Vacinação contra Covid-19: respondemos às 10 perguntas mais comuns e procuradas

Com o início da imunização no Brasil, surgiram diversas dúvidas como se mesmo após contrair a doença é necessário se vacinar, ou até mesmo se é importante tomar as duas doses. Conversamos com diversos infectologistas, que explicaram tudo sobre o assunto

Resumo da Notícia

  • A aprovação da CoronaVac e da vacina de Oxford no Brasil trouxe uma série de dúvidas em relação à imunização
  • Preciso tomar duas doses? Crianças e gestantes também podem se vacinar? Quem já se vacinou continua transmitindo o vírus?
  • Levantamos as dez perguntas mais comuns sobre o assunto e consultamos cinco especialistas para esclarecê-las

Com a aprovação do uso emergencial pela Anvisa das vacinas CoronaVac e a de Oxford, surgiram as mais diversas dúvidas sobre a quantidade de doses, como os imunizantes funcionam em pessoas que passaram por transplantes de órgãos ou até mesmo se quem já se vacinou continua transmitindo o vírus.

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Para tirar todas essas dúvidas, conversamos com o médico infectologista Dr. João Prats, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, filho de João Antônio e Ana Lúcia, a Dra. Melissa Palmieri, pediatra e coordenadora médica de vacinas do Grupo Pardini, filha de Antônio Carlos e Maria, o Dr. Gerson Salvador, médico especialista em infectologia e saúde pública da Universidade de São Paulo (USP), pai de Laura, Lucas e Luís, a Dra. Melissa Valentini, infectologista e assessora médica do Grupo Pardini, mãe de Luiza e Giovanni, e o Dr. Lívio Dias, infectologista do Centro de Reprodução Humana Santa Joana, filho de José Carlos e Maria Lúcia. Confira as respostas:

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1. Quem já teve Covid-19 também precisa se vacinar?

Sim. Apesar da infecção poder desenvolver uma certa proteção, a vacinação é indispensável, pois os anticorpos podem durar por um tempo menor. “A proteção gerada pela vacina é diferente e mais duradora, então as pessoas precisam ser imunizadas”, comenta Livio.

2. Quanto tempo demora para a vacina começar a fazer efeito?

A partir dos estudos de fase dois, foi possível notar que é necessário 15 dias para se atingir o pico de anticorpos. “Nas vacinas com reforço, as de duas doses, como, por exemplo, a CoronaVac e a de Oxford, apesar da primeira dose já começar a formar anticorpos, é necessário esperar mais 15 dias após a aplicação da segunda dose”, explica João Prats.

3. O que pode acontecer se eu tomar apenas a primeira dose da vacina?

Segundo Gerson Salvador, isso pode prejudicar a produção de anticorpos. “Com uma dose só, a produção de anticorpos, o estímulo ao sistema imunológico, vai ser menor e não consegue garantir a eficácia das vacinas que estão divulgadas se a pessoa não tomar o esquema completo. Então, provavelmente a proteção será menor”.

4. Até o momento, existem duas vacinas aprovadas no Brasil. Como funciona a seleção de quem vai receber qual? Como garantir que a segunda dose vai ser do mesmo imunizante?

No Brasil, a CoronaVac é produzida a partir de um vírus inativado, já a de Oxford por um adenovírus de chimpanzé modificado, que não causa doença aos humanos. “Por enquanto, não vão intercambiar as vacinas porque não se sabe a resposta que isso provocaria. É garantido, então, que a pessoa que tomar a primeira dose poderá tomar a segunda dose do mesmo imunizante“, comenta Melissa Valentini.

Sobre a distribuição, nesta primeira fase os profissionais de saúde, indígenas e idosos que vivem em casas de longa permanência são prioridade, recebendo assim o imunizante que está disponível: a CoronaVac. “A Anvisa aprovou 6 milhões de doses da Coronavac e 2 milhões da Oxford. Essa última está na Índia, e não chegou ao Brasil. Demais lotes terão que ser novamente submetidos à Anvisa, então, para assegurar que são semelhantes aos testadas nos protocolos de pesquisa”, completa.

5. Todo mundo vai ser imunizado? Crianças e gestantes também podem se vacinar?

Em um primeiro momento, não é prioridade que todos sejam vacinados, mas sim aqueles que correm um maior risco de morte. “No caso dos jovens, eles vão ser vacinados mais para frente, de acordo com a disponibilidade das vacinas. Pode ser que a doença reduza muito e a gente rediscuta em nem vaciná-los”, explica João Prats.

No caso das crianças e gestantes, o infectologista comenta que ambas as vacinas aprovadas no Brasil são seguras, mas que ainda não foram estudadas neste grupo. Portanto, ainda será necessário mais informações e pesquisas para identificar como seria a funcionalidade da imunização: “Neste primeiro momento, as grávidas, os menores de 18 anos e lactantes não serão imunizados, por não existirem dados suficientes da segurança das vacinas aprovadas emergencialmente no Brasil nesses grupos”, completa Melissa Palmieri.

Em um vídeo publicado pelo governo do estado de São Paulo, Rosana Richtmann, Infectologista do Instituto Emílio Ribas, explicou ainda que “a vacina é extremamente segura, mas em uma fase inicial, as gestantes não foram estudadas ainda. Então, por uma questão de cautela, nós estamos contraindicando a vacina em gestantes”.

Mesmo após a vacinação, é superimportante continuar seguindo as medidas de segurança(Foto: Shutterstock)

6. Se eu tomar a vacina significa que estou imune?

Segundo Gerson Salvador, as vacinas foram estudadas para avaliar a infecção sintomática e não para prevenir. Dessa forma, o paciente terá uma menor chance de adoecer ou ter a forma grave da doença. “Só que ninguém garante que você não vai contrair o vírus. Por isso, é muito importante manter o distanciamento físico, o uso das máscaras e a higiene das mãos”.

Melissa Palmieri completa que a resposta de cada organismo pode acontecer ainda de maneira individual, dependendo de paciente para paciente. “Após finalizar o esquema vacinal preconizado para cada vacina Covid, acredita-se que a proteção esperada aconteça de 7 a 14 dias após a segunda dose, entretanto entendemos que cada um responde de forma individual. Exemplo: idosos tradicionalmente respondem com menor quantidade de anticorpos que um adulto jovem”.

7. Quem se vacinou ainda continua transmitindo o vírus?

Por enquanto, essa ainda é uma resposta que não temos. Até o momento, foram feitos estudos sobre a segurança e a eficácia, sem saber após a imunização o vírus continua sendo transmitido. “Pode ser que tenhamos respostas diferentes para vacinas diferentes”, explica Livio. Portanto, é superimportante continuar seguindo todas as medidas de prevenção até que haja o controle da pandemia.

8. Se a pessoa que vai se vacinar está contaminada, assintomática e não sabe, ela pode se imunizar mesmo assim?

Apesar de ainda se saber pouco sobre o assunto, Melissa Valentini comenta que não tem problema algum. Gerson Salvador orienta apenas que não se deve receber a vacina caso tenha algum sintoma de gripe ou resfriado, que possa ser Covid-19, no momento da imunização, ou se estiver com febre nas 24 horas que precedem a vacinação.

9. Como funciona a imunização para quem passou por transplante de órgãos?

Tanto a CoronaVac, quanto a vacina de Oxford são vacinas seguras. “Nenhuma delas é capaz de causar doenças em pessoas imunosuprimidas. Alguns podem falar que pessoas muito imunossuprimidas não deveriam tomar a vacina de Oxford, mas isso é uma discussão corrente ainda porque o risco é muito baixo de doença, pois o vírus não replica, ele é símio, consegue replicar bem nas células humanas sem a pessoa ficar doente, sendo seguro”, defende João Prats.

Gerson Salvador completa que fazer o uso dos imunizantes está liberado, mas é importante ficar de olho na tecnologia da vacina. “Teria problema apenas se as vacinas fossem produzidas com o vírus vivo, mas nenhuma delas, até agora, que passou pela fase 3, possui essa tecnologia. Então, não tem problema a pessoa transplantada tomar a CoronaVac ou a de Oxford”.

10. Segundo um estudo da revista Nature, os anticorpos podem ficar mais fortes 6 meses após a infecção por covid-19. Isso pode influenciar na vacinação?

Em unanimidade, os infectologistas disseram que é necessário a realização de mais estudos. Segundo Livio, em relação à produção de anticorpos, em casos de infecções, essa pode ser uma resposta comum do organismo — mas não significa que irá durar para o resto da vida. “No caso do coronavírus, ainda estamos aprendendo, mas parece que por 5 a 6 meses, o organismo tende a estar protegido na maioria dos casos, mas existem algumas evidências que essa proteção não é tão duradoura assim. Ela pode ter uma queda desses anticorpos e ter uma reinfecção. Mas isso é um evento natural”, conclui.

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