Tomar banho com os filhos é certo ou errado?

A psicóloga Betty Monteiro, a psicanalista Vera Iaconelli e o pediatra Dr. Claudio Len explicam os cuidados necessários caso a família tenha esse hábito em casa

Resumo da Notícia

  • Muitos pais têm o costume de tomar banho com os filhos
  • Conversamos com a psicanalista Vera Iaconelli, o pediatra Dr. Claudio Len e a psicóloga Betty Monteiro para explicar os cuidados necessários
  • Acima de tudo, você precisa estar aberto ao diálogo e possíveis questões das crianças
É preciso respeitar a fase de cada criança e ensiná-la a tomar banho sozinha (Foto: iStock)

Seja por um costume ou até praticidade, muitos pais preferem tomar banho com os filhos. Mas esse momento mais íntimo também pode ser perigoso para o desenvolvimento das crianças no futuro. De acordo com Betty Monteiro, psicóloga e pedagoga, mãe de Gabriela, Samuel, Tarsila e Francisco, é preciso estabelecer limites: “Não existe nenhuma norma contra ou que desaconselha a tomar banho com os filhos até 4 anos. É legal o contato corporal e ajuda a criança a perceber que ela é uma pessoa, a mãe é outra e o pai é outro. As contraindicações começam após essa idade, porque pode acontecer da criança começar a despertar uma certa sexualidade”.

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“Não existe nenhuma norma contra ou que desaconselha a tomar banho com os filhos até 4 anos”

Betty vê a prática como válida até os 4 anos, já que entre essa idade e os 6 anos, naturalmente, a criança entra em uma fase de “pudor infantil” e começam a sentir prazer: “Ela mesma começa a ficar com vergonha e incômodo de se trocar na frente dos pais, tomar banho”. Por isso, reforça a necessidade de sempre pedir licença: “Se os meus netos estão comigo e de repente preciso fazer uma supervisão do banho, tendo que tocá-los, eu peço licença. É uma questão de respeito”.

Por isso, ela enfatiza a necessidade de ir ensinando o seu filho a tomar banho sozinho e cuidar do próprio corpo para desenvolver autonomia e independência. “Mesmo com 4 anos, é importante os pais começarem a ensinar os filhos que ninguém toca nas partes íntimas deles. Não é uma questão de censura ao corpo, mas cuidados que precisamos ter, já que é em casa que as crianças aprendem”, defende. Assim, vale pedir para a criança sair quando for se trocar ou até mesmo para ela se trocar no banheiro com a porta fechada.

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Atento aos sinais

Betty garante que bom senso é a melhor forma de educar, e que essa educação é fundamental para “soltar a criança no mundo”: “Assim como você educa quanto à etiqueta social e aos valores, você também precisa educar a criança para adquirir esse sentido de ter cuidado com o seu corpo e o corpo do outro”. A psicóloga e psicanalista Vera Iaconelli, mãe de Gabriela e Mariana, vai além e enfatiza que a palavra-chave é coerência. Há a necessidade de estabelecer fronteiras, de ambos os lados. Ela entende que o “meu corpo, minhas regras” começa no berço

Se você tem o costume de tomar banho com os filhos, precisa estar aberto para conversar sobre isso (Foto: Getty Images)

“Os pais não podem tocar do jeito que quiserem e fazer como quiserem, assim como os filhos também não podem fazer tudo do jeito e como quiserem”, explica. Segundo Vera, a própria criança vai denunciando essa relação se for excessiva. Além disso, se você decidir tomar banho com os filhos, esteja preparado para aquelas perguntas difíceis de responder aos filhos. “Se você apresenta o seu corpo nu para a criança, na nossa cultura, ela vai fazer perguntas sobre a diferença e você precisa responder: ‘Existem homens, existem mulheres e existem diferenças no corpo’”, exemplifica. O assunto não pode ser visto como tabu dentro de casa, porque esse silêncio pode gerar confusão. 

“Essa é a questão, se houver pudor em relação a falar do próprio corpo, então porque expô-lo?”, questiona e completa: “Quando a gente oferece esse tipo de experiência, precisamos ser coerentes de sustentar tudo o que decorre daí”. Segundo ela, essa base define qual experiência queremos oferecer a criança estar no mundo, mas principalmente, na nossa sociedade. 

“Essa é a questão, se houver pudor em relação a falar do próprio corpo, então porque expô-lo?”

Alguns cuidados extras

Assim como Vera, o Dr. Claudio Len, pediatra e nosso colunista, pai de Silvia, Beatriz e Fernando, pede atenção a alguns cuidados caso você tenha essa prática em casa. “Desde que tenha uma higiene, água corrente limpa, no chuveiro, não vejo problema. Se for na banheira, é mais complicado, porque é compartilhado”, afirma.

É preciso ficar atento com a questão da higiene do banho (Foto: iStock)

O pediatra também faz algumas observações em relação à idade: “Criança pequena até uns 5/6 anos tudo bem, depois vai crescendo e fica mais complicado. Não é tão comum para pré-adolescentes ou adolescentes”. Ele justifica que a percepção das diferenças corporais começam a acontecer por volta dos 7/8 anos de idade. Por isso, o mais importante é prezar pelo bom senso e respeitar a fase da criança, apoiando, mas dando espaço para que também possa se desenvolver sozinha. 

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