“Torturaram o meu filho”, diz mãe de torcedor do Brasil-Pel internado após abordagem da polícia

O Rai Duarte, torcedor do time Brasil-Pel, foi levado ao Hospital Cristo Redentor após apresentar cortes abdominais. A situação aconteceu após o confronto entre torcedores do Brasil-Pel e o São José

Resumo da Notícia

  • A situação aconteceu após o confronto entre os torcedores do time Brasil-Pel e São José
  • O Rai Duarte, torcedor do Brasil-Pel, foi encaminhada ao hospital em decorrência de cortes abdominais
  • A mãe do torcedor pele esclarecimentos sobre o que, de fato, aconteceu com o seu filho

Na noite do último domingo, 1º de maio, houve um confronto entre os torcedores do time Brasil de Pelotas e o São José, ambos clubes classificados pela Série C. Após o embate, os torcedores embarcaram dentro de um ônibus de excursão, com destino às suas cidades de origem. No entanto, segundo testemunhas, cerca de 12 torcedores do Brasil-Pel – dentre eles, o Rai Duarte –  foram retirados do veículo por dois policiais da Brigada Militar. Após uma hora da prisão dos torcedores, o Rai foi encaminhado ao Hospital Cristo Redentor, por conta de cortes abdominais. Até o momento, as causas dos ferimentos não foram esclarecidas.

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Em reportagem ao portal jornalístico GZH, a Marta, mãe do torcedor Rai Duarte, contou detalhadamente sobre o acontecimento. A princípio, foi questionado sobre como ela foi informada em relação ao que havia ocorrido com o seu filho. “No domingo à noite eu recebi um telefonema. Um enfermeiro me disse que o meu filho tinha dado entrada no [Hospital] Cristo Redentor com hemorragia e o intestino rompido. Me passaram que ele tinha sido deixado pela Brigada Militar e perguntaram se poderíamos vir [para Porto Alegre]. Ficamos apavorados. Meu marido não conseguiu nem dirigir. Foram vizinhos nossos que se prontificaram a nos trazer. Chegando aqui, fui ver o Rai e ele estava entubado e sedado. Ele havia passado por uma cirurgia para parar a hemorragia”, disse marta.

Na sequência, ela falou que o filho ainda permanece no mesmo estado crítico. “Ontem [03/05] fizeram outra cirurgia no intestino. Ele continua na mesma, com a barriga toda aberta. Estou pensando em divulgar as fotos, para todos verem o que fizeram com ele. Não é fácil. Meu filho está sedado, entubado e não tem previsão de melhora. Hoje [04/05] deram uma alimentação pela sonda para ver se o intestino estava funcionando. Senão, teriam de abrir ele novamente”, relatou.

Momento que a Brigada Militar tira os torcedores de dentro do veículo
Momento que a Brigada Militar tira os torcedores de dentro do veículo (Foto: Reprodução / GE)

Marta ainda completou sobre as informações que ouviu de pessoas próximas ao Rai, em relação ao acontecimento do dia 1º de maio. “Amigos me disseram que, infelizmente, ele entrou em um ônibus de outra excursão, não a mesma que ele veio para cá. Me contaram que a Brigada Militar entrou procurando por ele. O alvo era ele. Perguntaram: “Cadê o brabão? Ele já está descansado para apanhar de novo?” Ele ouviu e saiu com eles. Depois disso, ele deu entrada [no hospital] pela Brigada, do jeito que estou te falando, com hemorragia, com o intestino rompido e o corpo cheio de hematomas. Eu já fui na Polícia Civil dar parte e pedir providências. Espero que isso não caia no esquecimento. Isso foi uma tentativa de homicídio que fizeram com o meu filho. Quando eu voltar a Pelotas, vou processar o Estado. Eu quero que alguém me ajude. Que não seja só mais um”, desabafou.

Em complemento, Marta falou: “Eu não sei o porquê de tanto ódio e violência com o meu filho. Se ele fez algo, por que não prenderam ele? Meu filho já estava dentro do ônibus para ir para casa. Ele foi tirado, algemado e torturado. Torturaram o meu filho. Tinha uma pessoa com ele, que eu não sei quem é, e não era da excursão dele, que falou que o Rai foi torturado por horas. Davam nele e mandavam ele levantar. Ele não conseguia e arrastaram ele. Foi brutalmente torturado. Deram nele com sola e não sei o que mais”.

Por fim, a mãe do Rai Duarte contou que tomará as devidas providências em relação ao acontecimento com o filho: “Por que os responsáveis não tomam uma providência? Por que tanto ódio e tanta violência? Hoje é ele. Amanhã pode ser outro. Eu só peço que ele acorde para nós irmos embora daqui”.