SP tira obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre: regras para escolas ainda serão divulgadas

Ainda não se sabe o que vai acontecer em relação às crianças e às escolas. Detalhes da decisão devem ser anunciados em uma coletiva na próxima quarta-feira, 9 de março

Resumo da Notícia

  • São Paulo vai retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre
  • Ainda não se sabe o que vai acontecer em relação às crianças e às escolas
  • Detalhes da decisão devem ser anunciados em uma coletiva na próxima quarta-feira, 9 de março

O governo de São Paulo decidiu retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre em todo o estado. Os detalhes sobre a decisão, bem como as regras que vão valer nas escolas e para crianças vão ser informados em uma coletiva de imprensa na próxima quarta-feira, 9 de março. A informação a respeito da mudança na regra em espaços abertos foi confirmada por integrantes do Comitê Científico estadual ao GloboNews e também foi dada à UOL por fontes não reveladas.

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De acordo com o que eles falaram, a retirada da obrigatoriedade ao ar livre pode ser determinada a partir de amanhã. Nos locais fechados, por enquanto, a regra atual continua valendo. Na última segunda-feira, 7 de março, a Vigilância Sanitária municipal de SP já tinha recomendado a retirada da obrigatoriedade para locais abertos.

São Paulo vai retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre
São Paulo vai retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre (Foto: Getty Images)

Pressões para flexibilização nas escolas

O Governo de São Paulo vem recebendo uma série de pressões para retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras para crianças menores de 12 anos, incluindo nas escolas. Esse é o caso do movimento Escolas Abertas. O grupo surgiu no início da pandemia para trazer a tona a discussão da volta ou não das aulas presenciais, reunindo justificativas para o retorno. Em fevereiro deste ano, eles lançaram um apelo à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para rever os protocolos de saúde e segurança e retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras para crianças pequenas.

Um problema em relação à flexibilização das regras para as crianças, no entanto, está no índice vacinal desta faixa etária. “Hoje, principalmente quem não está imunizado, deve usar máscara. E os grupos de não vacinados hoje principalmente são as crianças abaixo de 12 anos, que ainda não tomaram a segunda dose, estão ainda na primeira dose”, ressalta Dr. Filipe Prohaska, infectologista do Grupo Oncoclínicas, pai de Letícia e Luisa.

De acordo com dados da plataforma VacinaJá, do governo de SP, 70,3% das crianças do estado receberam uma dose da vacina e as crianças vacinadas com duas doses correspondem a 19,2% do total. A média ideal para a retirada das máscaras, segundo especialistas, é de pelo menos 80% de cobertura vacinal com as duas doses.

No caso do grupo de pais que querem a retirada da obrigatoriedade das máscaras, a justificativa é que as crianças estão sendo prejudicadas pedagógica e psicologicamente e que as máscaras atrapalham o desenvolvimento e a alfabetização. Taís e Roberta Bento mãe e filha, embaixadoras da Pais&Filhos, e fundadoras do site SOS Educação, no entanto, ressaltam, em entrevista, que isso não necessariamente é verdade.

Movimento Escolas Abertas em São Paulo também já fez algumas publicações nas redes sociais pedindo pela não obrigatoriedade das máscaras em crianças
Movimento Escolas Abertas em São Paulo também já fez algumas publicações nas redes sociais pedindo pela não obrigatoriedade das máscaras em crianças (Foto: reprodução Instagram)

“Tanto desenvolvimento quanto a socialização das crianças não são prejudicados pelo uso da máscara. Ao contrário, estudos mostraram que as crianças que usam as máscaras na escola tiveram ganhos na autorregulação das próprias emoções, na capacidade para demonstrar empatia, no desenvolvimento de diferentes recursos para entender e se fazer entendido. Além de todos esses ganhos que nossas crianças tiveram enquanto se esforçaram para aprender a usar a máscara, elas também tiveram a oportunidade de sentir que têm o poder para ajudar na autoproteção e cuidados com a própria família, colegas e professores. As crianças que frequentaram a escola ao longo desse período em que as máscaras se tornaram necessárias têm mais consciência sobre germes invisíveis e em relação à importância dos protocolos de higiene, como lavar as mãos para proteger a própria saúde, por exemplo”, explicaram elas.

Para as educadoras, o mesmo vale no caso da alfabetização. “O uso de máscara não atrapalha o processo de alfabetização. E não prejudica também a aprendizagem de um outro idioma”, afirmam. “O olho no olho é comprovadamente mais importante e tem mais impacto no processo de comunicação do que o movimento da boca. Pesquisas mostram que a partir dos 2 anos de idade, as crianças passam mais do que o dobro do tempo focando nos olhos dos adultos com quem estão tentando se comunicar do que para a boca deles. A consequência esperada desse período, por psicólogos, cientistas e pesquisadores do desenvolvimento e socialização é que as crianças sairão ainda mais sensíveis a pistas sutis sobre como a outra pessoa está no momento: tom de voz, expressão no olhar, linguagem corporal como um todo”, completam.

As duas reforçaram que o processo de alfabetização vai muito além que apenas o movimento da boca e é impactado por várias atividades, como: “o tempo que a criança passa brincando com atividades manuais, o quanto ela tem de autonomia nas atividades diárias para as quais já está pronta, as oportunidades de leitura, desenho, colagem, pintura”. “O desafio de não ver a boca da professora é superado pela adaptação na capacidade de foco e atenção que o cérebro da criança tem a capacidade de ajustar, desde que um fator esteja presente: a postura dos adultos em relação a esse desafio. Quanto mais positiva a expectativa dos pais e professores, melhor a relação da criança diante dos desafios que são parte da fase de alfabetização, com ou sem máscara”, orientam.

Mas, claro, como todos nós, as duas também não veem a hora de podermos retirar as nossas máscaras e a das crianças também, de forma segura. “Sim, queremos muito nossas crianças livres para abraçar, compartilhar, sorrir e enxergar o sorriso dos amigos e professores. Não porque elas estão aprendendo menos com as máscaras, mas porque a liberdade é um direito de cada criança e o nosso maior sonho para elas, assim que os profissionais da saúde derem a segurança de que já podemos dar esse passo”, concluem.

O papel das máscaras na proteção contra a covid-19

Mas, afinal, qual é a importância do uso de máscaras para a proteção contra a covid-19? A Dra. Letícia Kawano-Dourado, mãe de Inácio e Lúcia, médica pneumologista e pesquisadora que assessora a Organização Mundial da Saúde (OMS) na elaboração de diretrizes no tratamento do coronavírus, contou, em entrevista à Pais&Filhos, um pouco sobre a relevância do uso da máscara. ‘Ela não a única medida, mas tem sim papel central, junto com a ventilação do ambiente. As duas medidas mais importantes e que garantem maior segurança das pessoas nesses tempos de isolamento”, ressalta ela.

Na entrevista, ela também contou um pouco mais especificamente sobre o uso de máscara para as crianças e disse qual é a melhor máscara para os mais novos. Para ler na íntegra, basta entrar na nossa matéria clicando aqui.