Família

Vítima de estupro: médica obriga menina de 11 anos a dar à luz por cesárea na Argentina

A obstetra Cecilia Ousset desrespeitou a ordem judicial de realizar um aborto

Emily Santos

Emily Santos ,filha de Maria Teresa e Francisco

Protesto contra a decisão médica  – “Cesárea não é Interrupção Legal da Gravidez” no cartaz (Foto: Reprodução/Facebook)

Uma menina de 11 anos deu á luz na província de Tucumán, na Argentina, após a equipe médica se recusar a fazer um aborto determinado pela justiça. O caso indignou o país, já que a gravidez aconteceu após a menina ter sido abusada pelo namorado da avó e a justiça ter determinado que a gravidez não fosse levada adiante.

De acordo com as leis locais, o aborto pode ser realizado em dois casos: se a gestação comprometer a vida da mãe e em caso de estupro, não importando as semanas.

A menina se enquadrava nos dois casos, já que foi diagnosticada com pré-eclampsia e poderia morrer caso levasse a gestação à frente.

Além disso, a família e a menina também queriam interromper a gravidez. “Eu quero que você tire o que o velho colocou em mim”, disse a menina, de acordo com o registro do caso após o relatório de abuso.

No entanto, a ginecologista obstetra Cecilia Ousset se negou a seguir a ordem judicial e realizou uma mini-cesárea na criança, dando à luz um menino de 19 semanas, pesando 600 gramas.

A mãe da menina e diversas organizações nacionais classificaram a decisão dos médicos como “tortura”, uma vez que sua vontade não foi levada em conta.

Diversos protestos aconteceram na Argentina, questionando a cesárea, uma vez que o aborto deveria ter sido o procedimento adotado.

Apesar da decisão judicial ter sido desrespeitada, o governo da província justificou a ação dos médicos e pediu que “os procedimentos necessários para salvar as duas vidas”.

O bebê está internado, mas suas chances de sobrevivência são muito baixas. A menina passa bem.

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