Gravidez

Grávida de oito meses tem cabelo raspado pelo ex-marido: “Pelos meus meninos, nunca vou desistir”

Natália Mauadie é mãe de três crianças e tirou forças deles e da família

Ingrid Campiteli

Ingrid Campiteli ,filha de Sandra e Paulo

O antes e depois de Natália (Foto: Reprodução / Twitter)

Natália Mauadie, de 25 anos, no Rio de Janeiro, passou sem perceber um relacionamento abusivo com o ex-marido. A mulher que estava grávida de oito meses, teve seu cabelo raspado pelo homem e conseguiu denunciar o crime com a ajuda da família e hoje luta contra a depressão pelos traumas e tira forças dos três filhos. Em entrevista a revista Marie Claire, a mãe explicou alguns detalhes sobre tudo o que passou.

Os dois se conheceram quando Natália ainda era muito nova. “Conheci meu ex-marido no final de 2012, eu tinha 17 anos. Tinha um filho de cinco meses, e ele sempre foi carinhoso com a gente, mas, apesar disso, percebi que tinha algo que me incomodava nele: era muito ciumento”, contou.

As coisas pioraram quando a mãe foi para uma festa com as amigas. “Um dia, depois de uma discussão feia, resolvi sair com algumas amigas e fui agredida pela primeira vez. Deu 4 horas da manhã, ele me chamou pra conversar fora da festa e eu fui. Ele começou a gritar comigo, pedir pra eu ir embora, e eu disse que não iria. Ele começou a chorar, me chamou pra um canto e me deu o primeiro soco. Fiquei tonta, não acreditava. Então ele veio com uma sequência de tapas e socos. Gritei por socorro, minhas amigas me ajudaram e ele foi embora”, relatou.

Depois da agressão, eles terminaram pela primeira vez. Porém, eles continuaram mantendo contato pelas redes sociais e poucas semanas depois, Natália descobriu que estava grávida do primeiro filho. “Minha família não queria que a gente ficasse junto. Poucas semanas depois, descobri que estava grávida. Meu primeiro filho estava com sete meses e foi um baque muito grande aceitar essa gravidez, tinha acabado de passar por uma cesárea, minha mãe em choque. A família do meu ex ficou empolgada, mas mesmo assim não voltamos”, contou. Mas depois de cinco meses de gestação, a mulher voltou com o ex.

As agressões não pararam. E em um certo dia, ele alegou que Natália estava escondendo algo dele e então ela fugiu para um comércio.”Eu estava com oito meses de gestação, tentei lutar contra ele, mas não consegui. Quando ele me soltou, eu fugi. Me escondi em um comércio local e percebi que estava perdendo líquido. Liguei para minha irmã e pedi que alguém me buscasse. Como ela não sabia do ocorrido, ligou para o meu ex-marido”, falou.

Ele foi busca-lá até o local e foi a partir daí que Natália teve os cabelos raspados pelo homem. “Ele foi me buscar e me tirou do comércio me puxando pelos cabelos, e era irônico ao perguntar se eu estava mesmo passando mal. Fomos para o hospital e, depois de liberada, a médica pediu que eu ficasse de repouso. Entramos no carro  e ele me falou “você não sabe o que te espera”. Me falava que eu iria ter “aquela criança” ali mesmo para ver se era parecida com ele. Me bateu, me jogou no chão, depois me colocou em frente ao espelho e raspou todo o meu cabelo”, explicou.

Depois de ter tido o cabelo raspado e no dia que a família de Natália viu, eles não queriam acreditam que foi o ex-marido que tinha feito aquilo. “Quando minha família viu, minha mãe gritava, meu irmão – que era pequeno – chorava. Eu falava que era meu ex, eles não acreditavam. Fomos para a Delegacia da Mulher, mas eu estava muito nervosa, passei mal e tive que ir para o hospital novamente. Ele estava foragido e me ligava pedindo que eu retirasse a denúncia. Depois de cinco dias desaparecido, ele se entregou. Naquele mesmo ano, 2013, ele ficou preso por seis meses e foi solto. Depois de quatro meses em liberdade, morreu”, contou.

Segundo ainda Natália, o homem sabia que o ponto fraco dela eram os filhos e por isso mexia com eles. “Ele mexia no meu ponto fraco, meus filhos. Hoje, com 25 anos, eu nunca iria me permitir passar por isso”, contou.

Depois de 6 anos, a mulher ainda tem alguns traumas, como depressão, porém está em tratamento e sempre agradece pelo apoio que tem dos filhos. “Após seis anos, ainda tenho alguns traumas do passado, fui diagnosticada com uma depressão e estou em tratamento. Faço doces para vender no bairro onde moro, mas alguns dias são difíceis. Meu filho, hoje com 6 anos, não me pergunta sobre o pai, mas sofro antecipadamente por pensar em quando ele descobrir tudo que aconteceu. Porém, também sonho com dias melhores, muitas pessoas me dão força, principalmente minha família e meu marido, com quem tenho um filho de um ano. Pelos meus meninos, nunca vou desistir”, explicou.

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