Tontura: causas, o que fazer e como identificar se a criança ou bebê tem o problema

No mundo, pelo menos 30% da população terá um quadro de tontura ao longo da vida. Por isso, é superimportante estar de olho aos sinais que o seu filho dá para buscar a ajuda de um especialista

Resumo da Notícia

  • 30% da população no mundo terá, ao menos, um quadro de tontura ao longo da vida
  • O problema também pode acontecer com bebês e crianças
  • É estimado que os picos de tontura aconteçam entre os 41 e 60 anos de idade

A tontura é um sintoma de distorção da percepção do espaço, que merece atenção! Geralmente, quando os pacientes indicam o problema para o neurologista, que é o médico especialista no assunto, pode existir a sensação de uma tontura nas pernas, que é o desequilíbrio, ou ainda a sensação de tontura na cabeça, que vem acompanhada de atordoamento, enjoo ou vertigem.

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No caso da vertigem, que é bastante presente, existe uma percepção anormal de movimento, ou seja, a sensação de ver objetos girarem ou balançarem. Para tirar as principais dúvidas sobre o assunto, conversamos com o Dr. Saulo Nader, neurologista do Hospital Isrealita Albert Einstein e Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia.

A tontura pode acontecer em qualquer idade?

Sim, pode. Segundo o especialista, apesar de existir um pico entre os 41 e 60 anos, ninguém está imune. “30% da população vai ter pelo menos um quadro de tontura na vida, o que é bastante. Os tipos de tontura são os mesmos, tanto na criança, como no adulto, salvo algumas exceções como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), que acontece muito mais em uma pessoa mais velha do que na criança”.

A tontura é a distorção da percepção do espaço (Foto: iStock)

Tipos de tontura na criança

Na infância, a tontura é comum, principalmente quando falamos em Cinetose. Mas, também pode ocorrer a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), que é a principal causa de tontura na fase adulta, ou ainda a Migrânea vestibular.  Veja o que cada uma delas significa:

Cinetose: é uma doença tipicamente da infância, que começa entre os seis ou sete anos de idade. Geralmente, seu pico é por volta dos nove ou dez anos e melhora ao final da adolescência, perto dos 20 anos. É importante reforçar que o problema pode continuar na fase adulta, apesar de ser menos comum, ou ainda se desenvolver neste período da vida. A cinetose causa a sensação de enjoo e sudorese quando a criança anda em veículos, barcos ou avião, trazendo a sensação de mal estar.

Vertigem Posicional Paroxística Benigna: é a soltura de cristais, que pode acontecer tanto na infância, como na fase adulta. O problema pode acontecer por causa de uma pancada, por exemplo, ou ainda um movimento de alto impacto.

Migrânea vestibular: também conhecida como enxaqueca vestibular. É bastante comum na infância e pode causar dores de cabeça acompanhada por crises de tontura.

Bebê com tontura

Apesar de não ter dados científicos sobre a frequência de bebês com tontura, o especialista explica que é uma causa mais rara nos consultórios.  “Normalmente, o bebê vai vivenciar a tontura em uma forma náusea. Como reflexo, pode acontecer a ânsia, mas sem de fato ocorrer o vômito”.  A descoberta do problema ocorre a partir de exames, que serão avaliados por um neurologista. “A estatística no bebê é pequena e mais rara de acontecer nos primeiros anos de vida”.

Como a criança diz que está com tontura?

Para o adulto, na maioria dos casos, já é muito difícil explicar ao médico as sensações para informar sobre a tontura. No caso das crianças, segundo o Dr. Saulo Nader, por terem um menor repertório, elas podem utilizar as situações do dia a dia para se expressar. Por isso, fique de olho caso seu filho diga que:

  • Sente que tudo está girando, como se estivesse no parquinho ou carrossel
  • Sensação de que as coisas estão balançando
  • Como se estivesse caindo
  • Sensação de como as paredes estivessem vindo para cima dele
  • Percepção de escorregar ou cair
  • Como se estivesse dando cambalhotas o tempo todo

Quando os pais devem procurar um neurologista?

Consultas de rotina são sempre recomendadas, mas caso a criança apresente algum tipo de alteração neurológica, como sinais de tontura, é superimportante buscar por um neurologista. Dessa maneira, o médico irá indicar o melhor tratamento e garantir a qualidade de vida e bem-estar da criança.

Tontura é sinal de alerta?

De acordo com o especialista, a tontura aparece como um sinal de alarme. “Geralmente, representa que algo não está legal no sistema do labirinto, que é composto pelos labirintos, nervos dos labirintos e das áreas do cérebro que conversam com o labirinto para controlar o equilíbrio”. Além disso, pode indicar problemas metabólicos, de pressão, hormonal, entre outros.

A tontura pode acontecer até mesmo em bebês e crianças (Foto: Shutterstock)

Toda tontura é labirintite?

Apesar da labirintite ser uma palavra bastante popular, ela está por trás de mais de 40 doenças diferentes que podem causar a tontura. Por isso, é superimportante entender qual é o verdadeiro problema para fazer o tratamento adequado. “No labirinto temos sete doenças que podem acontecer, no nervo quatro e no cérebro dezenas delas”.

A labirintite existe, de fato, mas dentre as sete doenças do labirinto, apenas uma delas se chama labirintite, que é infecciosa. “A labirintite é quando uma bactéria ou vírus chega ao labirinto, normalmente por uma complicação de meningite grave, ou de otite grave (infecção no ouvido). Quando o labirinto é infectado, ocorre a tontura. É um caso tratável com antibiótico”.

Vale lembrar ainda que apesar de ser a doença com o nome mais usado para designar tontura, é a que menos acontece. “É super rara de vermos acontecer de verdade”, comenta o Dr. Saulo Nader. Por isso, caso o sintoma seja percebido na criança, procure um especialista para o diagnóstico e tratamento adequado.