Aborto espontâneo: o que é, por que acontece e quando você deve se preocupar

Um aborto espontâneo não é (e nem deve ser) o fim do sonho de engravidar. Entenda quais são as causas, os sintomas e como você pode driblar essa situação

Resumo da Notícia

  • Cerca de 15% das gestações são interrompidas antes da 22ª semana
  • Nem sempre há um motivo claro para um aborto espontâneo
  • A boa notícia é que, com acompanhamento médico, quase 80% das mulheres conseguem engravidar de novo depois de perder um bebê

Existe uma tradição de que você só pode contar que está esperando um bebê depois do terceiro mês de gravidez. Nem todo mundo segue à risca, mas o costume se faz totalmente compreensível: é nas 12 primeiras semanas de gestação que existem mais riscos de a mulher sofrer um aborto espontâneo. Guardar esse segredo é um jeito de se poupar de maiores frustrações.

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A chegada de um filho gera várias expectativas e ver os planos irem embora antes da hora pode ser muito difícil e traumatizante. Ninguém deseja e nem espera por isso, mas pode acontecer. Infelizmente, essa é uma situação mais comum do que parece. A estimativa é de que pelo menos 15% das gestações não “vinguem”.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, o aborto espontâneo não está relacionado a problemas de fertilidade. Muito pelo contrário. Há uma luz no fim do túnel: pesquisas apontam que 80% das mulheres que têm a gestação interrompida conseguem engravidar de novo e realizar o sonho de ser mãe.

A seguir, esclarecemos as principais dúvidas sobre o assunto e contamos como você pode ajudar alguém que esteja passando por esse momento tão delicado.

O que é aborto espontâneo?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), podemos considerar como aborto toda gestação que é interrompida antes da 22ª semana ou antes de o feto atingir 500g. Dizemos que o aborto é espontâneo quando ele acontece de forma involuntária. Ou seja, a gravidez é interrompida naturalmente, pelo próprio organismo da mulher. A maioria dos abortos espontâneos acontece nos primeiros três meses de gravidez.

Por que acontece? Quais são as causas?

Nem sempre dá para descobrir o que causa um aborto espontâneo, principalmente quando ele acontece bem no comecinho da gestação. Pode ser que, mesmo fazendo todas as investigações, o casal nunca descubra o que realmente levou à interrupção precoce da sua gravidez. Isso acontece porque quase sempre ela é causada por fatores que estão fora do controle dos pais.

Estima-se que pelo menos 50% dos casos de aborto espontâneo estejam relacionados a algum tipo de problema genético. Quando algo na formação do bebê não vai bem, o próprio organismo impede que a gestação siga adiante.

Outros casos normalmente têm a ver com alguma questão de saúde dos pais. Tabagismo, obesidade, diabetes, doenças autoimunes, problemas hormonais, alterações no funcionamento do útero ou da tireoide podem ser alguns fatores de risco. A idade avançada (tanto do homem quanto da mulher) também pode ser um empecilho.

Planejar a gravidez e seguir à risca o pré-natal são atitudes que podem diminuir os riscos de um aborto espontâneo
Planejar a gravidez e seguir à risca o pré-natal são atitudes que podem diminuir os riscos de um aborto espontâneo (Foto: Shutterstock)

Quais são os sintomas de um aborto espontâneo?

Os sinais mais comuns são sangramentos vaginais e dores no abdômen. Se estiver grávida e apresentar alguns desses sintomas, a recomendação é procurar um médico imediatamente para fazer uma avaliação.

Dá para evitar um aborto espontâneo?

O melhor jeito de tentar evitar um aborto espontâneo é planejar a gravidez. Quando a mulher se prepara para ser mãe, ela consegue se organizar para manter a saúde e os exames em dia. Com isso, é mais provável que o organismo vai estar preparado e em equilíbrio para receber o bebê. Além de cuidar de si, é recomendado fazer atividade física regular (sempre respeitando a recomendação do seu obstetra) e deixar de lado hábitos nocivos à saúde, como o álcool e o cigarro.

Se não tiver tempo de planejar a gestação, converse com o seu ginecologista e siga à risca as recomendações do pré-natal. Com acompanhamento, dá para detectar possíveis problemas de saúde e pensar na melhor maneira de deixar você o bebê protegidos. “Fazer corretamente o pré-natal, tomar ácido fólico e antioxidantes e realizar os exames pré-conceptivos são algumas medidas”, diz Márcio Coslovsky, ginecologista e especialista em reprodução humana, diretor médico da Primordia Medicina Reprodutiva e pai de Beatriz.

Mas nunca é demais lembrar: levar uma rotina saudável e estar com os exames em ordem diminui os riscos, mas, ainda assim, não é garantia de que você não vai passar por um aborto espontâneo.

É normal ter vários abortos espontâneos seguidos?

O aborto espontâneo pode acontecer com qualquer mulher. Há estudos que mostram que cerca de 15% das gestações não “vingam”, mesmo quando o casal é completamente saudável. Se acontecer com você, calma: não há motivo para desespero. Essa é uma situação mais comum do que parece e, em boa parte dos casos, não está relacionada a problemas de fertilidade.

Vale acender o sinal de alerta só se você tiver 3 ou mais abortos seguidos – o que os médicos chamam de aborto de repetição ou de aborto espontâneo recorrente. Aí sim é hora uma investigação mais detalhada para entender o que pode estar acontecendo e descobrir qual é o melhor jeito de contornar a situação.

A grande maioria dos casais consegue realizar o sonho de ter um bebê, mesmo depois de sofrer um aborto espontâneo
A grande maioria dos casais consegue realizar o sonho de ter um bebê, mesmo depois de sofrer um aborto espontâneo

Quem já sofreu um aborto espontâneo pode engravidar de novo?

Na maioria dos casos, o aborto espontâneo não impede uma gravidez no futuro. Alguns estudos mostram que até 80% das mulheres que já sofreram um aborto conseguem engravidar de novo e ter um bebê.

Quanto tempo esperar para engravidar de novo depois de um aborto?

Normalmente, demora só alguns dias até que o organismo se recupere do aborto e volte ao que era antes. “Em aproximadamente quatro a seis semanas, a mulher estará em boas condições clínicas novamente”, explica Alberto Guimarães, ginecologista e obstetra na Clínica Parto Sem Medo, pai de Beatriz e João Victor.

Se o aborto aconteceu antes da 12ª semana de gravidez e não foi preciso fazer curetagem, você pode tentar engravidar já no próximo ciclo menstrual. Já em casos de aborto depois da 12ª semana, a recomendação é procurar um médico e fazer uma avaliação antes de retomar as tentativas. “Convém esperar de dois a três meses para que o útero volte ao seu tamanho normal”, finaliza o especialista.

Como ajudar uma mulher que sofreu aborto espontâneo?

Perder um bebê é uma situação delicada. Muitas mulheres ficam emocionalmente abaladas e se sentem fragilizadas depois de sofrer um aborto espontâneo. Algumas pesquisas apontam que cerca de 20% começam a apresentar sinais de depressão e ansiedade depois de passar por essa experiência.

Nem sempre é fácil encontrar as palavras certas para confortar alguém nessa situação. Às vezes, até mesmo os comentários feitos com as melhores das intenções podem parecer insensíveis. Pensando nisso, a Miscarriage Association, organização britânica que acolhe mães que tiveram a gravidez interrompida, fez um manual para orientar amigos e familiares sobre o que fazer e o que falar para uma mulher que sofreu um aborto espontâneo.

Reconhecer o que aconteceu e perguntar se ela precisa de ajuda é o primeiro passo. O mais importante é mostrar que você está por perto e disponível para conversar, se ela quiser. Evite ao máximo frases como “você é jovem, logo vai ter outro bebê” ou “não era para ser”. Esse tipo de comentário mais atrapalha do que ajuda. Lembre-se sempre: tudo o que você precisa fazer é oferecer suporte e acolhimento.