Vacina, sim! Conheça os benefícios de manter o calendário em dia

A imunização é o melhor jeito de proteger nossos filhos. Há quem questione a quantidade, a idade e as reações, mas o consenso é: vacinação não é brincadeira

Resumo da Notícia

  • Manter a carteira de vacinação em dia é essencial
  • Para um recém-nascido a maneira mais eficaz de se proteger é vacinando
  • Fique de olho nas campanhas e não perca as datas nos postos de saúde publica

Manter a caderneta de vacinação atualizada é fundamental para garantir o bem-estar e fortalecer a imunidade de toda a família. Com ou sem uma pandemia, a imunização é um gesto de empatia, já que evita tanto a transmissão quanto contaminação de doenças infecciosas. Isso ocorre, porque as vacinas ajudam a estimular o sistema imunológico, preparando o corpo no combate a possíveis invasores.

Não é de hoje que alguns pais têm receio de vacinar os filhos. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), 20 milhões de crianças em todo o mundo não foram vacinadas em 2018 contra doenças como sarampo, difteria e tétano. Não à toa, em 2019, o movimento antivacina foi incluído na lista das dez maiores ameaças à saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo considerado um passo para trás na tentativa de extinguir doenças evitáveis por meio da vacinação.

A importância de manter a carteira de vacinação do seu filho em dia (Foto: GettyImages)

O motivo dessa recusa? Em 1988, um pesquisador britânico, Andrew Wakefield, publicou um falso estudo afirmando que o autismo estaria ligado à vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Em 2010, ficou provada a falsificação do estudo. Apesar disso, a teoria se espalhou como um viral e até hoje circula pelas mídias sociais, influenciando milhares de pessoas que buscam por informações. É importante destacar que, no Brasil, alguns profissionais que questionam o uso da vacina também reconhecem seu valor. “Não sou contra, mas não aprovo a ideia de que essa seja a solução para a saúde ideal”, diz Liliane Azambuja, mãe de Lucas, Marcos e Luiza, pediatra homeopata, que se preocupa com o aumento do número de imunizações recomendadas.

Os dois lados da moeda

Marcos Curi, pediatra estudioso da medicina antroposófica, pai de Marcos, Gabriela, Lucas e Fernanda, afirma que é preciso ter bom senso por parte da medicina alternativa, ainda que haja questionamentos, e seguir o calendário disponibilizado pelo governo. “Atualmente nós colocamos em dúvida algumas vacinas e a idade em que serão ministradas, como é o caso do HPV”, explica.

No Brasil seguimos o Programa Nacional de Imunização (PNI). A realização de campanhas de vacinação teve um bom resultado: muitas doenças já foram controladas e algumas erradicadas, como é o caso da varíola e da poliomielite. Segundo a médica pediatra membro da Sociedade Brasileira de Imunização, Isabella Ballalai, mãe de Gabriel, Lucas, Phillipe e Nicole, somos um país diferenciado quando se fala em campanhas de imunização. “Nossa cobertura é alta, quase total, 95% do público-alvo das campanhas é vacinado”, explica.

O médico sanitarista Ricardo Ferreira Cunha, pai de Renata e Marina, explica que a vacinação protege a população. “Consideramos todas as vacinas importantes no seu devido tempo. Os benefícios sempre superam os riscos”, diz. As consequências das doenças para quem não é vacinado são consideradas mais graves do que as reações, que são geralmente transitórias, apesar de nenhuma delas ser isenta de riscos, de acordo com o Manual de Normas de Imunização do Ministério da Saúde.

Portanto, é papel dos pais sempre questionar e procurar informações quanto às vacinas ministradas. As reações podem variar de acordo com as particularidades de cada criança. Os problemas mais comuns que aparecem logo depois da imunização são febre baixa, inchaço, dor ou vermelhidão. Os sintomas, quando se manifestam, devem durar em torno de 72 horas e desaparecem espontaneamente. “As reações adversas severas são raras e se forem tratadas corretamente não representam risco de comprometimento mais sério”, afirma Cunha. De qualquer forma, é preciso atenção, apesar de estarem entre os produtos médicos mais seguros e testados, também estão sujeitas a apresentar reações, como qualquer outra medicação.

Imunização segura

Qualquer vacina liberada pelo Ministério da Saúde passa por estudos específicos e pelo controle de qualidade que obedece a critérios padronizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao serem liberadas no Brasil, todas as vacinas são regulamentadas pela Agência Nacional de Segurança Sanitária (Anvisa). Após a liberação para os postos de saúde e clínicas particulares, a responsabilidade da fiscalização cairá com cada município. Ou seja, todo mundo fica de olho. “O Brasil é um dos poucos países com legislação específica e critérios rígidos de fiscalização”, diz Ballalai. Tanto nos postos de saúde públicos quanto nas clínicas particulares, a imunização é segura, apesar de haver algumas diferenças nas composições. Se no posto algumas vacinas protegem contra três tipos de doença, as das clínicas poderão proteger contra quatro ou mais. A indicação da Sociedade Brasileira de Imunização é tomar vacinas disponibilizadas pelo sistema público de saúde por causa da fiscalização mais controlada.

E o coronavírus?

Desde o surto da covid-19 pelo mundo, vários profissionais dos mais diferentes países se mobilizaram para encontrar uma vacina eficaz. Até o momento, no Brasil, duas estão sendo testadas, que vêm apresentando bons resultados, sendo a de Oxford, Reino Unido, e SinoVac, da China. A questão é que enquanto nenhuma está disponível no mercado, a melhor forma de se proteger é continuar seguindo as recomendações estabelecidas pela OMS, entre elas, a higienização correta das mãos e distanciamento social.