixa de horário (entre 15h20 e 15h40). As mães, Aline e Pauliana, foram transferidas para a mesma enfermaria e a troca teria acontecido após o primeiro banho dos recém-nascidos.

Tudo indica que as pulseiras de identificação estavam corretas, mas as roupas dos bebês foram invertidas. Ao retornar para junto das mães, eles foram colocados nos berços errados e pouco tempo depois, as pulseiras de identificação caíram no chão.

As famílias contaram à delegada que investiga o caso, Renata Vieira, que a avó percebeu que o nome escrito na pulseira não era o da filha e notificaram o Hospital, que garantiu que os bebês não haviam sido trocados, mas possivelmente as pulseiras após o banho.

Uma técnica em enfermagem do berçário do Hutrin é investigada pela Polícia Civil de Goiás como a responsável pela troca. Ela não teve o nome divulgado. Segundo Renata Vieira, a mulher negou qualquer falha no atendimento de Pauliana e Aline.
A atualização
Genésio contou ao Fantástico que ele foi o primeiro a desconfiar que o bebê que estava com a família, não era filho dele. Ele começou a estranhar a cor da pele e do cabelo. As famílias não se conheciam até então, mas as mulheres, Pauliana e Aline, dividiram o mesmo quarto.
Eles desconfiam que os bebês tenham sido trocados durante o banho e afirmam, que em momento nenhum as pulseiras de identificação estivessem na pele das crianças, mas sim soltas nos berços e carrinhos que os transportavam.
Por mais que um primeiro teste de DNA tenha confirmado que Genésio estava com a criança errada, eles precisavam descobrir com quem estavam o filho deles. Foi então que Pauliana lembrou que tinha divido o quarto com uma outra mulher e decidiu ligar para ela.
A desconfiança dos casais aumentaram, as mães já tinham se acostumado com as manias e os horários dos bebês que não eram delas e para deixar todo o processo menos dolorido, Murilo e Aline se mudaram para casa do outro casal e ficaram lá até o fim do último exame.
O case se tornou investigação policial, os bebês precisaram ser trocados na delegacia, foi um momento muito difícil para todos, principalmente porque eles não estão mais na mesma casa. Mas Genésio afirma que as coisas mudaram. “Agora somos seis, dois pais, duas mães e dois filhos“. Agora eles estão separados por 27 km, mas Internet está ajudando na comunicação e eles podem sempre se ligar e se verem.

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