Vitória! Saúde de gêmeas siamesas evolue seis meses após cirurgia de separação

A operação precisou ser remarcada algumas vezes devido à pandemia e elas já tinham 1 ano quando ela finalmente aconteceu. A família comemora o sucesso

Resumo da Notícia

  • Gêmeas siamesas unidas pelo peito e barriga sobrevivem a cirurgia de separação
  • A cirurgia precisou ser adiada algumas vezes devido à pandemia
  • Hoje, a família comemora o sucesso da separação

Alyson e o marido, Phil ficaram super felizes quando descobriram que teriam mais uma filha. O casal, que já eram pais de Kennedy, de 2 anos, descobriram a segunda gestação em fevereiro de 2019. Os dois já estavam cheios de planos e planejavam um chá-revelação após o exame de ultrassom da 20° semana. Já estava tudo combinado: eles entregariam um papel para o médico escrever o sexo e daria esse papel para a irmã, que iria organizar a festa.

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Gêmeas siamesas unidas pelo peito e barriga sobrevivem a cirurgia de separação (Foto: Getty Images)

No entanto, os planos precisaram mudar. Enquanto fazia o exame, o profissional responsável pelo ultrassom perguntou à mãe quem era o médico dela. Logo depois da resposta de Alyson, ele simplesmente deixou a sala. Tempos depois, ele voltou. “Ele chegou e nos contou sem rodeios: ‘Você está grávida de gêmeos siameses. Eu nunca vi isso antes. Você vai ter que decidir o que fazer’. Eu entrei em choque. Eu simplesmente desabei e comecei a chorar”, relembrou ela, em entrevista ao jornal britânico Mirror.

O casal, então, foi encaminhado a um especialista em outro hospital. Os dois ficaram com muito medo do que poderia acontecer, devido a forma na qual eles receberam a notícia. “Tudo o que sentimos foi devastação”, contou Alyson. “Quais eram as chances de nossos bebês viverem? O que isso significaria para a qualidade de vida deles? Fomos esmagados”, relembrou

No dia seguinte, eles se encontraram com a equipe do Hospital Infantil Michigan Medicine C.S. Mott. “A notícia ainda foi tão difícil de processar. Eu estava grávida de duas meninas e elas compartilhavam um fígado e eram conectadas do esterno ao umbigo”, disse Alyson. “Mas a compaixão que eles nos mostraram foi incrível. Se alguém fosse nos ajudar com isso, sabíamos que seria eles”, completou.

A mãe, então, entrou em uma gestação completamente diferente da primeira. Ela precisou frequentar muito mais o hospital, com consultas quinzenais com equipes de especialistas de diferentes áreas e cirurgiões. Cada reunião também incluía uma equipe de cuidados paliativos. Porque, como o cirurgião pediátrico e fetal George B Mychaliska explicou: “O caso dela era muito raro, apenas um em cada 100.000 a 200.000 bebês são unidos desta forma. A maioria é natimorto e, dos poucos que sobrevivem, muitos morrem logo após o nascimento”.

Com 25 semanas de gestação, o casal descobriu que as duas não dividiam o mesmo coração, o que significava que elas ainda tinham chance de uma cirurgia de separação bem sucedida. “Essa sempre foi nossa esperança”, contou Alyson. “Queríamos dar às nossas meninas a chance de viverem vidas separadas, se fosse possível. Mas ninguém poderia dizer com certeza o que era possível”, completou.

O casal também enfrentou uma outra dificuldade: explicar para a filha mais novo tudo que estava acontecendo. “Usamos uma linguagem que ela entenderia. Explicamos que dentro da minha barriga as duas irmãs menores dele estavam grudadas. O hospital costurou as duas bonecas para mostrar a ela como eram. Kennedy adorou isso. Como todas as crianças pequenas, ela aceitou imediatamente e com alegria o que estava acontecendo”, explicou;

O plano era chegar a 37 semanas, mas com 33 semanas os médicos viram o fluxo sanguíneo diminuir no cordão umbilical que as meninas compartilhavam. Era hora de eles nascerem. Uma enorme equipe estava na sala de parto e, por meio de uma incisão com o dobro do tamanho normal, Sarabeth e Amelia nasceram em 11 de junho de 2019.

Como os exames mostraram, as meninas estavam presas em um abraço cara a cara, unidas entre o peito e a barriga. Nos 85 dias seguintes, a família compartilhou os cuidados com as meninas com uma equipe médica. As varreduras confirmaram que a separação seria possível e a operação foi agendada para fevereiro de 2020, cinco meses depois. Era hora de voltar para casa como uma família de cinco pessoas.

Durante os meses que anteciparam a cirurgia, o casal aprendeu a cuidar das garotas. Enquanto isso, elas passaram por uma série de procedimentos para prepará-las para a operação.  “Foi difícil”, admite Alyson, “mas sabíamos que a linha de chegada estava à vista. Então, duas coisas terríveis aconteceram. Na semana anterior à cirurgia, as meninas pegaram pneumonia, o que foi terrível. Então a pandemia de coronavírus. “De repente, não tínhamos ideia de quando a operação deles aconteceria”, relembrou a mãe.

A cirurgia foi adiando e a família aprendendo mais e mais a cuidar das garotas. “Para o primeiro aniversário delas, colocamos tutus nelas e fizemos uma festa drive-thru, para que família e amigos pudessem dizer olá. Foi maravilhoso que as meninas passassem o primeiro aniversário como uma só e o segundo aniversário como duas garotas separadas”, contou ela.

Foi então que, no dia 5 de agosto de 2020, as duas foram preparadas para a cirurgia. Esperar as duas saírem da sala de operação não foi nada fácil. “Decidimos ficar confortáveis ​​no carro aguardando”, diz Alyson. “Tínhamos um pager para que a equipe nos enviasse atualizações regulares. Foi incrível ler ‘primeira incisão’ e ‘as meninas estão oficialmente separadas’. Estávamos sentados torcendo no estacionamento!”, lembrou.

“O único momento assustador foi quando nosso telefone tocou. Mas era apenas um da equipe nos dizendo o quão perto estavam de terminar a reconstrução e que o cirurgião estava fazendo os  umbigos das duas. Parece loucura, mas esse foi um dos melhores momentos para mim”, disse.

Todo o nervosismo e ansiedade valeu a pena quando o casal entrou na sala de recuperação e viu as meninas. “Vê-las em duas camas, o mais longe que já estiveram uma do outra, foi incrível. Olhar para suas barriguinhas me fez chorar”. Duas semanas se passaram antes que os pais pudessem abraçar a garota.

Com o tempo as duas se recuperaram e hoje, se não fosse pela cicatriz que desce nos peitos das duas, ninguém saberia que um dia elas estavam grudadas. “Espero que elas tenham lindas histórias pela frente. Mas nunca vou esquecer da jornada que nos trouxe até aqui”, finaliza a mãe.