Gravidez

Grávida segue dica de grupo de Facebook e perde o bebê

Ela foi totalmente contra as recomendações da doula

Emily Santos

Emily Santos ,filha de Maria Teresa e Francisco

O caso aconteceu nos Estados Unidos  (Foto: Getty images)

Uma mãe norte-americana perdeu o filho por levar a gestação até a 45ª semana por recomendações de outras mães participantes de um grupo de Facebook. A mulher do Havaí foi contra as recomendações de sua doula e preferiu seguir os conselhos das outras mães.

Participante de um grupo chamado “Ten months mamas” (ou “Mães de 10 meses”, em tradução livre) a gestante acreditava nos benefícios de esperar pelo tempo natural do parto e não induzir o momento.

No entanto, sua doula acreditava que a placenta estava perdendo sua eficiência e aconselhou que ela induzisse o parto na 43ª semana. Mas, seguindo os conselhos das mulheres do grupo, a mãe continuou esperando, achando que os riscos de induzir eram equivalentes ao risco de esperar.

Na 45ª semana, ela decidiu ir ao hospital. Mas na noite anterior à consulta agendada, sua bolsa estourou e as contrações começaram. Dez horas depois, as contrações estavam tão fortes que a mãe temeu que ela e seu filho morressem. Foi quando ela expeliu um líquido gelatinoso escuro e foi levada pelo marido ao hospital. Lá, os médicos constataram que o bebê não tinha batimentos cardíacos e aplicaram uma epidural para que ela pudesse dar à luz.

Depois disso, a mãe postou no grupo do Facebook se culpando pelo que aconteceu e se perguntando se teria sido diferente caso tivesse seguido os aconselhamentos profissionais.

Confie apenas no profissional

“Existem limites de segurança na medicina, exatamente para tentar prevenir esses tipos de caso”, alerta Dr. Igor Padovesi, ginecologista e obstetra, pai de Beatriz e Guilherme e colunista da série semanal “Gravidez Sem Neura” no canal da Pais&Filhos no Youtube. O especialista lamenta o uso de grupos de Facebook para a propagação de informações médicas sem nenhum embasamento técnico. “Acontece um exagero na idealizações de procedimentos naturais que, apesar de darem certo para a maioria das pessoas, estatisticamente não vão funcionar para todo mundo”,  reforça.

O período ideal de menor risco para o bebê nascer é entre 39 e 41 semanas. “Naturalmente, 80% dos bebês vão nascer de forma espontânea neste período, mas existem casos que vão estar fora desta estatística. 41 semanas é o limite que a maior parte do mundo, hoje, considera como razoável, mas existem debates e alguns lugares que conduzem a gestação até 42 semanas, mas além disso com certeza, não”, explica o obstetra.

Dr. Igor ainda reforça que, a partir das 41 semanas, o risco de complicações aumenta, mas é relativo e ainda consideravelmente baixo. “A recomendação é que, depois das 41 semanas de gestação, pelo menos duas vezes nessa semana — ou seja, a cada dois ou três dias — o feto seja avaliado por ultrassom e se estiver tudo normal, é possível aguardar até a semana seguinte.”

“As gestações que passam das 42 semanas têm indicação para serem interrompidas”, explica. Em situações como essa, não é necessariamente indicado que a mãe faça uma cesárea. “É possível induzir o parto com 41 ou 42 semanas ou em qualquer momento nesse meio tempo. Mas para as mulheres que desejam um parto normal, dá para induzir. Esse é o protocolo seguido para a maior parte dos serviços públicos, inclusive”, indica.

Nestes casos, as mães não ficam internadas para cesárea e passam pelo procedimento de indução de parto, que tem sucesso em até 70% dos casos e evitariam o estresse e complicações que podem acontecer em casos extremos como o desta mãe norte-americana, garantindo a sua segurança e a do bebê.

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