Variante de Manaus pode ser até 2 vezes mais transmissível: veja o que sabemos até agora sobre a P1

A partir do aumento de casos no Brasil, surgem questionamentos se a variante de Manaus pode ou não ser mais grave do que o coronavírus comum. Conversamos com alguns especialistas e respondemos os principais questionamentos sobre a mutação P1

Resumo da Notícia

  • A variante de Manaus pode ser até duas vezes mais transmissível
  • Até o momento, ainda não se sabe se a mutação P1 pode ser mais grave ou não
  • Pessoas que já tiverem covid-19 estão "parcialmente protegidas" contra a variante e podem se reinfectar pelo vírus

Com o aumento dos casos de covid-19 no Brasil, inclusive das variantes como a de Manaus (P1), é comum surgirem dúvidas quanto à transmissibilidade e um possível agravamento dos casos de coronavírus no país. Identificada pela primeira vez em janeiro de 2021, em Manaus, a variante, que também pode ser chamada de mutação, pode estar ligada ao aumento do número de casos no estado do Amazonas.

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A nova variante, de acordo com estudos, pode ser até duas vezes mais transmissível (Foto: Shutterstock)

Segundo o infectologista da Doctoralia Guenael Freire, pai de Stella e Olivia, apesar de existirem diversas outras variantes no mundo, a P1 pode se tornar a mais comum no Brasil. Já observada em diversos estados, ela tende a predominar diante do SARS-COV-2. Para tirar as principais dúvidas sobre o tema, respondemos o que se sabe até agora sobre a variante de Manaus.

O que são as variantes?

Também conhecida como cepa, as variantes da covid-19 significam que o vírus passou por modificações ao longo do ano, sofrendo modificações no seu material genético e mutações que geram variantes ou cepas do mesmo vírus. “A maioria das mutações no genoma do SARS-CoV-2 não tem impacto na função viral. Porém, certas variantes tem ganhado grande atenção por causa de sua rápida emergência dentro das populações e maior potencial para transmissão ou implicações clinicas”, explica Dra. Elisa Miranda Aires, infectologista da DaVita Serviços Médicos.

O que a variante de Manaus tem de diferente?

Por já ter acumulado uma série de mutações em genes que codificam a proteína S, aquela que acopla o vírus com as células, Guenael comenta que isso gerou a variante P1. “Assim como temos a variante britânica B1.1.7 e a sul-africana, nós temos a de Manaus. Então, as variantes são vírus que sofrem mutações porque houve um cenário de intensa replicação viral, sem controle”, explica o infectologista. “Então quanto mais intensa é a replicação viral, mais fácil de encontrarmos essas mutações, que na maioria das vezes é desfavorável ao vírus, mas uma minoria pode causar vírus diferentes e mais adaptados ao nosso organismo, sendo mais fáceis de serem transmitidos”.

A variante P1 pode ser até duas vezes mais transmissível

“Estudos demonstram que a variante P1 é mais transmissível”, confirma o médico. Segundo o especialista, isso pode acontecer por possuir uma maior carga viral, além de ser até duas vezes mais transmissível do que o SARS-COV-2. “Como tem mais vírus, essa transformação favoreceu a mutação do vírus com a células humanas do trato respiratório”, comenta.

A partir dessa carga viral, a interação é favorável para que o vírus possa se multiplicar de maneira mais rápida e assim, causar uma facilidade de transmissão. Vale lembrar ainda que até o momento, os estudos sobre o tempo de transmissibilidade foram feitos apenas com o SARS-COV-2, ou seja, ele não havia passado por mutações. Por isso, não existem dados científicos que provem que uma pessoa pode continuar transmitindo o vírus por mais tempo.

A variante de Manaus é mais grave?

Até o momento, não existem estudos que provem que a variante de Manaus é mais grave, mas Guenael alerta que a mutação pode ser um ponto a ser considerado no assunto de saúde pública, pois dissemina mais fácil. “Com isso, o número de pessoas acometidas é maior e nós vamos ter, naturalmente, mais pessoas doentes, mais óbitos e mais sobrecarga no sistema de saúde”, alerta o especialista.

Como se proteger da variante P1?

As maneiras de se proteger contra qualquer variante, além do próprio coronavírus, são os mesmos. “É importante seguir o distanciamento social, higienizar as mãos, reduzir mobilidade, evitar deslocamentos desnecessários e, se puder, ficar em casa é melhor. Além disso, sempre utilize máscaras em ambientes externos”, indica o infetologista.

A variante de Manaus pode contaminar pessoas que já tiveram covid-19?

Sim. Por ter a tendência de ser cada vez mais comum no Brasil, ela pode disseminar de maneira mais rápida. Quanto à imunidade dos pacientes que já tiveram covid-19 no passado, o infectologista explica que a proteção conta a variante P1 é apenas parcial, sem ser total. “Nós podemos ter reinfecções de pessoas que já tiveram covid-19 no passado com essa nova variante”.

As vacinas são eficazes conta a variante P1?

Um estudo preliminar, desenvolvido pelo Instituto Butantan, mostrou que a CoronaVac é eficaz contra a variante de Manaus. No entanto, a pesquisa ainda está em desenvolvimento para a obtenção de dados definitivos. A partir de exames de sangue de pessoas vacinadas, foi possível fazer os testes contra a variante P1. Em relação à vacina de Oxford, estudos preliminares realizados pela universidade inglesa e pelo laboratório AstraZeneca, mostraram que o imunizante também é eficaz contra a variante.

Reinfecção X reativação

Apesar dos poucos casos confirmados, a reinfecção por coronavírus é algo que não pode sair do radar quando o assunto é a proteção da família. Por isso, é superimportante ficar de olho nos sintomas, principalmente se já houve algum caso da doença confirmada entre amigos ou parentes.

Pessoas que já tiveram covid podem se contaminar novamente com as novas variantes (Foto: Shutterstock)

O infectologista Dr. Gerson Salvador, pai de Laura, Lucas e Luísa explica que se uma pessoa volta a ter os mesmos sintomas e isola o vírus algumas semanas depois, com o mesmo material genético, pode ser uma reativação. “Então, pelo critério atual, é preciso demonstrar que são vírus diferentes para ser um caso de reinfecção“. Com a análise e critério atual prevalecente, faz com que tenhamos poucos casos confirmados de reinfecção, mas o infectologista comenta que com o passar do tempo, esse sistema pode ficar mais simples.

Nos casos suspeitos de reinfecção, os sintomas são os mesmos de Covid-19, sendo eles: febre, tosse, desconforto respiratório, alteração no olfato, no sabor e dor no corpo. “Eles são sugestíveis de Covid-19 e uma pessoa que volte a manifestar esses sintomas, mesmo que já tenha tido a doença confirmada, é preciso ser investigada, pois pode se tratar de uma reinfecção. Para identificar, é preciso fazer o PCR para o Sars-CoV-2”, explica o especialista.

Por que a reinfecção acontece?

Geralmente, por conta da queda da capacidade de produzirmos anticorpos e também na queda da imunidade celular ao coronavírus, a exposição no paciente é mais suscetível, já que não está mais imune. “Esse é um fenômeno que conhecemos bem na Influenza, o vírus da gripe, por isso nós podemos nos reinfectar por diversas vezes durante a nossa vida”, conclui Gerson.