CIVD: condição que fez Romana Novais ter parto prematuro é rara na gravidez, mas grave

Apesar de ser considerada bastante rara na gestação, a CIVD é grave. Para tirar as principais dúvidas sobre o assunto, conversamos com o ginecologista e obstetra, Dr. Igor Padovesi

Resumo da Notícia

  • Veja o desabafo de Romana sobre o parto prematuro da filha
  • Entenda como a CIVD pode ocorrer
  • Saiba se a complicação tem a ver com a infecção pelo novo coronavírus

Durante a gestação da segunda filha, Raika, Romana Novais passou por uma complicação chamada de Coagulação Intravascular Disseminada, também conhecida como CIVD. Apesar de ser considerada rara, o problema é grave e pode levar à óbito. “Tudo começou na semana passada, fui tomar uma vacina que a gestante precisa fazer, tive um pouco de reação tive dor no corpo achei que era só por causa da vacina. Não achei que fosse alguma outra coisa. Além disso também estava com dor local na vacina então acreditei mesmo que fosse isso”, contou nos stories.

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Entenda a complicação CIVD, relacionada ao parto prematuro de Romana Novais (Foto: Reprodução / Instagram / @romananovais)

Com o passar do tempo, Romana disse ainda sobre as dores ficarem mais intensas e após testar positivo para Covid-19, realizou o isolamento em casa. “Sentia muita dor no corpo, pareciam que meus ossos tinham quebrado”, lembrou.

Quando deu inicio ao trabalho de parto prematuro e foi até o médico para a realização de exames, que aparentavam estar normais, ela começou a ter um sangramento intenso. “Ela nasceu muito rápido, eu não estava esperando. Nem esperava que eu fosse conseguir fazer um parto natural, estava com muita dor, mas ela precisava sair”.

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Para explicar melhor sobre a complicação CIVD, que causou o parto prematuro de Raika Novais, conversamos com o ginecologista e obstetra, Dr. Igor Padovesi, pai de Beatriz e Guilherme e nosso colunista: “É preciso deixar muito claro que é um quadro extremamente raro e que não acontece de forma espontânea. Quase sempre é uma complicação de outras condições, como, por exemplo, um descolamento de placenta”, comenta.

Mas afinal, o que é a CIDV?

A CIVD é uma condição bastante rara, principalmente de acontecer na gestação. De acordo com o especialista, isso acontece pela formação múltipla de coágulos, ou seja, uma trombose extensa. “Trombose é quando acontece algum coágulo sanguíneo em determinado vaso do corpo. Quando acontece de forma maciça e, geralmente, em diversos vasos ao mesmo tempo, de forma que os fatores de coagulação do sangue, as plaquetas e tudo aquilo que é envolvido para formar um determinado coágulo acontece de forma simultânea, é consumido quase tudo o que estava disponível no sangue. Por isso, a complicação é uma trombose extensa, na qual também acontecem hemorragias, pois outros locais do corpo começam a sangrar justamente por faltarem fatores de coagulação”, explica o Dr. Igor Padovesi.

Parto prematuro

Infelizmente, apesar de ser uma complicação rara, o parto pode ser antecipado se a condição não for estabilizada rapidamente. “Principalmente quando a causa da CIVD está relacionado a placenta, geralmente uma trombose extensa do leito placentário”. Vale lembrar que a CIVD não causa um risco maior durante o trabalho de parto comum. O tratamento pode ser feito via internação em UTI, necessitando em alguns casos de transfusão sanguínea ou hemodiálise.

Romana deu à luz Raika com 32 semanas de gestação (Foto: Reprodução / Instagram)

O CIVD tem relação com a Covid-19 de Romana?

O que se sabe até agora, é que existe uma maior probabilidade de complicações em decorrência à trombose e ao coronavírus, não especificamente em mulheres grávidas. “Não é possível fazer essa ligação direta. Mas é provável, diante da infecção, já que ela aumenta o risco de trombose, podendo ter acontecido em decorrência disso. Mas pode ter sido em decorrência só de uma condição relacionada a placenta também, sem ter relação direta com o coronavírus. Não é possível saber com certeza.”, comenta o obstetra.

Em uma pesquisa realizada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) com 409 mil mulheres com infecção confirmada por covid-19, onde 23 mil são gestantes, ainda existem poucos dados para se falar sobre a trombose neste grupo. O estudo indicou que entre as gestantes com coronavírus, 637 precisaram ser internadas e apenas três apresentaram trombose, o equivalente a 0,47%.

“A porcentagem de grávidas com coronavírus que tiveram complicações e precisaram de internação é baixíssima. Das que internaram, que vão evoluir bem e não terão nada é quase a totalidade. As que vão internar e precisar de um cuidado maior, além das complicações e ter CIVD é uma porcentagem baixíssima”, conclui o especialista.

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