“Thiago me mostrou que tudo é possível, até mesmo um pai enterrar o filho”

Conheça a história do doutor Leonardo Posternak

(Foto: Arquivo Pessoal)
(Foto: Arquivo Pessoal)

Leonardo Posternak é médico pediatra e escritor, presidente do Instituto da Família e pai de Luciana e Thiago. Ele, que veio da Argentina em 1976, nos contou que tirando o portunhol e o futebol, se sente brasileiro.

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A relação do médico com a equipe começou logo na primeira edição da revista, quando foi convidado para ser o autor de uma coluna pela Mônica Figueiredo – diretora editorial e mãe de Antonia, que inclusive começou a visitar a clínica de Leonardo ainda criança e, mesmo depois de adulta, continua frequentando regularmente.

Na época em que participou da Pais&Filhos, ele aproveitou para falar sobre tudo o que achava relevante relacionado a crianças e famílias. “Quando eu escrevia gostava de me apoiar em esperança e coisas que realmente valessem a pena, independente do resultado. Acho que os pais não precisam e não merecem ser comandados por técnicos, e sim, por profissionais abertos à discussão que não os julguem ou os desqualifiquem e que os auxiliem numa função para a qual estamos pouco preparados. Porém, duvido que qualquer profissional saiba sobre uma criança aquilo que a mãe e o pai não saibam, por conta do convívio permanente”, disse.

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Ele sempre buscou respeitar as diferenças e reforçar a ideia de que devemos ajudar aos outros a fazer o melhor possível dentro de seus princípios e cultura familiar. Sua relação com os leitores foi sempre clara, mútua e equilibrada, sem nunca se posicionar como o “Dono da verdade”.

Quando fala de sua família, gosta de destacar um por um. Susana, a esposa e figura incrível que está por trás de tudo na sua vida. Luciana, primeira filha que, segundo ele, é um doce de pessoa, psicóloga “das boas” e que o fez avô da Luana há 15 anos. Nessa época, escreveu uma carta para a neta, que pode ser encontrada na edição da Pais&Filhos de dezembro de 2015 ou janeiro de 2016.

Por último, seu filho Thiago, que em um março difícil de oito anos atrás, aos 31 anos, decidiu não acordar de uma tranquila noite de sono. “Ele nos ensinou que tudo é possível de acontecer, até mesmo os pais enterrarem o filho, quando na verdade a situação ‘natural’ deveria ser inversa. Ele tinha escrito na revista uma crônica sobre o orgulho de nos ter como pais. Foi uma surpresa a leitura, já que ele havia mantido em absoluto segredo”.

“Prometi a ele em seu enterro que, a partir daquele dia, nossas alegrias seriam menores e nossas tristezas maiores. Não errei na medida, mas minha esposa, minha filha, minha neta, os amigos e o contato diário com crianças e pais me ofereceram o oxigênio que eu achava que não apareceria”, contou.

Leonardo passou vários anos felizes e produtivos ligado a Pais&Filhos. No entanto, um dia, conta que passou horas em frente a uma folha de papel e não conseguiu escrever nada– ele não escreve no computador, conta com a velha dupla papel e caneta. “Foi aí que percebi que algo havia secado. Acho que as ideias quando não saem diretamente de dentro do coração, a escrita passa a ser uma obrigação. E sou convicto de que tudo que a gente faz tem que ter muita paixão. Obrigado a todos os membros da revista por me permitirem usar de novo o coração, que guia minha cabeça e minha mão”, concluiu.

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