Mãe fala sobre a experiência de ser barriga de aluguel: “Estar grávida do filho de outra pessoa é surreal”

Lindsay Curtis já gestou uma criança para outro casal por duas vezes

Lindsay foi barriga de aluguel duas vezes (Foto: Reprodução / Parents)

Lindsay Curtis estava olhando fotos antigas de seu celular, quando ela se deparou com a foto de uma menina com cabelos loiros, olhos azuis e um sorriso com covinhas. Na foto, ela estava no meio dos dois pais e sorrindo.

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“Olhando nos olhos daquela garotinha – agora uma adolescente – não pude deixar de pensar no dia em que ela nasceu. O dia em que dei à luz pela primeira vez e ajudei dois homens a se tornarem pais. O dia em que meu coração se despedaçou e se remendou ao mesmo tempo”, conta Lindsay.

Em dezembro de 2003, Natalie nasceu depois de quase 48 horas de trabalho de parto. Seus pais estavam no quarto enquanto ela respirava pela primeira vez e os gritos enchiam o quarto. Lindsay chorou junto dela. “Derramei muitas lágrimas: de alívio por ela ter nascido, de orgulho por ela ser perfeitamente saudável, de mágoa porque ela era biologicamente minha, mas não era minha”.

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Lindsay deu à luz como barriga de aluguel: ela usou seus óvulos para conceber e dar à luz um bebê para dois homens criarem. Quinze meses depois, ela deu à luz outra menina saudável, chamada Daisy.

“Quando eu tinha 20 e poucos anos, meu instinto maternal entrou em ação e eu tive uma forte vontade de ter um bebê. Eu era jovem, então eu sabia que não estava em posição de ser mãe. Meu desejo de experimentar a gravidez foi colocado em segundo plano até que eu assisti uma reportagem sobre maternidade de aluguel”, ela conta.

“Enquanto eu assistia, falei para meu namorado que queria fazer aquilo. Um tempo depois, coloquei um anúncio online em um site de aluguel para encontrar pais. Não demorou muito para me conectar com um casal gay que eu iria ajudar. Nós nos demos bem imediatamente e, em poucos meses, eu estava grávida“, diz Lindsay.

Como alguém que se tornou mãe de aluguel antes de ter os próprios filhos, a história de Lindsay é menos comum. A maioria das agências e clínicas de fertilidade não trabalha com uma mulher sem que ela já tenha um filho. “Eu busquei a maternidade sem a ajuda de uma agência ou de uma clínica para facilitar, então joguei o convencional de lado”, conta Lindsay.

Lindsay explica que, mesmo sem trabalhar com uma clínica de fertilidade, os pais que a escolheram decidiram contratar advogados. “Nós tínhamos um contrato para esclarecer as expectativas durante a gravidez e depois, para ter certezas de que estávamos todos na mesma página”, conta. “Nenhum contrato pode preparar os pais para a jornada que está por vir. É um caminho repleto de emoções, mesmo quando as coisas vão bem”.

Por conta de sua idade, Lindsay engravidou rapidamente. “Estar grávida do filho de outra pessoa é uma experiência surreal”, ela confessa. Lindsay conta que uma das perguntas mais frequentes que fizeram para ela, tanto durante a gravidez quanto depois, era: você se apegou aos bebês que carregava?

“Claro que me apeguei. Como eu não poderia? Mesmo quando não estou grávida, sou movida pelas minhas emoções. Com hormônios, era impossível ficar distante”, ela conta. “Queria que os bebês sentissem meu amor e esperassem que eles levassem esse amor com eles enquanto passavam suas vidas com suas famílias. Eu lamentei muito a ausência deles quando eles foram para suas casas”.

Lindsay conta que, felizmente, os pais mantiveram contato com ela e ela tem muitas lembranças com Natalie e Daisy. Agora que são adolescentes, minhas experiências parecem uma memória distante. Lindsay tem uma filha de 6 anos.

Outra pergunta que é feita com frequência para Lindsay é se ela se arrepende. “Isso é difícil de responder. Não me arrependo das duas vidas que ajudei a criar. Eu acho incrível saber que há duas famílias criando filhas que estão sendo muito amadas”, ela responde.

Lindsay confessa que, se ela tivesse seus próprios filhos antes de ser barriga de aluguel, talvez ela não tomasse essa decisão. “Como uma jovem sem filhos, eu não tinha como saber do que estava desistindo. Agora sou mãe e aproveito a maternidade, tenho certeza que não conseguiria gerar um bebê e não fazer parte da vida dele”, ela conta.

“Ser barriga de aluguel não é uma decisão fácil”, ela confessa. “Porém, isso mudou tudo sobre quem eu sou. Mudou minha família, meu relacionamento com outras pessoas. Afetou a maneira como eu sou mãe. Eu sinto uma sensação de paz e orgulho em saber que isso mudou a vida das famílias que eu ajudei a criar”.

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