Veja quais são os tipos de avós e como melhorar a relação com essa rede de apoio tão importante

Existem avós e avôs de todo tipo: dos super envolvidos aos que aparentam estar desinteressados. Dos amorosos, aos ausentes. Se você está lutando para aproveitar ao máximo esse relacionamento tão precioso, siga os conselhos de alguns especialistas, assim como veja como outros pais lidaram com a situação

Resumo da Notícia

  • Lidar com os próprios pais e sogros como avós nem sempre é fácil ou intuitivo
  • Existem diferentes perfis: os superprotetores, os palpiteiros e até os ausentes
  • Saber lidar com eles é importante justamente para manter uma relação saudável entre as gerações, e a relação deles com seus filhos - que é de extrema importância

Era uma vez uma mãe que deixou seu filho com os próprios pais para uma viagem de férias com o marido. Na volta, quando foi buscar a criança na casa dos avós, o encontrou com um corte de cabelo um pouco peculiar. “Ele estava simplesmente desalinhado”, disse a mãe. Ela não comentou nada no momento, mas aquilo a perturbou por anos.

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Certamente existe uma maneira melhor de lidar e coexistir com com mães, pais, sogras e sogros. E existe um ótimo motivo para que você também queira isso: o apoio que os avós dão aos seus filhos, tanto emocionalmente quanto no dia a dia; a maneira como eles se conectam e trazem aos seus filhos a história da sua família; e a experiência que você proporciona ao seu filho ao promover um relacionamento saudável com os avós. A harmonia familiar conta muito – principalmente depois desse período longo de separação por conta da pandemia.

No entanto, mesmo que você ame eles, e saiba que eles te amam e amam aos seus filhos, seus pais e seus sogros podem te aborrecer em algum momento – e tudo bem. E isso está na natureza humana: as pessoas se incomodam, segundo Jill Spiegel, autora de ‘How to Talk to Anybody About Anything’, em português, ‘Como conversar com qualquer um sobre qualquer coisa’. “Todos os relacionamentos têm o potencial tanto para o amor, quanto para o conflito. E eles estão aqui para nos ajudar a crescer”.

Quando as emoções estão a todo vapor, como tende a ser entre pais, filhos e avós, essas rixas aumentam, diz Amita K. Patel, assistente social e psicoterapeuta licenciada em Nova York. “Quando crianças entram em cena é uma grande mudança de papel não apenas para os novos pais, mas para os novos avós também. Eles podem perceber que as suas visões de si mesmos como especialistas em parentalidade pode não ser universalmente aceita pelos próprios filhos”, acrescenta.

É indiscutível a importância dos avós na vida das crianças. Seja pelo apoio que eles dão aos seus filhos, tanto emocionalmente quanto no dia a dia; a maneira como eles se conectam e trazem aos seus filhos a história da sua família; até a experiência que você proporciona ao seu filho ao promover um relacionamento saudável com eles
É indiscutível a importância dos avós na vida das crianças. Seja pelo apoio que eles dão aos seus filhos, tanto emocionalmente quanto no dia a dia; a maneira como eles se conectam e trazem aos seus filhos a história da sua família; até a experiência que você proporciona ao seu filho ao promover um relacionamento saudável com eles (Foto: Getty Images)

Para te ajudar a aproveitar esse relacionamento crucial ao máximo, a revista norte-americana Parents pediu para que especialistas e pais experientes identificassem os comportamentos comuns de avós que afetam as famílias e que oferecessem estratégias carinhosas e gentis para lidar com eles.

O que passa dos limites

Sinais: essa deve ser a reclamação mais frequente de que novos pais fazem dos próprios pais ou sogros – que dão opinião quando não foi pedido, falam demais ou até parecem querer ter posição principal na vida do seu filho. Veja esse caso de uma mãe que pediu para não ser identificada: “Meu marido e eu recentemente encontramos uma creche perfeita, e minha sogra enlouqueceu porque nós não pedimos a opinião dela antes de fechar”.

Como lidar: Spiegel diz que “desentendimentos acontecem quando avós sentem, incorretamente, que eles têm o controle da situação”. E isso faz sentido: durante anos eles foram responsáveis pelo seu bem-estar, e perceber que eles não fazem mais parte das suas tomadas de decisões pode ser difícil para eles, segundo Bethany Cook, psicóloga e terapeuta orientadora de famílias em Chicago. “Mesmo depois que você é crescido, a dinâmica que você teve com seus pais durante toda a vida tende a continuar. Ou seja, se eles foram pais autoritários, eles tendem a ser avós autoritários”.

E você pode tentar conter os excessos deles de maneira confortável. “Se eles estão ligando constantemente ou se metendo nas coisas do seu filho, tente pensar: ‘eles querem se sentir amados e que eles fazem parte da nossa vida’”, Spiegel sugere. “Você pode dizer: ‘Nos faz bem saber que vocês estão pensando em nós, mas não estamos disponíveis para atender o telefone o tempo todo, então vamos definir um horário para conversar’”. Independentemente de como você resolver o problema, um limite deve ser dado. “Uma criança precisa saber quem está no comando para se sentir segura. Se ela recebe uma mensagem da mãe e outra diferente da avó, pode ser não apenas confuso, mas desestabilizador”, diz Dra. Cook.

O que dá muitos palpites, mas não ajuda 

Sinais: sabe aquela situação em que se a pessoa não tem nada a dizer, era melhor não falar nada? Essas pessoas parece não terem recebido essa instrução. Seus comentários desnecessários, indiretas, palpites, e pequenos insultos podem causar ressentimento, raiva e exaustão – ser constantemente criticado tem um preço. Em alguns casos, as feridas são literais, segundo uma mãe de Portland, em Oregon, nos Estados Unidos, cujos sogros a visitaram logo após o parto: “Minha sogra me julgou por não ter me coberto enquanto eu amamentava na minha própria casa, e depois sugeriu uma caminhada. Ela reclamou que eu estava andando muito devagar, então eu andei mais rápido e rasguei meus pontos vaginais”, lembra.

Se os avós do seu filho, sejam os seus pais ou sogros, ultrapassarem dos limites os diga como você está se sentindo
Se os avós do seu filho, sejam os seus pais ou sogros, ultrapassarem dos limites os diga como você está se sentindo (Foto: Getty Images)

Como lidar: É possível que seu parente crítico não seja tão cruel quanto é desinformado, segundo Spiegel. A maioria dos comentários vêm de um lugar de amor. “Minha sogra zombou do nome da nossa filha porque era ‘difícil de pronunciar’”, conta uma mãe de Omahana. Mas talvez a sogra apenas se preocupe que as pessoas achem o nome incomum demais a ponto das pessoas poderem zombar da criança. Isso não justifica o comentário, mas pode nos fazer entender a origem dele. “Isso geralmente acontece quando o avô tem problema com as suas escolhas, mas insegurança de dizer”, observa Dra. Cook. “Essa pode ser uma maneira de demonstrar desprezo sem ser direto”.

Patel sugere pedir ao parente que fale clara e francamente. “Quando você receber um comentário passivo-agressivo, responda com: ‘você pode deixar mais claro o que você está tentando dizer?’. Isso pode criar um espaço seguro para falar com você”, aconselha. Além disso, pergunte a si mesmo: esse comentário é mesmo um insulto, ou isso só está me aborrecendo porque foi meu pai ou minha mãe que me disse isso?’. Ou, como Patel diz, “lembre-se de que as suposições raramente são reparadas. Elas apenas reforçam aquilo que não está funcionando”.

O competitivo

Sinais: Para alguns, se comparar é uma obsessão. E quando o que está em jogo é o amor de um neto, os esforços podem aumentar ainda mais. Uma mãe do Queens, em Nova York, conta: “Como só víamos a família ao ar livre naquela época, sugerimos aos meus sogros uma refeição de Ação de Graças no quintal, um sábado antes do feriado, pois o clima estaria bom. Minha sogra assumiu que tínhamos sugerido aquela data porque veríamos meus pais no feriado ‘real’ – e não íamos – e me jogou na cara uma lista de mais de 16 anos de vezes que ela sentiu que havíamos escolhido meus pais no lugar dela. E a contagem dela estava errada”.

Como lidar: Tente mostrar a pessoa ‘enganada’ todas as vezes e maneiras de que ela está ganhando também. “Isso é sobre insegurança. Então, foque no papel principal deles na vida da criança: ‘vocês foram os únicos que colheram maçãs com ela, e ela amou!’. Ajude-os a se sentirem amados de forma única. Você também pode fazer um jantar dos avós – com todos juntos. Assim, é mais difícil competir quando percebem que estão todos no mesmo time”.

O segredo é considerar todos os sentimentos em jogo e conversar com eles, segundo Patel. “Aconselho os pais perguntarem a si mesmos: ‘Estou lutando para consertar isso ou para vencer?’. Se você está tentando provar que a contagem deles está errada ou que eles não podem ditar quem você vê, dê um passo atrás e espere suas emoções baixarem um pouco. Depois, deixe-os que expressem seus sentimentos, e diga-os que são membros valiosos da família. Isso é o que eles querem e precisam ouvir”. E Dra. Cooks concorda: “Muitas vezes, o que eles querem não é que as coisas sejam ‘iguais’, mas sentir que têm mais de algo que eles sentem que estão perdendo. Então, pergunte a eles: ‘São mais festas do pijama que vocês querem? Ou mais chamadas de vídeo?’. Tente entender o que realmente está incomodando eles”.

O que dá “conselhos” não muito bons

Sinais: Os pais adoram, até mesmo vivem, para dar conselhos aos seus filhos. Um lembrete para usar o fio dental é normal, mas existem dicas que beiram o bizarro – “meninos não podem usar roxo”; “dê cereal de arroz para ela, senão ela não vai dormir à noite”; e por aí vai… E se eles forem dados com muita frequência, levá-los a sério pode ser difícil.

Como lidar: “Você pode dizer: ‘vou me lembrar disso”’, Spiegel diz. “Validá-los pode ajudar”. Se a sugestão tiver uma insinuação de incompetência sua, você pode dizer: ‘Significaria muito se você pudesse nos mostrar que acredita na nossa capacidade”. A esperança é que eles ouçam isso e entendam que estão dando esse conselho sem perceber como soa, diz Spiegel. E se eles não respeitarem seu jeito de educar seu filho? Então, diz Patel, “é hora de estabelecer um limite. Expresse seus sentimentos sem acusar: ‘Quando você questiona como eu faço isso, me sinto frustrado’ é mais eficaz do que ‘Nossa, você é tão sem noção’”.

Será que você não está confundindo a vida independente deles com indiferença em relação ao seu filho? Lembre-se de que seus pais já criaram os filhos deles e talvez não queiram repetir a dose
Será que você não está confundindo a vida independente deles com indiferença em relação ao seu filho? Lembre-se de que seus pais já criaram os filhos deles e talvez não queiram repetir a dose (Foto: Getty Images)

Dra. Cook ainda diz que, para alguns avós, ao discordar deles sobre como ser pai ou mãe, pode parecer uma afronta pessoal, “como se você estivesse criticando de maneira implícita o que eles fizeram como pais. Falar sobre isso pode ajudar. Você pode dizer: ‘Estou pegando o que você me aconselhou e usando como parte da minha construção como pai/mãe. Não é sobre você, estou apenas tentando fazer um bom trabalho como pai/mãe’”.

Enquanto isso, uma mãe de Los Angeles encontrou sua própria solução. “Sempre que meu filho chora na chamada de vídeo minha mãe coloca em prática a tática dela de silenciar as crianças, que é imitá-los. Ela finge que está chorando, assim como meu filho: ela grita no telefone e fala que vai subir na mesa. Isso me deixa furiosa. Então, agora eu simplesmente muto ela na chamada e faço do meu próprio jeito do lado de cá enquanto ela finge ter sua própria birra”, ela conta.

O que precisa de ajuda! 

Sinais: Sejam eles distraídos, um pouco rudes ou apenas estejam enferrujados no assunto ‘cuidar de crianças’, alguns avós apenas não são bons em cuidar de crianças. Outra mãe de Los Angeles diz: “Quando nosso filho nasceu, minha mãe nos visitou e quase queimou a casa colocando toalhas úmidas no forno para secá-las. Quando ele tinha um ano, todos nós viajamos. Enquanto eu e meu marido arrumávamos as coisas, ela ficou cuidando do bebê. Ela se afastou um minuto, e ele engatinhou até a beira da escada e quase caiu”.

Como lidar: Dra. Cook não mede as palavras: “Você não é obrigada a manter seu filho perto de pessoas perigosas, não importa qual seja o título deles”. Se você está lidando com um avô que, digamos, faça brincadeiras agitadas demais para o seu gosto, Spiegel também aconselha se distanciar um pouco, mesmo que temporariamente. “Você pode dizer: ‘Duda ama quando você nos visita, mas estou preocupada em relação a brincadeira de luta, eu adoraria se você pudesse deixar isso pra lá’. Se eles resistirem, você pode dizer: ‘Entendo que isso funciona para você, mas não funciona para mim. Então, vamos tirar um mês de folga, para podermos pensar sobre isso e vermos se conseguimos chegar num acordo’”, ela sugere.

O que é um pouco distante

Sinais: Os últimos exemplos têm algo em comum: envolvimento (até demais em alguns casos). Mas alguns avós não priorizam os netos nas suas vidas da maneira como você esperava ou imaginou. Uma mãe do Brooklin, em Nova York, disse: “Meu pai ainda não conheceu minha filha de 1 ano, embora ele more apenas 1 hora de distância – ele está envolvido em sua própria vida e não parece interessado nela [a neta], e isso me deixa triste”. Esse é um exemplo extremo, o mais comum são avós concentrados em uma vida de viagens, socialização e momentos de descanso, que amam seus netos, mas que não vivem para adorá-los.

Como lidar: Avalie suas expectativas. Será que você não está confundindo a vida independente deles com indiferença em relação ao seu filho? Lembre-se de que seus pais já criaram os filhos deles e talvez não queiram repetir a dose. Pode ser uma situação difícil de engolir quando você vê outros avós sentados na primeira fila de apresentação dos netos, mas você precisa mudar sua perspectiva. “Estamos acostumados a pensar em avós como figuras fofas, que fazem biscoitos macios e fofinhos. Mas eles são apenas pessoas. Nos metemos em confusão quando projetamos neles coisas impossíveis”, diz Dra. Cook.

Pode ser extremamente difícil fazer um avô se sentir incluído, valorizado e amado. Então, faça a sua parte e também tenha uma conversa com eles para entender como eles se sentem mais parte da vida do seu filho
Pode ser extremamente difícil fazer um avô se sentir incluído, valorizado e amado. Então, faça a sua parte e também tenha uma conversa com eles para entender como eles se sentem mais parte da vida do seu filho (Foto: Getty Images)

Qual a melhor maneira de descobrir como seus pais ou sogros se sentem sobre essa coisa toda de avós? Converse com eles sobre como eles se veem no desenrolar desse relacionamento, aconselha Patel. “Pergunte-os o que ajudaria a se sentirem satisfeitos com a conexão, mas de modo que também permita que eles vivam a própria vida”. Você pode não receber a resposta que espera (ou quer), mas pelo menos será a verdade. “Para alguns, estar completamente envolvido com os netos simplesmente não faz parte do estilo deles”, Spiegel diz. “Você deve explicar ao seu filho que esse comportamento não é um reflexo dos sentimentos desse avô, como dizendo: ‘eu sei que ele te ama, e nós vamos fazer uma ligação de vez em quando’”. E lembre-se, Dra. Cook aconselha, existem muitos substitutos por aí. “Se você estiver disposta e aberta a isso, posso te garantir que existe alguém incrível perto de você que gostaria de estar mais próximo dos próprios netos e adoraria poder amar os seus filhos”.

5 maneiras espertas de manter a paz entre pais e avós

  • Mandar fotos: Isso te custa basicamente zero tempo e energia, e é uma maneira de baixo impacto para ajudar os avós se sentirem envolvidos e atualizados. Você também pode comprar um porta-retratos digital que permite colocar novas fotos remotamente.
  • Não tente ler a mente deles: “Muitas vezes não é a crítica direta que abala nosso relacionamento com os nossos pais, mas a preocupação silenciosa que achamos que vimos no rosto deles, aqueles olhares de quem temos certeza que estão dizendo silenciosamente: ‘você está fazendo isso errado’”, diz a psicoterapeuta Amita K. Patel. A regra mais sábia é: não crie suposições.
  • Deixe seus pais e seus filhos socializarem sozinhos: Se seus problemas com seus pais ou seus sogros dificultam o envolvimento entre vocês, tente algo contra intuitivo: recue. “Quando eles vêm passar um tempo com seus filhos, não tem nenhuma regra que diz que você precisa estar junto também”, diz a autora Jill Spiegel.
  • Tente manter as coisas (em sua maioria) equilibradas: Talvez você ame seu sogro, mas descubra que acha seu pai irritante – e como resultado, não vai querer alternar os feriados. Mas garantir que os dois avós se sintam incluídos pode afastar qualquer tipo de ressentimento, diz Spiegel. Isso pode exigir um pouco de sacrifício, mas vale a pena.
  • Mantenha-os presentes na vida dos seus filhos: Se os avós dos seus filhos moram longe, deixe a tecnologia ajudar a diminuir a distância. Você provavelmente já faz chamadas de vídeo, mas tente incrementar a interação lendo um livro juntos, cantando uma música ou até assistindo ao mesmo programa de TV ao mesmo tempo, como se estivessem na mesma sala, lado a lado no sofá.