Homem trans na 40ª semana de gravidez fala sobre parto ideal: “Na água e sem epidural”

Rubén Castro sempre teve o sonho de ser pai e carregar o próprio filho, aos 27 anos ele disse que tinha em mente realizar o sonho ainda mais jovem e que a gestação tem sido o melhor momento da sua vida

Resumo da Notícia

  • Rubén Castro é um homem trans de 27 anos que está grávido do primeiro filho
  • Ele está na 40ª semana da gravidez e próximo do dia mais importante da própria vida: o parto
  • O jovem sempre deixou claro que sempre teve o sonho de carregar o próprio filho e, principalmente, ser pai

Rubén Castro é um homem trans de 27 anos que está grávido do primeiro filho. Ele está na 40ª semana da gravidez e próximo do dia mais importante da própria vida: o parto. O jovem sempre deixou claro que sempre teve o sonho de carregar o próprio filho e, principalmente, ser pai.

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Tal decisão condicionou a transição de gênero do madrilenho, já que ele não queria abrir mão da fertilidade. Sendo assim, ele só começou a tomar a testosterona a partir de que já havia congelado os óvulos. Não só, mas ele também realizou exames ginecológicos e fez masectomia, porque quer viver a experiência da amamentação (importante tanto para ele quanto para o bebê).

Independente de ele não ser o primeiro homem trans a ficar grávido, a história dele é muito impactante. Inclusive ele aponta a falta de visibilidade sobre a temática. “É preciso se permitir a conhecer essas histórias, para que outras pessoas saibam que engravidar sendo homem é possível, que algo assim pode ser vivido. Tem gente que desiste ou que nem pensa nisso, porque acha que é impossível, quando na realidade nem é assim”, aponta Rubén.

Para o homem trans, que sempre teve o sonho de ser pai, o momento que ele está vivendo é a realização de um sonho (Foto: Shutterstock)

Para ele, que sempre teve o sonho de ser pai, o momento que ele está vivendo é a realização de um sonho: “É algo sobre o qual sempre fui  muito claro e estava ansioso para engravidar. Na verdade, no meu esquema de vida, desde quando era mais jovem, pensava que isso viria muito mais cedo, com 22 ou 23 anos no máximo, mas aí você cresce e percebe que é mais difícil do que parece. A gestação foi a coisa mais importante da minha vida”.

Sobre colocar a gravidez sobre a transição ele explica: Toda a minha vida cresci com a mensagem de que o comum é ser mulher para engravidar. Diante desse discurso, não havia espaço para mais. Só depois de encontrar referências é que pude compreender que é possível não ser mulher e gestar. Quando descobri isso foi libertador, vi o céu aberto”.

Rubén ainda conta como foi descobrir que seria pai. “Este caminho [engravidar] também não foi fácil, porque houve tentativas que não tiveram sucesso. E quando veio o [resultado] positivo, não pude acreditar, só pude chorar, senti muita incerteza. Eu tinha medo de que qualquer coisa que eu pudesse fazer, comer ou pensar, eu o perdesse”.

Rubéns sempre teve o sonho de ser pai e gerar o próprio filho (Foto: Reprodução/ La Voz de Galicia)

Sendo um homem trans, ele diz que foi houveram muitas dificuldades durante a gestação e que os médicos e outros não são treinados para recebê-los. “No meu caso, tive que passar por dois processos diferentes: primeiro o congelamento de óvulos e depois acesso à Lei de Reprodução Assistida, com alguns anos de diferença entre eles. Tinha um clima de tensão de: não te chamo porque não sei muito bem como. É algo muito incômodo, principalmente em uma consulta médica. E aí a emissão de documentos, anuências, é toda voltada para a mulher, a paciente…”, explica.

Rubén ainda resume, dizendo que a experiência da gestação tem sido uma montanha-russa. “Há dias que são muito bons, outros não tão bons. Eu tive que lidar com náuseas e vômitos no começo. Passei de ‘ter sono toda hora’ para, no último trimestre, ficar mais cansado, ir mais vezes ao banheiro, não encontrar uma posição dormir e não adormecer por mais do que 3 ou 4 horas seguidas”.

Por fim, o homem trans (e futuro pai), diz que planeja ter um parto sem epidural. “Vi muitos vídeos e escolhi ter um parto humanizado. Escolhi o local porque vi que há um programa de parto na água e gostaria que fosse assim. Além de tudo isso é um parto consciente e o menos medicado possível”, conclui.