Gravidez

Está preparada para ter gêmeos? Te contamos como é a gestação gemelar

Esperar mais de um filho tem que ser alegria em dobro, não só preocupação

Nathália Martins

Nathália Martins ,Filha de Sueli e Josias

Foto: iStock

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A gravidez de gêmeos é uma surpre­sa por si só: são poucas as mulheres que desde o início da gestação esperam ter mais de um bebê – ainda mais quan­do se fala em tri ou quadrigêmeos! Mas acredite: gestações múltiplas são mais comuns do que se pensa, só que, claro, possuem diferenças em relação à gravidez de um único bebê.

A começar pelo peso, talvez uma das maiores dificuldades das mulheres na hora de gerar um bebê. Segundo a ginecolo­gista e obstetra Heloisa Brudniewski, filha de Olga e José, as mães de gêmeos ganham mais peso justamente porque têm mais um bebê na barriga e também porque precisam comer por três ou mais. “Prematuridade, dores no corpo, principal­mente na região lombar, são mais intensas do que o habi­tual. Algumas doenças, como diabetes, hiperemese gravídica e pré-eclâmpsia, também são mais frequentes”, explica ela.

Isso significa mais visitas ao obstetra, que vai acompanhar de perto a evolução dos bebês e da gestação em si, até por­que o risco de complicações é maior também. “Quando são duas placentas, ou seja, uma para cada feto, a gestação tende a ter menos riscos de complicações. Em gêmeos não idênti­cos sempre existem duas placentas, no caso de gêmeos idên­ticos de 10-15 % têm placentas separadas”, diz a enfermeira obstetra Cinthia Calsinski, filha de Marcelo e Evani.

O fato de existir mais de um bebê em formação na barriga, claro, implica maiores mudanças no corpo, principalmente. Quem espera gêmeos tem uma propensão maior a desenvol­ver estrias, especialmente no abdômen, já que a região vai ex­pandir mais do que o normal para acomodar os bebês. Como a produção de hormônios no corpo é bem maior, o útero cres­cerá em maior velocidade e a mudança de peso, postura e nas articulações vão seguir esse mesmo padrão.

O ponto principal é a intensidade maior dos sintomas da gravidez. Se quem espera um único bebê sente enjoos le­ves na primeira quinzena, a mãe de gêmeos pode ter enjoos muito fortes seguidos de vômitos, por exemplo. Além disso, existe um desconforto extra por causa do crescimento dos bebês: “Os órgãos internos, como coração, estômago e in­testino, precisam se realocar dentro do corpo para abrigar o crescimento uterino, e isso pode ser mais incômodo e al­gumas vezes doloroso”, completa Cinthia.

O cansaço também aumenta, especialmente porque existe uma sobrecarga maior nas regiões lombar e abdominal – e é possível ocorrerem casos de falta de ar, por causa da com­pressão do tórax pela barriga, e problemas para dormir, já que não é fácil encontrar uma posição confortável e a respi­ração também fica comprometida quando se está deitada.

Cuidados especiais

Tudo isso, claro, são possibilidades e não um motivo para gerar pânico. É um fato que ter mais de um bebê na barriga vai, por consequência, gerar mudanças maiores no corpo e mais cansaço na mulher e saber como medir as suas ener­gias e reservar bastante tempo para descansar é essencial para que a gravidez corra sem problemas.

Nesses casos, o pré-natal é importantíssimo: não só o médi­co precisa pensar nos dois (ou mais) bebês que estão sendo gerados, como também na saúde da mãe – existe um mo­nitoramento mais rígido da pressão arterial e também do comprimento do colo do útero.

Por causa do avanço da tecnologia e dos tratamentos con­tra a infertilidade, gestações de gêmeos são mais comuns, assim como os cuidados para esses casos específicos. Como a chance de nascimento prematuro é maior, o que se man­tém constante independentemente das tecnologias é a fre­quência das consultas: o espaço entre uma e outra é menor e os exames são refeitos em maior número também. Tudo para garantir que mães e filhos estejam bem e com saúde.

Na hora do parto

O Brasil é um dos recordistas mundiais de parto cesárea – mais de 50% dos bebês nascem de cesarianas por aqui – e é comum os gêmeos nascerem também dessa maneira. O motivo para isso, no entanto, é uma questão de segurança. Como o número de bebês na barriga dificulta a visão através do ultrassom, mesmo com as novas tecnologias, é mais se­guro para todos os envolvidos que o parto não seja normal.

“Muitas vezes não é possível ter certeza da apresentação do segundo bebê, e há um risco de problemas na hora da descida e insinuação da criança, dificultando a saída. Para o parto cesárea, a posição dos bebês não é preocupante e é possível controlar bem a saída dos dois”, explica Heloi­sa Brudniewski.

Isso, claro, não significa que o parto natural não é pos­sível: é uma questão de saber com detalhes a posição de cada criança, se não há risco de o cordão umbilical difi­cultar a saída de uma delas ou das duas. A maior preocu­pação dos médicos, durante um parto comum é a saída do segundo bebê, já que a sua posição pode mudar depois do nascimento do primeiro.

Qualquer que seja a sua escolha, é importante prestar aten­ção também à idade gestacional na hora do parto, ou seja, no tempo da gravidez. “Embora seja comum os partos ge­melares se iniciarem precocemente em relação aos casos de partos de bebê único, isso não pode ser um indicativo para se agendarem esses partos. Mesmo em casos em que a posi­ção do bebê não favoreça o parto normal, é muito importante que o trabalho de parto se inicie espontaneamente para a saúde e bem-estar de todos os envolvidos”, completa Cinthia.

Resumo da ópera: paciência e muita informação. Quem tem dois ou mais bebês a caminho deve cuidar para ter bas­tante descanso, seguir as orientações dos médicos e fazer o acompanhamento correto da gravidez. Assim, a probabilidade de o período correr tranquilamente é maior e você poderá aproveitar esse momento de preparo com prazer.

* Por Marcela de Mingo, filha de Teresa e Paulo – Este texto foi publicado na Revista Pais&Filhos na edição 567. 

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