Universidade de São Paulo cria teste de Covid-19 mais barato que detecta doença em 10 minutos

Pesquisadores da USP criaram novo teste para detectar o vírus e pode custar até cinco vezes mais baratos que a média de mercado

Resumo da Notícia

  • Karla R. Castro  e Isabela A. Mattioli são alunas do IQSC- USP
  • Junto com o coordenador Frank Crespilho, elas desenvolveram um novo teste para Covid-19
  • Teste é até cinco vezes mais barato
  • Veja mais na matéria abaixo

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um novo teste para a Covid-19, capaz de detectar a doença em 10 minutos. Ele é mais popular e custa até cinco vezes menos que a média de mercado, ou seja, ele é mais barato que os outros testes disponíveis. Conhecido como “Teste Popular de COVID-19”, ele poderá ser vendido por 30 reais, assim que obtiver o registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o preço médio dos testes similares, está em torno de 140 reais.

-Publicidade-

Ele foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC) e da startup paulistana Biolinker, com apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A tecnologia pode ser facilmente adaptada para as novas variantes, se for necessário, falou o professor das IQSC-USP, Frank Crespilho, coordenador de estudo para a  Agência FAPESP. Para baratear a produção, os pesquisadores otimizaram a quantidade de insumos utilizados e desenvolveram uma tecnologia baseada em nanopartículas, que vai facilitar a identificação de anticorpos.

Teste popular da USP – (Foto: Reprodução/ Karla Castro / USP)

Crespilho explica em entrevista para a Agência FAPESP que: “Nós conjugamos uma nanopartícula de ouro [que dá a cor avermelhada às bolinhas] a um pedaço da proteína spike do SARS-CoV-2, que é reconhecido pelos anticorpos humanos. Esse bioconjugado é aproximadamente 1 milhão de vezes menor do que um fio de cabelo”.

-Publicidade-

Como funciona

Assim como os outros já disponíveis no mercado, esse também analisa uma gota de sangue do paciente e identifica a presença de anticorpos do tipo IgG (imunoglobulina G), produzidas ainda na fase aguda da doença, em geral, após dez dias do início dos sintomas. Quando isso acontece, duas bolinhas vermelhas aparecem no leitor. “Quanto mais anticorpos há no sangue, mais forte é o tom de vermelho das bolinhas. Por esse motivo, acreditamos que o teste também poderá ser usado para monitorar a resposta da população às vacinas. Sabemos que nem todo mundo desenvolve imunidade protetora após se vacinar e também que o nível de anticorpos diminui com o tempo”, fala Frank Crespilho.

A spike, também conhecida como proteína de espícula, forma a estrutura de coroa que é responsável por nomear a família dos coronavírus. Ela é a responsável por fazer a ligação com o receptor presente na superfície da célula humana, a  proteína ACE-2 que viabiliza a infecção. Para desenvolver a molécula usada no teste, os pesquisadores da Biolinker produziram no laboratório uma ponta da proteína viral, conhecida como RBD (sigla em inglês para domínio de ligação ao receptor). Segundo Mona Oliveira, fundadora da startup e chefe científica, foi usada uma técnica conhecida como DNA recombinante, que usa uma bactéria geneticamente modificada para expressar a proteína viral in vitro. “Todos os insumos usados no dispositivo são produzidos no Brasil, o que contribui para reduzir o custo. Trabalhamos em turno dobrado para finalizar o trabalho em apenas quatro meses”, diz Crespilho.

O estudo foi feito nos Estados Unidos (Foto: Unsplash)

Aumentar a testagem

O pesquisador Crespilho fala que a ideia do projeto é aumentar a testagem no país, para que ela se torne mais acessível à população de baixa renda. Ele afirma que: “A ideia é possibilitar a análise em massa da população a um custo bem mais competitivo e viável para a nossa realidade econômica”. O teste de eficácia que aponta a porcentagem de acerto do método desenvolvido no IQSC-USP estão em fase final.

A ideia é produzir 500 unidades que serão testadas em amostras de pacientes atendidos nas Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Também estamos em negociação com grupos do Nordeste. Finalizada essa etapa de validação, que ao todo deve levar cerca de um mês, podemos pedir o registro na Anvisa”, afirma Crespilho que recebeu ajuda da FAPESP,  do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Os testes foram desenvolvidos pelas alunas  Karla R. Castro  e Isabela A. Mattioli e coordenado pelo professor Frank Crespilho.

-Publicidade-