Aborto recorrente não é uma sentença: mulheres ainda têm 70% de chance de ter gestação tranquila

Outubro é o mês internacional da conscientização e sensibilização pelas perdas gestacionais, neonatais e infantis. Segundo Ministério da Saúde o aborto espontâneo é uma ocorrência comum para 10% das gestantes do Brasil

Resumo da Notícia

  • O aborto espontâneo é uma ocorrência comum para 10% das gestantes do Brasil
  • Mulheres que passaram por até 3 abortos espontâneos têm chance de 60% a 70% de ter uma gestação tranquila
  • Na maioria dos casos a causa só pode ser identificada em aproximadamente 40% a 50% dos casos

Outubro é o mês internacional da conscientização e sensibilização pelas perdas gestacionais, neonatais e infantis. Engravidar e perder o bebê nos primeiros meses da gestação pode ser muito frustrante para o casal e estima-se que ao menos 25% das mulheres já sofreram um aborto espontâneo. O desafio pode ser ainda maior para as mulheres que passam por isso mais de uma vez consecutiva, sendo chamado de aborto de repetição ou aborto recorrente.

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No entanto, apesar do peso emocional de perder o bebê, ele não é uma sentença para a dupla. O coordenador do setor de reprodução humana da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), Rui Ferriani, que também é membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), contou que mesmo se uma mulher, aos 35 anos, já tiver passado por até 3 abortos espontâneos a chance dela ter uma gestação tranquila é de 60% a 70%.

(Foto: Getty Images)

Estudos ainda mostram que apenas 5% das mulheres que enfrentaram uma perda vão passar por uma segunda e apenas 1% por uma terceira. Segundo o médico, o peso psicológico dessas perdas é muito maior do que uma mulher que não consegue engravidar. “Quando a paciente vive essa perda mais de uma vez, ela vai ficando mais insegura e ansiosa a cada gravidez, causando um estresse muito grande para o casal”, adicionou.

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Após passar por um aborto espontâneo é importante dar um tempo antes de tentar engravidar de novo, contou o doutor, claro, sempre considerando a idade da gestante. No entanto, quando a incidência das perdas é maior é importante investigar o motivo pelo qual isso tem acontecido. “Antes de fazer novas tentativas, é preciso buscar ajuda especializada e identificar as causas desses abortos recorrentes. Essa investigação não é muito grande e também nem sempre é conclusiva. A maioria das vezes a gente só consegue detectar a causa em torno de 40% a 50% dos casos”, contou.

Quais são as principais causas do aborto espontâneo

  • Alteração genética do embrião: Em uma mulher jovem 50% dos embriões têm alterações genéticas, sendo, praticamente, uma seleção natural. Já para mulheres com cerca de 40 anos, o número de embriões alterados aumenta para 70%. No caso de abortos de repetição os médicos buscam examinar a genética dos pais por meio de exame do cariótipo.
  • Alterações no útero: Existem alterações no útero que podem levar o aborto, sejam elas desde a formação do órgão ou adquiridas. Dentre os problemas existentes há os úteros não têm crescimento adequado (hipoplásicos), miomas uterinos (especialmente os que deformam a cavidade) e os septos uterinos. Identificados em ultrassonografias em três dimensões.
  • Alterações na tireoide: O hipo e hipertireoidismo também podem causar abortos. Sendo assim, é muito importante antes de engravidar fazer uma avaliação médica, controlando sempre os níveis de TSH, os anticorpos contra a tireoide e realizar exames para diabetes, outro fator hormonal relacionado ao aborto recorrente.
  • Trombofilia: No caso das trombofilias adquiridas (onde a paciente produz anticorpos contra ela mesma), é se elas influenciam o surgimento de uma trombose. Uma causa comum de abortos recorrentes é a síndrome antifosfolípide, que também favorece a trombose e piora a história obstétrica da paciente. Neste caso, a investigação é obrigatória e é feita com alguns exames. Já no caso das trombofilias herdadas, a investigação só é feita em casos de pacientes que tenham histórico pessoal ou familiar de trombose.
Muitos fatores podem causar um aborto (Foto: Getty Images)

E quando a causa não é justificada?

Quando isso acontece é necessário presar pela saúde do corpo e realizar mudanças de hábito e estilo de vida. “É recomendado melhorar a alimentação, não fumar, não usar drogas, evitar exposição a agentes químicos e agrotóxicos, evitar o álcool e controlar o peso. Vale destacar que o repouso excessivo pode piorar o quadro ou provocar uma trombose. O ideal é fazer um repouso moderado nos casos de sangramento genital durante a gravidez e ameaça de abortamento”, indicou Rui Ferrari.

Caso a causa do aborto seja desconhecida o melhor é manter um estilo de vida mais saudável (Foto: Getty Images)

“A ocorrência desses abortos é uma experiência muito traumática e provoca sérios impactos emocionais. Por esse motivo, o casal precisa de uma assistência completa, incluindo o apoio de um psicólogo”, ainda contou o médico, que defende que o acompanhamento profissional no caso de abortos recorrentes deve ser multidissiplinar.

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