Joaquim Lopes e Marcella Fogaça relembram riscos da gravidez de gêmeas: “Poderiam morrer”

Sophia e Pietra nasceram no dia 20 de março, mas passaram 27 dias na UTI, podendo ir pra casa apenas no dia 15 de abril. Os pais comentaram pela primeira vez a complexidade do pós-parto das gêmeas

Resumo da Notícia

  • Marcella Fogaça e Joaquim Lopes tiveram as gêmeas Pietra e Sophia no dia 20 de março, o que uniu ainda mais o casal que já estava junto há 3 anos
  • O casal relembrou da gravidez raríssima das bebês, já que elas cresceram dentro da mesma bolsa, tendo risco delas não sobreviverem
  • Prematuras, as meninas vieram ao mundo na 32ª semana de gestação, e como esperado foram direto para a UTI

Marcella Fogaça e Joaquim Lopes tiveram as gêmeas Pietra e Sophia no dia 20 de março, o que uniu ainda mais o casal que já estava junto há 3 anos. Tendo em vista que a gravidez foi raríssima, chamada de mono-mono (monocoriônica-monoamniótica, que representa 1% dos casos) e de risco, já que as bebês cresceram dentro da mesma bolsa e se os cordões se entrelaçassem poderiam não sobreviver.

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Prematuras, as meninas vieram ao mundo na 32ª semana de gestação, e como esperado foram direto para a UTI. “Só peguei as duas no colo no terceiro dia. Chorava olhando para cima para não molhar a máscara”, lembra a cantora. O casal passou os quatro primeiros dias plantado ao lado das incubadoras. “No quinto dia, tivemos que ir embora, e deixá-las na maternidade. No estacionamento, desabei. Só não morri porque não posso mais morrer. Joaquim me olhava desesperado. Não há sentimento pior do que deitar na cama do seu quarto sabendo que as suas filhas estão no hospital”, explica Marcella.

Por isso, segundo O Globo, ela e o ator fizeram o acordo de serem fortes pelas pequenas. “Quando eu era pequeno, sentia muito medo de avião. A turbulência e a claustrofobia me incomodavam muito. Tenho uma lembrança recorrente: o meu pai fazendo palavras cruzadas enquanto atravessávamos uma tempestade inacreditável. Ele me olhava por cima dos óculos de leitura com o semblante mais pacífico do mundo, dizendo que tudo ia ficar bem. E hoje estou nesse voo, onde as emoções se equilibram e ficam constantemente à flor da pele. Minhas filhas nasceram e, junto com elas, veio uma força infinita. Um otimismo e uma esperança de que tudo ia ficar bem, simplesmente porque agora não pode mais existir a outra opção”, conta Joaquim.

Joaquim Lopes e Marcella Fogaça relembram gravidez de risco das gêmeas (Foto: Thais Galardi / reprodução Instagram)

“Força é passar os primeiros dias de pós-parto com o corte profundo da cesárea e ficar o dia inteiro andando de um lado para o outro numa maternidade, em plena pandemia, tirando leite num lactário, chorando quando dá tempo, segurando a onda de uma verdadeira revolução hormonal interna, administrando esse turbilhão na hora de amamentar as meninas para que elas não sintam nenhuma ansiedade ou tristeza. Voltar para casa durante esses 27 dias sem elas (e a dor lacerante que isso traz) e, ainda, repetir tudo no dia seguinte. Isso é força. Isso é inspirador. Isso é inatingível. Eu estava ao lado da Marcella em todos esses momentos”, se lembra o ator ao voltarem fortalecidos ao hospital para acompanhar a evolução das meninas.

“Conversei muito com as outras mães. Juntas, comemorávamos cada graminha de peso conquistada por todos os nenéns. Não podíamos nos abraçar, mas vibramos, nos consolamos e choramos juntas. A maior razão de contar a nossa história é tentar passar esperança para todas as famílias que estão com seus filhos em uma UTI. Quando eu estava lá e ouvia histórias de sucesso, enchia meu coração de esperança. Quero honrar essas mães e dizer o quanto elas são incríveis!”, ressalta Marcella. Joaquim completa: “É como se todo mundo estivesse no mesmo barco. Todo mundo sentindo basicamente a mesma coisa. Muitos silêncios, porque o olhar já diz tudo. Toda vez que encontrava um pai no fim do dia, no final do horário de visita, ele me dizia: ‘Mais um dia, menos um dia! Vamos com fé!’. E aquilo era muito reconfortante. Saber que um dia acabaria era uma das coisas que faziam com que continuássemos com firmeza”, conta Marcella sobre a socialização com outras mães que estavam passando pelo mesmo que ela.

As filhas de Joaquim Lopes e Marcella Fogaça só foram para casa após 27 dias na UTI (Foto: Reprodução / Instagram)

Pietra e Sophia chegaram em casa dia 15 de abril, a tempo do mesversário. “Fui dirigindo a três quilômetros por hora (risos)”, lembra Joaquim. “Sem dúvida, foi o melhor dia da minha vida. Não teve nada que pudesse chegar perto daquela sensação de trazer minhas filhas para a casa delas. Ter acesso a elas o tempo todo. Pegá-las sem máscara. Beijar, sentir o cheirinho da cabeça. Toda vez que lembro daquele momento me emociono e sinto extremamente o que senti no dia. Lembro do sorriso entre as lágrimas da Marcella. Foi muito bonito”.