A vitamina D influencia na fertilidade?

Durante anos, estudos mostraram que o hormônio trazia vários benefícios para quem pretende engravidar, mas nem tudo é verdade. O ginecologista Bruno Ramalho explicou os motivos

Resumo da Notícia

  • A vitamina D é um hormônio e a forma mais efetiva de conseguir, é tomando sol
  • Estudos não provam a relação entre o aumento de vitamina D e a maior taxa de sucesso para engravidar
  • As hipóteses precisam de maiores testes para provar se, de fato, são benéficas para quem está em tratamento de fertilização in vitro
O especialista da SBRA explicou os motivos (Foto: reprodução / Getty Images)

Com o fim do verão e das férias, todos voltamos para escritórios e escolas e fica cada vez menos comum a exposição ao sol e, assim, a vitamina D. Vários estudos já provaram que é um hormônio que contribui para a boa saúde dos sistemas imunológico, ósseo, cardiovascular e muscular, contudo novas pesquisas voltaram a se questionar quão eficiente é esse método para favorecer a fertilidade de homens e mulheres.

Na hora de engravidar, toda ajuda é bem-vinda e é por isso que vários casais se submetem a tratamentos não tão eficazes, mas que vão passando de boca em boca. Seria a dose de vitamina D um desses casos? De acordo com o ginecologista Bruno Ramalho, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), sim. O especialista alerta que os efeitos metabólicos da vitamina precisam ser melhor investigados para apresentarem evidências mais conclusivas. 

 

Os estudos comprovam

“Pode ser que, futuramente, tenhamos evidências científicas fortes que norteiem seu uso no diagnóstico e no tratamento de doenças como, por exemplo, endometriose, síndrome dos ovários policísticos e infertilidade”, explica. Esse posicionamento do médico também foi reforçado em outros estudos chineses divulgados em 2019. Ambos perceberam não haver interferência da vitamina D sobre os diversos resultados da fertilização in vitro avaliados: desenvolvimento embrionário, implantação, gravidez clínica, aborto espontâneo e taxas de nascidos vivos. 

Bruno Ramalho também comentou a metanálise de 11 estudos publicada em 2018 na revista Human Reproduction que afirmou haver benefícios na suplementação da vitamina D nas tentativas de reprodução assistida e constatou: “a análise dos dados é passível de críticas e parece que, se há benefício de fato, ele é pouco expressivo no que diz respeito às taxas de nascidos vivos”. Para ele, a literatura carece de pesquisas bem estruturadas para confirmar essa premissa.  

A vitamina traz benefícios à saúde, mas em relação a fertilidade ainda não pode ser comprovada (Foto: Getty Images)

 

E durante a gravidez?

Assim como restam dúvidas se a vitamina D ajuda casais a engravidar, também se questiona se é benéfica durante a gravidez, tanto para a mãe quanto para o bebê. “É possível que a suplementação de vitamina D às mulheres grávidas reduza o risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, baixo peso ao nascimento, prematuridade e hemorragia pós-parto grave, mas, como mencionado para a infertilidade, também ainda estamos mais no plano das hipóteses que das conclusões”, opina o ginecologista.

As pesquisas mostram que os baixos níveis de vitamina D têm sido associados à origem da síndrome dos ovários policísticos: “Registros mostram que a deficiência de vitamina D pode acometer até 85% das mulheres com o problema e pode ser um fator preditor independente do sucesso reprodutivo naquelas mulheres quando submetidas à estimulação ovariana”; e pré-eclâmpsia, impedindo o crescimento do bebê e levando a um nascimento prematuro.   

O mais indicado é sempre procurar um especialista para te orientar (Foto: Getty Images)

De acordo com o especialistas, todos os resultados apresentados acima são mais sugestões do que certezas, portanto reforça a necessidade do bom senso na avaliação de pessoas com distúrbios reprodutivos ou gestantes. “Isso vale para vitamina D e para qualquer outra molécula estudada. Sabemos, de fato, que não há fórmulas mágicas e que a individualização deve ser a tônica na abordagem. Tanto para a infertilidade como para qualquer outra área de estudo da saúde humana”, conclui.

 

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