Você pode e deve pedir ajuda! Entenda como reconhecer que você precisa e como aceitá-la

Para responder a essas perguntas, é importante trocar ideias, ouvir pessoas e especialistas

(Foto: Getty Images)

A família nasce, chega o primeiro filho e muda tudo na vida. A gente acredita que família é tudo e que ninguém educa um filho sozinho: É preciso estar ao lado destas mulheres e homens que se tornam pais e mães e se veem à frente da maravilhosa, mas desafiadora, tarefa de criar os filhos. Nós acreditamos na importância da rede de apoio – e nos
enxergamos como parte dela. Nosso trabalho é mostrar caminhos para tornar essa relação ainda melhor. Juntos é possível formar famílias mais felizes. Mas, juntos como? Para responder essa pergunta, é preciso principalmente entender que pedir ajuda não é sinônimo de fracasso – é fundamental. Entendemos que aceitar ajuda é essencial para exercitar o conceito de família.

Rede de apoio em construção
Logo após a descoberta da gravidez, a mulher se enxerga em um mundo completamente novo, cheio de descobertas, dúvidas e medos. E neste momento, é importante buscar ajuda em todos os meios possíveis. A rede de apoio chegou também aos celulares, como um canal para tirar dúvidas, compartilhar angústias e experiências. Mas na prática, como esses grupos, sejam eles no WhatsApp ou no Facebook, podem ajudar as mulheres a exercerem a maternidade nos dias de hoje? Afinal, eles deixam as mães tranquilas ou ainda mais angustiadas? “Em alguns casos, os grupos funcionam como apoio, onde você se encontra ou se percebe na história de outra mãe. Mas esses ambientes também podem ser muito nocivos. Principalmente no começo, a maternidade é um estado de vulnerabilidade muito grande”, explica Luanda Fonseca, mãe de João, Irene, Teresa e Joaquim, e educadora parental.

E o que forma, enfim, uma rede de apoio? Para a Pais&Filhos, ela pode ser construída a partir de pessoas, lugares e até sentimentos que te ajudem de alguma forma durante a jornada da maternidade ou paternidade. Esse apoio pode (e deve!) se estender a todos que cercam e fazem parte da vida dos pais com um bebê ou criança. E isso inclui os tios, avós, primos, professores e até o pediatra. Afinal, ele será a pessoa a quem você vai recorrer quando o bebê tiver uma crise de choro sem nenhum motivo aparente no meio da madrugada.

“No consultório, gosto de entender cada família. Não existe um manual pronto. Essa rede de suporte é uma coisa tão
artesanal, tão pessoal, que eu gosto, como pediatra, de estar perto das famílias. Também é importante sempre colocar os pontos bons e negativos de cada opção e seguir em um consenso. Os pais também precisam estar muito alinhados para ver qual será a melhor opção em tudo”, explica Dr. Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia, pediatra e nosso colunista. Mais do que o médico do filho, o pediatra é o doutor da família, que vai acolher as dúvidas dos pais e ser parceiro na educação da criança. Por isso, é fundamental gostar e confiar muito no profissional e saber se compartilha das mesmas opiniões que você.

Diferenças do bem

Por outro lado, conviver com a diversidade de pensamento é essencial para o desenvolvimento de uma criança. É dessa forma que seu filho vai aprender sobre tolerância quando for surpreendido por conflitos, por exemplo. Você não teve exatamente todas as vivências que seu filho vai passar um dia. Por isso, é importante que ele tenha outras pessoas em quem possa confiar para conseguir formar um alicerce muito mais amplo do que aquilo que você faria sozinho. É vivenciando novas experiências, com diversidade, que as crianças percebem diferentes maneiras de lidar com as situações. “A criança ter convivência com outros modelos de família além da sua é fundamental. Isso é preparo para a vida, afinal, o mundo não tem só um tipo de grupo, uma família. Além disso, a família que impede ou evita o convívio com as outras pode ser um sinal de adultos superprotetores ou hipercontroladores, duas características que impedem o desenvolvimento infantil em sua naturalidade, especialmente o da autonomia”, explica Bianca Solléro, psicóloga, educadora criativa e colunista da Pais&Filhos, mãe de Elisa e Filipe.

Aprendendo a aceitar ajuda

Mas em meio a outros pensamentos e experiências de vida, pode ficar ainda mais difícil aceitar essa ajuda de quem não cuidaria do seu filho da mesma forma que você. Os pais, com a síndrome de quererem ser perfeitos, costumam ter dificuldade em reconhecer que precisam de ajuda. Por isso, é essencial desenvolver um processo de autoconhecimento e reconhecimento das próprias necessidades. Fica sempre a pergunta: antes de ajudar o outro, no caso, o filho como você pode se ajudar? Dentro da sua agenda, como mãe ou pai, não pode faltar um tempo para você. Separe sempre um momento em que esteja apenas consigo mesmo, sozinho e sem celular – por que nos conectamos com tantas pessoas, mas não separamos um momento para nos conectarmos conosco? Lembre-se de que você só é uma mãe ou um pai inteiro quando está bem consigo mesmo.

Não deixe a relação de lado

A gente sabe que logo após a chegada de um filho, a vida do casal vira de cabeça para baixo. Isso é normal, afinal, cuidar de um bebê requer muito trabalho e atenção. No meio desse turbilhão de novidades, a vida sexual pode ficar comprometida. Ter filhos cansa, mas isso não pode ser desculpa para acabar com a vida a dois. O ponto principal é que é preciso ter paciência, entender o outro e saber como ajudar o parceiro. “É um grande desafio para o casal, mas é claro que cada caso é um caso. Os próprios hormônios da mulher vão para a amamentação, o genital resseca, e a libido dela fica toda dedicada à criação daquela criança. Esse é um período em que o homem vai precisar estar bem com ele próprio, pois o homem, independente daquela mulher, daquela tensão, sente ciúme, se sente abandonado. Eu entendo que esse deveria ser um momento da família, é a oportunidade que esse cara teria de se conectar com essa criança, com a família que ele construiu. A experiência do casal sendo saudável, fluindo no tempo dela, vai ser bacana”, explica Cláudio Serva, pai de Maria Luiza, especialista de sexualidade humana e fundador do Prazerele.

Preciso de ajuda!

Por fim, ter uma rede de apoio faz toda a diferença, escolher pessoas (e ser escolhido por elas também) para criar os filhos juntos é bom demais. Criar sua própria tribo é essencial para a criança e para os pais. E nesta longa jornada de construir uma família, você vai aprendendo, aos poucos, a sua forma de pedir ajuda e socorro a essa rede. Porque, como costumamos dizer por aqui, ninguém cria um filho sozinho.

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