Brasileira diz ter perdido bebê aos 4 meses de gestação após sofrer agressão de policial na França

Débora A. estava grávida de 4 meses e meio e foi agredida por policiais durante abordagem na saída de um shopping em Paris

Resumo da Notícia

  • Débora, de 23 anos acusa a polícia por ser responsável pelo parto prematuro aos 4 meses da filha
  • A mulher entrerrou o corpo do bebê nesta quinta-feira, 21 de janeiro, em Garges-Lès-Gonesse, na periferia de Paris
  • Confira os detalhes do ocorrido

Débora A., de 23 anos, brasileira mas atualmente mora na França, acusa a polícia por ser responsável pelo parto prematuro aos 4 meses da primeira gestação,  que ocorreu em dezembro de 2020. A mulher entrerrou o corpo do bebê nesta quinta-feira, 21 de janeiro, em Garges-Lès-Gonesse, na periferia de Paris.

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Brasileira que perdeu bebê após agressão polícial enterra a filha na França (Foto: Reprodução / Epoca/ Arquivo pessoal)

Débora, realizou uma entrevista à RFI, onde contou detalhes sobre o ocorrido. Ela que mora na França desde os 8 anos de idade, mas não tem nacionalidade francesa, viajou para o país com o irmão mais velho. A jovem estava grávida pela primeira vez do namorado, mesmo a gestação não sendo planejada, ela afirma que era desejada. Déora relatou à RFI que estava preparando tudo para o nascimento, previsto para maio, e só soube o sexo do bebê depois do parto.

Na época do ocorrido, ela conta que foi jogada violentamente três vezes contra uma parede, por uma policial que a abordou por não usar a máscara de proteção, como regra durante a pandemia. Segundo Débora, a agressão aconteceu em 10 de dezembro de 2020, em um shopping de Garges-Lès-Gonesse. Onze dias depois, ela perdeu o bebê.

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Detalhes da bordagem

(Foto: Reprodução / Twitter)

Segundo Débora, ela estava com Céline H., que ela chama de prima e na casa de quem ela mora, e uma amiga no centro comercial Arc-en-Ciel. As duas estavem saindo do local e um policial pediu para as duas, de forma educada, que colocassem as máscaras. Mas outra policial resolveu multá-las porque “não suportava mais ver os jovens desrespeitando o uso de máscara”. Logo em seguida, a policial afirmou que as jovens teriam insultado e levou as duas para a delegacia “A minha prima tinha me xingado porque eu estava andando na frente e acho que foi isso que a policial ouviu”, disse a brasileira.

Então, a brasileira conta que Céline foi jogada no chão para ser algemada, ao tentar defendê-la foi empurrada. As imagens de vídeo mostram o momento exato intervenção da polícia. “Não entendia nada! Entrei em pânico porque a minha prima tem uma cicatriz na cabeça, fiquei com medo, tentei intervir, pedir a polícia para tomar cuidado, mas não me deixaram. A policial que tinha nos multado, pegou no meu braço e me jogou três vezes contra a parede. Gritei que estava grávida, mas ela não parou”.

Então, Débora ainda conta que a mesma policial a sacudiu, exigindo desculpas. “Pedir desculpas por quê? Eu não fiz nada!”, disse. Ao chegar na delegacia, ela não sofreu nenhum tipo de violência e soube que não passaria a noite detida porque estava grávida, porém a prima só foi liberada no dia seguinte.

Débora e Céline foram indiciadas por ultraje e convocadas para uma audiência no dia 6 de julho de 2021. “Enquanto eu esperava para ser liberada, um policial me disse que a gente não tinha cara de bandido, que a gente parecia legal e justificou o ocorrido como uma ‘rivalidade entre mulheres”, conta.

Parto prematuro

Ao chegar em casa, durante a noite a brasileira começou a sentir dores nas costas e na barriga. “Não compreendi na hora o que estava acontecendo”, disse. No dia seguinte, ela se consultou um clínico geral e uma ginecologista, que constatou “um sangramento”, mas a mandou de volta para casa. Porém, na noite do dia seguinte as dores pioraram e ao procurar um médica ela foi hospitalizada no serviço de emergência de uma maternidade.

O colo do útero estava aberto e a bolsa tinha descido para o canal vaginal. “Eu tinha muita esperança porque o coração da minha filha batia, mesmo se os médicos dissessem que não tinha muitas chances, que era muito complicado”, relembra. A bolsa estourou no dia 19 de dezembro. “Minha filha ainda estava viva. O pé dela saiu. Cheguei a ver o pé dela mexendo”. No dia 21 de dezembro, o bebê estava morto.

Débora conta que não pode ficar  nenhum momento com a filha para se despedir. A menina foi registrada e recebeu o nome de Dijamila. Logo após sair do hospital, Débora foi à delegacia dar queixa contra a violência policial. Ela concedeu uma primeira entrevista sobre sua agressão ao jornalista independente Hahin-Hazamy, e o advogado Vincent Brengarth ficou sabendo do caso e começou a defendê-la.

Agora, lutando por justiça, ela se recupera.  “Quando saiu do hospital, estava muito perdida. Não falava, não queria ver ninguém. Eu estava muito triste, mas graças a Deus agora consigo levantar a cabeça. Começo a melhorar. Agora, o que eu quero é justiça para a minha filha porque não é chorando que eu vou conseguir isso”, disse.

Investigação aberta

Para o advogado, a relação de causa e efeito entre a violência policial cometida em 10 de dezembro e a morte do bebê é coerente. “É um caso singular em relação a outros dossiês de violência policial. É a meu conhecimento a primeira vez que uma agressão policial provoca a morte de um bebê e em condições particulares. Não havia uma infração ‘clássica’, ou havia eventualmente uma contravenção ligada ao não respeito do uso da máscara. O uso de máscara não é natural e isso exige uma forma de discernimento da parte dos policiais. Essa brutalidade é algo de profundamente preocupante e anormal”, disse o advogado à RFI. Ele ressalta ainda que Débora, que tem apenas 1m 55 e 43 kg e ainda por cima estava grávida, “não representava uma ameaça para as forças de ordem”, disse.

Por enquanto, apenas foi aberta uma investigação por “violência voluntária”. Mas Vincent entrou com uma queixa na justiça “por violência tendo provocado uma mutilação ou uma enfermidade permanente por uma autoridade pública”. Com isso, ele cre que irá ocorrer “a abertura de uma investigação judiciária, isto é, a designação de um juiz independente da Procuradoria da República”. Esse inquérito criminal ainda não foi aberto, mas a policial pode pegar até 15 anos de prisão.