Gravidez

Mãe dá à luz primeiro filho depois de 10 abortos: “Era como se eu tivesse fracassado”

Jen Bickel compartilha sua jornada para conseguir engravidar: 'Não aguentávamos mais', diz ela.

Jéssica Anjos

Jéssica Anjos ,filha de Adriana e Marcelo

Jen e o marido passaram 10 anos tentando engravidar (Foto: reprodução / Facebook / Jen Bickel)

Jen Bickel, de Cardiff, no País de Gales, lutou muito para conseguir ser mãe, ela passou por 10 abortos espontâneos consecutivos até alcançar a tão sonhada maternidade. A britânica e o marido Andrew passaram 10 anos tentando ter um filho.

“Foram tantos pontos baixos na jornada para me tornar mãe que é difícil escolher qual foi o pior”, disse Jen em entrevista à BBC. A britânica conta que teve que retirar as duas trompas de Falópio, o que reduziu ainda mais as chances de gravidez natural. “Eu não queria sair da cama. Não queria trabalhar, tampouco ver gente. Era como se tivesse fracassado”. Jen diz que só conseguiu superar todas essas perdas com a ajuda e apoio do marido e da família.

Em 2007, na primeira tentativa, a mulher engravidou com facilidade, mas teve um aborto espontâneo com seis semanas de gestação, antes mesmo de descobrir sobre a gravidez. “Fiquei triste, mas não completamente devastada”, relembrou durante a entrevista à BBC. Após a primeira perda foram 18 meses até conseguir engravidar outra vez, mas Jen perdeu o bebê de novo com 11 semanas.

“Andrew e eu ficamos arrasados, especialmente porque fiquei internada para fazer curetagem, isso envolveu horas de sangramento e dor”, conta a mãe.

Jen disse que só foi possível passar por tanto sofrimento e persistir por causa do marido e da família (Foto: reprodução / Facebook / Jen Bickel)

Os amigos do casal estavam começando a construir família, ter filhos, e embora os dois ficassem felizes por eles era bastante doloroso ver isso e não conseguir engravidar. “Isso tornava nossas perdas ainda mais acentuadas. Pessoalmente, não conseguir deixar de me culpar. Por que meu corpo estava me boicotando?”, confessou a britânica.

Em 2009, Jen voltou a perder outro bebê depois que uma ultrassom apontou que a criança já não tinha mais batimentos cardíacos. “Em 2010 decidimos tentar a fertilização in vitro, esperando que fosse resolver o problema. Mal sabíamos o quão difícil este processo seria”, comentou.

Na primeira tentativa, os médicos geraram 10 embriões, mas nenhum vingou. Meses depois, Jen e Andrew tentaram novamente e o teste de gravidez deu positivo. “Mas mais uma vez o bebê não tinha batimentos cardíacos”.

Já nessa etapa, Jen lembra que os dois ficaram desesperados. “Pegamos 2 mil libras para realizar exames em laboratórios particulares, fizemos acupuntura e compramos suplementos, mas nada ajudou”, relembrou. Mesmo com toda dificuldade eles não queriam desistir, então continuaram tentando.

“Em 2014, implantamos dois embriões em uma clínica particular, mas, no mês de outubro, quando saí para comemorar meu aniversário, senti uma forte dor abdominal, que acabou revelando uma gravidez ectópica (quando a gestação ocorre fora do útero)”, disse Jen. Acabaram as opções por fertilização in vitro. Não tinham mais embriões congelados, nem dinheiro para um novo tratamento.

“Mas, incrivelmente, recebemos outra chance quando a clínica de fertilização in vitro nos ofereceu uma rodada grátis, após as enfermeiras terem votado na gente como o casal mais merecedor. Implantamos dois embriões e congelamos três”, detalhou a mãe.

(Foto: Dixon & Dixon Photography)

Jen teve mais duas gestações ectópicas e ficou muito triste. “Durante uma década, engravidei 10 vezes, seis de forma natural e quatro por fertilização in vitro. Não aguentávamos mais”, contou. Só restaram os três embriões congelados, era a última esperança do casal.

“Demoraram meses até os médicos considerarem o revestimento do meu útero espesso o suficiente para tentar mais uma vez. Quando isso aconteceu, implantamos um embrião e, depois de uma espera agonizante de duas semanas, eu estava grávida”, relembrou.

Jen conta que os dois tentaram não ter muitas esperanças. “Mas havia algo diferente desta vez, um pequeno batimento cardíaco. Apesar dos enjoos matinais e da descoberta de que era um menino, Andrew achava difícil acreditar”, contou a mãe. A britânica disse que o marido não quis comprar o enxoval, nem decorar o quarto até as últimas semanas antes da data prevista para o parto. “Devido à minha idade, tinha 40 anos, o parto foi induzido para garantir que a placenta não falhasse”, contou.

Deu tudo certo, Bobi William Bickel está com seis semanas de vida e a mãe diz não se importar quando ele chora todos os dias. “Eu tenho tudo que sempre quis. Somos sortudos”.

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