As mães podem transmitir coqueluche para o recém-nascido: veja os cuidados para prevenir

Coqueluche é assunto sério e é preciso proteger mãe e filho desde cedo! Por isso, é superimportante manter a caderneta de vacinação em dia, inclusive durante a gravidez

Resumo da Notícia

  • Desde a gravidez, é superimportante manter a caderneta de vacinação em dia
  • As mães são a principal fonte de transmissão de coqueluche em bebês, representando até 39% dos casos
  • Com a vacinação, o bebê recebe os anticorpos pela placenta

Quando descobrimos a gravidez, junto à sensação de felicidade pode chegar também uma série de dúvidas, principalmente para as mães de primeira viagem. Por medo, ou às vezes por falta de informação, muitas mulheres não sabem sobre a importância de manter a caderneta de vacinação em dia, inclusive durante um período tão especial: a gestação.¹

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Durante a gravidez são recomendadas vacinas que são essenciais para a saúde da mãe e do bebê, uma delas é a dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche.²,³ No caso da coqueluche, esta é uma doença que pode ser facilmente transmissível de pessoa para pessoa e apresentar quadros graves em bebês com menos de seis meses de vida, que não completaram o esquema primário de vacinação contra essa doença. 4,12 A coqueluche, também conhecida por tosse comprida, é causada pela bactéria Bordetella pertussis, que atinge o sistema respiratório, provocando crises de tosses, que geralmente terminam com uma espécie de guincho ou chiado.5,13

Sobre a transmissão, segundo um estudo, as mães são a fonte mais comum de infecção por coqueluche em bebês, representando até 39% dos casos.6 Quando a vacina é administrada durante a gestação, a mulher passa para o bebê, por meio da placenta, os anticorpos adquiridos através da vacinação, ajudando a protegê-lo.7 “Às vezes a gestante fica com medo de se vacinar, mas temos que pensar o contrário, ela está recebendo aquela vacina para proteger ainda mais o bebê. Se ela não passa a proteção, ele nasce mais vulnerável. No caso da vacina contra a Coqueluche, a primeira dose pode ser aplicada nos bebês a partir dos dois meses, mas o esquema primário, aquele que vai gerar a primeira proteção, termina aos seis meses. Então, a vacinação materna é muito importante”, explica Ana Clara Medina, Farmacêutica (CRF/RJ 24.671), Gerente Científica de Vacinas da GSK Brasil, mãe de Benjamim.

As mães são a fonte mais comum de transmissão da coqueluche em bebês, representando 39% dos casos (Foto: iStock)

Protegendo com carinho

Para evitar a doença é importante ter consciência que o cuidado começa desde a gestação. Quando o assunto é prevenção, a imunização é considerada a melhor forma de proteção.3,11 Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a vacina dTpa é recomendada a partir da 20ª semana de cada gravidez. 8,9 Mas, apesar de toda a proteção materna, é importante que todos que tiverem contato com o bebê também verifiquem se a vacinação contra coqueluche está em dia.10

Manter os bons hábitos de higiene como, lavar as mãos com água e sabão, também pode ser um ato de carinho na luta de proteção contra a Coqueluche.11 O ginecologista e obstetra, Dr. Igor Padovesi (CRM-SP 134.933), pai de Beatriz e Guilherme, reforça: “As vacinas são consideradas um dos maiores avanços da humanidade, porque é a maneira mais eficaz de prevenir doenças que podem ser muito graves para a criança”.

Para ficar de olho

Os primeiros sintomas podem ser facilmente confundidos com um resfriado comum, pois são caracterizados por: coriza, espirros, tosse ocasional leve e febre baixa. Após uma ou duas semanas a tosse ocasional pode evoluir para crises de tosse, que podem causar dificuldades na recuperação do folego deixando o bebê cianótico (face azulada). Caso seu bebê apresente algum desses sintomas, é importante procurar por ajuda médica.5 Em caso de dúvidas, consulte sempre um profissional de saúde.

Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico

Referências

1. SUCCI, R.C. Vaccine Refusal – what we need to know. Jornal de Pediatria. 94(6):574-581, 2018.

2. BRASIL. Ministério da Saúde. Anexo IV – Calendario da Gestante. Disponível em <https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2020/marco/04/CalendarioVacinao-2020-Gestante.pdf>. Acesso em: 24 de mar. 2021.

3. BRASIL. Ministério da Saúde. A importância da vacina dTpa para a mãe e o bebê. Disponível em:<http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-dasaude/53804-a-importancia-da-vacina-dtpa-para-a-mae-e-o-bebe>. Acesso em: 24 de mar. 2021.

4. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). Coqueluche: Sintomas, transmissão e prevenção. Disponível em: <https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/coqueluchesintomas-transmissao-e-prevencao>. Acesso em: 24 de mar. 2021.

5. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Pertussis: The Pink Book: Epidemiology and Prevention of Vaccine Preventable Diseases. Ed. 13, 261-278, 2015. Disponível em: <https://www.cdc.gov/vaccines/pubs/pinkbook/pert.html> . Acesso em 24 de mar. 2021.

6. WILEY, KE. et al. Sources of pertussis infection in young infants: A review of key evidence informing targeting of the cocoon strategy. Vaccine,31(4): 618-25, 2013.

7. GKENTZI, D. et al. Maternal Vaccination against pertussis: a systematic review of the recent literature. Arch Dis Child Fetal Neonatal. Ed. 102(5):F456-F463, 2017.

8. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Programa Vacinal para Mulheres. São Paulo: FEBRASGO, 2017. 170p.

9. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação SBIm Gestante 2020/2021. Disponível em: <https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbimgestante.pdf>. Acesso em: 24 de mar. 2021.

10. CENTERS FOR DESEASE CONTROL AND PREVENTION. Vaccines & Pregnancy: Top 7 Things You Need to Know. Disponível em: <https://www.cdc.gov/vaccines/pregnancy/pregnant-women/need-to-know.html>. Acesso em: 24 de mar. 2021.

11. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Pertussis (Whooping cough). Prevention. Disponível em: <https://www.cdc.gov/pertussis/about/prevention/index.html>. Acesso em: 24 de mar. 2021.

12. BRASIL. Ministério da Saúde. Anexo I – Calendário da Criança. Disponível em: <https://antigo.saude.gov.br/images/pdf/2020/marco/04/Calendario-Vacinao-2020-Crian–a.pdf>. Acesso em: 08 abr. 2021.

13. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Coqueluche (pertussis). Disponível em <https://familia.sbim.org.br/doencas/coqueluche-pertussis>. Acesso em: 08 abr. 2021.