Gravidez

Conheça o paladino do parto normal

Michel Odent está na próxima edição da Pais & Filhos. Confira uma prévia

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

A edição de setembro da Pais & Filhos está saindo do forno, mas você pode conferir uma prévia da entrevista que fizemos com o médico Michel Odent

Michel Odent, pai de Sylvie, Christophe e Pascal, médico francês e uma das maiores autoridades em matéria de parto normal do mundo é a nossa entrevista de setembro.

Aqui ele fala sobre a ocitocina, conhecida como o hormônio do amor. É ela a responsável pelo pontapé inicial do trabalho de parto. Confira uma prévia. E não pare por aqui: comente, compartilhe e curta.

Você está familiarizado com as taxas de cesariana do Brasil (40%)?
Não é nada de especial, é a mesma da maioria das grandes cidades da América Latina. É a mesma de Santiago, no Chile, Cidade do México. E a mesma de muitos países como Grécia, Irã, parted a Itália e Coreia.

Mas a OMS recomenda que a taxa atinja, no máximo, 15% dos partos…
Sim, mas eles são muito burocráticos. Isso não é realista. Se você levar em conta a falta de conhecimento atual das necessidades da mulher em trabalho de parto, 15%não é o suficiente, é perigoso. Existe uma necessidade maior do que isso. Se você quer uma taxa de 15% significa que você tem que aceitar um parto vaginal mais longo e mais difícil, com horas de ocitocina, forceps, exatamente o que você deveria evitar hoje, na era da técnica de cesárea segura, rápida e fácil, que tem como prioridade evitar um trabalho de parto longo e difícil com o risco de acabar em fórceps, ventosa ou, às vezes, cesárea de emergência porque as pessoas estão obcecadas em evitar a cesárea, seja por recomendação da OMS ou por indicação do movimento do parto natural. Isso é perigoso. O que nós precisamos fazer é redescobrir as necessidades básicas da mulher em trabalho de parto, tornar o parto mais fácil. Depois disso, a taxa de sucesso pode reduzir, mas isso não pode ser a prioridade. Em alguns casos talvez fosse melhor para o bebê se a mãe recorresse a uma cesárea de emergência do que tomar ocitocina sintética por 15 horas.

Você está com um projeto importante para difundir a importância do cuidado com o parto. Fale mais sobre isso.
Nós organizamos a Mid Pacific Conference on Birth and Primal Health (Conferência do Meio Pacífico sobre parto e primeira saúde, em tradução livre), que será constituída por 27 workshops. Nosso principal objetivo é oferecer uma visão global que influenciará a história do parto e da amamentação. Nós sempre nos encontramos no meio do oceano para enfatizar que tudo o que discutimos não especiais a um continente ou outro continente, isso é global. O próximo encontro vai acontecer em Honolulu, no Havaí, em outubro. Entre os palestrantes estará o professor Michael Stark, de Berlim, que é o “pai” da nova e simplificada técnica de cesárea, na qual uma cesariana pode ser realizada em 20 minutos com redução da perda de sangue. Teremos também o professor Kerstin Uvnas-Moberg, de Estocolmo, é um expert no efeito comportamental da ocitocina.

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Gostaria que você falasse um pouco do momento do parto. É verdade que a mulher tem que tentar ser o menos racional possível?
Quando a mulher está dando à luz sozinha, em um dado momento ela se isola do mundo, ela não está interessada no que está acontecendo no resto do mundo. Ela faz coisas que são consideradas não-civilizadas. Na parte mais complicada do trabalho de parto a mulher pode até se atrever a gritar, xingar e pode até se tornar bem mal educada de repente e até falar coisas sem sentido. Ela pode uma postura bizarra e até mesmo primitiva, complexa, assimétrica e quadrúpede. Existe um estímulo específico para o córtex, a parte intelectual do cérebro: a língua. Isso quer dizer que uma mulher que está em trabalho de parto precisa de silêncio mas precisamos da ciência para descobrir isso. A língua deve ser usada com um cuidado extremo. O tipo de linguagem mais expressivo para o intelecto é a linguagem expressa na forma de perguntas. Quando alguém te faz uma pergunta você é obrigado a estimular seu córtex para preparar uma resposta. Eu uso uma analogia para mostrar o efeito que uma pergunta pode causar. Imagine um casal fazendo amor e quase na hora do orgasmo a mulher pergunta ao parceiro: “O que você quer para o jantar?”.

Então quer dizer que estimular a parte intelectual do cérebro pode efetivamente afetar o trabalho de parto?
O efeito do estímulo do córtex pode interferir no processo fisiológico. Mas existem outros estímulos para o intelecto, um deles é se sentir observado. Quando nos sentimos observados nós também nos observados e o intelecto é estimulado. A necessidade básica de uma mulher em trabalho de parto é não se sentir observada.

Qual é a importância da parteira para fazer com o processo transcorra da forma mais tranqüila possível?
Qual é o protótipo da pessoa que pode ficar no lugar do parto e cuja presença é compatível com a necessidade de se sentir segura sem sentir observada? A resposta em um mundo ideal seria a mãe dessa mulher, com a nossa mãe nos sentimos seguros, elas são pessoas protetoras, com ela não nos sentimos observados… Originalment