Variante Delta é mais transmissível do que outras mutações da covid-19: veja o que sabemos até agora

Com o surgimento das variantes, aparecem também as dúvidas sobre como elas funcionam. No caso da variante Delta, existem 97 casos no Brasil, porém um alerta sobre a transmissibilidade da cepa da covid-19

Resumo da Notícia

  • No Brasil, existem 97 casos da infecção pela variante Delta
  • A variante Delta é considerada a cepa mais transmissível da covid-19 até o momento
  • A primeira morte pela variante aconteceu no Brasil, no dia 18 de abril, em uma mulher grávida

De acordo com o Ministério da Saúde, existem, pelo menos, 97 casos da infecção pela variante Delta, a cepa mais transmissível do coronavírus. Identificada originalmente na Índia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou a cepa como preocupante.

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No Brasil, a primeira morte pela variante indiana aconteceu, infelizmente, no dia 18 de abril, em uma grávida de 42 anos. Até o momento, o Rio de Janeiro é o estado com o maior número de casos, registrando 74 deles.

Com os casos da covid-19 no Brasil, inclusive das variantes, é comum surgirem dúvidas quanto à transmissibilidade e um possível agravamento da situação da pandemia no país. De acordo com o Dr. Filipe Prohaska, infectologista do Grupo Oncoclínicas, pai de Letícia e Luisa, a variante delta é conhecida por ser mais transmissível do que as outras cepas.

A variante Delta é mais transmissível do que as outras cepas da covid-19 (Foto: Getty Images)

O que são as variantes?

Também conhecida como cepa, as variantes da covid-19 significam que o vírus passou por modificações ao longo do ano, sofrendo modificações no seu material genético e mutações que geram variantes ou cepas do mesmo vírus. “A maioria das mutações no genoma do SARS-CoV-2 não tem impacto na função viral. Porém, certas variantes tem ganhado grande atenção por causa de sua rápida emergência dentro das populações e maior potencial para transmissão ou implicações clinicas”, explica Dra. Elisa Miranda Aires, infectologista da DaVita Serviços Médicos.

Por que as novas variantes acontecem?

Também conhecida como cepa, as novas variantes da Covid-19 significam que o vírus passou por modificações ao longo do ano, sofrendo alterações no seu material genético. De acordo com Renato Kfouri, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, isso acontece porque o vírus vai se copiando e acaba “errando” durante as réplicas, formando assim um vírus um pouco diferente do original. “Continua sendo o SARS-COV-2, mas vai se diferenciando daquele que nasceu em Wuhan”, explica o especialista.

As mutações, acontecem a todo o momento, mas ganham uma certa importância quando se tornam protagonistas. “Quando você detecta que em uma região os casos são relacionados a uma variante, isso significa que ela ganhou a capacidade de se reproduzir mais rapidamente. Elas preocupam na medida que melhoram a sua capacidade de transmissão. 99% das mutações que acontecem não tem significância, mas quando ganham esse protagonismo merecem ser estudas e observadas”, alerta Renato Kfouri.

O que a variante Delta tem de diferente?

Segundo o Dr. Filipe, a variante Delta tem como diferença uma maior capacidade de transmissão do que as outras variantes. “O que sabemos é que por ser mais transmissível, ela faz com que os sistemas de internação se lotem muito mais rápido. Então, você tem uma sobrecarga do sistema de saúde e com isso, demora mais para o paciente chegar ao hospital e ter o tratamento adequado. E essa é a preocupação”, explica o médico.

A variante Delta causa uma maior taxa de mortalidade?

Até o momento, não existem estudos provando que a variante Delta tenha uma taxa de mortalidade maior. Mas, o médico alerta que com a sobrecarga dos sistemas de saúde, os pacientes infectados não conseguem ter o tratamento adequado. “Isso faz com que haja uma maior demora por causa da lotação”, lamenta.

As novas variantes são mais graves do que o vírus sem mutação?

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações comenta que “até o momento, não existem evidencias de que as mutações, principalmente essas três ultimas que temos acompanhando, causem a doença mais grave”. Mas, Viviane Favarin explica que alguns pontos de dados preliminares devem ser levados em consideração para a observação dessas variantes. São eles: maior transmissibilidade, pois algumas cepas podem ser até duas vezes maior do que o vírus original; maior carga viral em pacientes jovens, porque o vírus consegue se replicar melhor do que o original, aumentando assim o tempo de transmissão, necessidade de hospitalização e tempo de internação para essa faixa etária; maior chance de reinfecção e, portanto, um novo aumento no número de casos.

A variante Delta pode contaminar pessoas que já tiveram covid-19?

Sim. Filipe comenta que a variante Delta pode causar a recontaminação nos pacientes que já tiveram a covid-19, mas vale lembrar que o assunto ainda está em discussão. “Não temos dados que sugiram que a variante Delta leve a um quadro mais grave ou mais leve pela reinfecção”.

Por que a reinfecção acontece?

Geralmente, por conta da queda da capacidade de produzirmos anticorpos e também na queda da imunidade celular ao coronavírus, a exposição no paciente é mais suscetível, já que não está mais imune. “Esse é um fenômeno que conhecemos bem na Influenza, o vírus da gripe, por isso nós podemos nos reinfectar por diversas vezes durante a nossa vida”, comenta o infectologista Dr. Gerson Salvador, pai de Laura, Lucas e Luís.

Qual a diferença entre mutação e linhagem do coronavírus?

A mutação de um vírus pode ser caracterizada por cada alteração que ele sofre. Já quanto as linhagens, Renato explica que é como esse vírus irá ficar ao final da história. “Se ele se perpetuou com essas mutações, pode se transformar em uma linhagem, que vai se manter na comunidade ou não”.

Apesar de ainda não ser confirmado se as novas variantes são ou não mais graves, é importante diminuir a circulação de pessoas para a queda da propagação delas na sociedade (Foto: Shutterstock)

A segunda dose da vacina pode ser adiantada para conter a variante Delta

Apesar do tema ainda ser discutido, é falado sobre o adiantamento da segunda dose das vacinas contra a covid-19 na tentativa de conter o avanço da variante Delta. “Existe uma correria e uma discussão muito grande de se adiantar a segunda dose de vacina na tentativa de ter a imunização mais rápida possível contra a cepa. E aí, alguns locais vem diminuindo o tempo entre as doses das vacinas exatamente para conseguir alcançar essa imunidade mais cedo e impedir que ela se propague”, explica o infectologista do Grupo Oncoclínicas.

As vacinas são eficazes contra a variante Delta?

“Até o momento, a variante tem uma resposta boa das vacinas. Elas são sim eficazes.”, comemora Filipe. Diversos estudos ao redor do mundo também mostraram que duas doses das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca são eficazes contra a cepa. Mas, vale lembrar ainda que o esquema de imunização deve ser completo, pois apenas uma dose não é suficiente para a alta proteção.

A variante Delta pode ser predominante do Brasil?

Segundo Filipe Prohaska, naturalmente, as variantes que entram em um país tendem a se propagar mais rápido e serem mais frequentes. “É muito difícil prever isso no Brasil, porque nós não fazemos a dosagem adequada de quais são as variantes que circulam no país. Apenas fazemos as amostras de menos de 1% de novos casos. É difícil de saber há quanto tempo temos a variante delta no país. Pode ser que ela já esteja aqui há muito tempo e não sabemos se isso a torna mais presente”.

Como se proteger da variante Delta?

A proteção contra a variante Delta deve ser a mesma de todas as outras cepas. Por isso, é muito importante o uso de máscaras, higienização das mãos e dos ambientes, distanciamento acima de 1,5m. “Dessa forma, é possível impedir a transmissão não só da variante delta, como das que já existem e próximas que podem surgir”, conclui o infectologista do Grupo Oncoclínicas.