Mãe faz desabafo sobre estar grávida na pandemia: “Me senti culpada, sozinha e carente”

Kimberly Barbeitos, mãe de Katarina, Kamilie e Martin, compartilhou com a Pais&Filhos como foi estar grávida em meio a um período conturbado. Entenda sobre os medos e incertezas que aconteceram na reta final da terceira gestação

Resumo da Notícia

  • Kimberly Barbeitos abriu o coração sobre as incertezas de estar grávida na pandemia
  • Tire as principais dúvidas sobre gravidez e coronavírus
  • Entenda a importância do fortalecimento dos vínculos familiares

Com a pandemia do novo coronavírus, diversas grávidas passaram por momentos de ansiedade e incertezas. O que se sabe até agora sobre a relação da covid-19 com a gestação é de que essas mulheres, se comparadas com outras da mesma faixa etária e que não estão esperando por um bebê, possuem riscos maiores.

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O corpo e a rotina mudam completamente durante a gravidez (Foto: Getty Images)

Para Kimberly Barbeitos, mãe de Katarina, Kamilie e Martin, essa sensação não foi diferente. “Quando o isolamento social começou eu estava com 35 semanas, reta final da gestação. Tive muito medo de contrair a doença e perder meu filho ou ele nascer antes da hora”, contou em uma conversa com a Pais&Filhos.

Por ser um momento muito delicado na vida da mulher, o corpo passa por diversas alterações, os pensamentos mudam, a rotina fica diferente e as preocupações e cuidados com a saúde só aumentam. De acordo com a Dra. Thalita Domenich, ginecologista e obstetra, mestre em Ginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP, filha de João Carlos e Ana Regina, é muito importante ficar de olho em qualquer tipo de infecção durante esta fase.

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“Mesmo assim, devemos considerar que qualquer infecção nas gestantes pode levar a abortamento ou trabalho de parto prematuro. Em relação ao bebê, os estudos não demonstram transmissão via placentária; entretanto, em alguns casos houve contaminação no momento do parto”, explicou.

Kimberly enfrentou diversos medos e incertezas durante a gestação do terceiro filho (Foto: Arquivo Pessoal)

Durante os últimos meses de gravidez, Kimberly precisou cancelar o chá de bebê às pressas por causa da pandemia. “Estava programado para o dia 28 de março e em meu município, o isolamento começou no dia 20 de março. Tudo estava pronto: decoração, lembrancinhas, bebidas e alimentação comprados. Desmarcamos com muita tristeza. Fiquei muito chateada, principalmente porque estava sendo privada de receber todo carinho e boas vibrações daqueles amigos e familiares que tanto amamos. Em meu pensamento, pesava a sensação de que meu pequeno Martin não receberia todo esse amor”, desabafou.

Quando Martin veio ao mundo, a mãe de terceira viagem sentiu falta de estabelecer vínculos, e curtir mais com os filhos. “Me senti culpada, sozinha, carente e triste, mesmo tendo meu esposo, minhas filhas e minha mãe comigo. Novamente o sentimento de ter o privamento do carinho e atenção dos familiares e amigos preencheu meu coração”, lembrou. “Doeu não poder receber abraços, visitas, conversar, rir e me distrair. Eu estava 24h imersa na rotina da casa com 2 crianças em aulas remotas, marido em home office e as necessidades de um recém-nascido”.

(Re)nascimento

Atualmente, Martin está com 6 meses (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar das mais diversas dificuldades, a pandemia também trouxe momentos de reflexão, que vieram para ficar. “Aprendemos a dar mais valor aos momentos em família, estamos mais unidos. O Martin teve que aprender na marra que tem um pai que fala alto, que sua irmã do meio adora brincar de imaginar e que sua irmã mais velha gosta de ouvir música alta. Hoje gostamos de assistir filmes juntos, estamos todos mais envolvidos com os cuidados com a casa”.

Conselho de ouro

A pandemia trouxe o fortalecimento de diversos vínculos (Foto: Arquivo Pessoal)

Para as mães que também estão passando por essa fase, Kimberly reforça que elas não estão sozinhas e que apesar da dor e culpa, é muito importante buscar o apoio e a ajuda na família. “O amor de amigos e familiares nos fortalecem, mas que em nome da saúde de todos o isolamento se faz necessário”, concluiu.

Dúvidas sobre coronavírus na gravidez

As grávidas fazem parte do grupo de risco do covid-19?

Inicialmente, as grávidas não foram incluídas no grupo de risco da doença, pois ela parece se comportar nas gestantes exatamente como na população de baixo risco. No entanto, devemos considerar que o fato de uma mulher estar grávida leva a uma série de alterações hemodinâmicas, como aumento do débito cardíaco e diminuição da capacidade respiratória, que aí sim pode gerar complicações caso ocorra a contaminação pelo novo coronavírus. Além disso, a gestação é um momento de imunossupressão onde a doença pode ter um desfecho mais grave.

As grávidas infectadas transmitem a doença para o bebê?

Os estudos não mostraram transmissão do vírus de mulheres infectadas via placentária. É provável que, nesse caso, a placenta se comporte como uma barreira para o vírus.

Quais os cuidados que as grávidas precisam tomar para se prevenir do coronavírus?

Os mesmos cuidados que a população geral: uso de máscaras, lavagem frequente das mãos e isolamento social.

Como fica o pré-natal durante a pandemia? A gestante deve manter as consultas presenciais indo ao obstetra ou hospital?

Sim, até porque a covid-19 é uma doença muito nova e certamente ainda não temos todo o conhecimento do seu comportamento na gestação. É preciso continuar fazendo seu pré-natal regularmente, onde as consultas presenciais são fundamentais para controle de peso e pressão arterial. Deverá comparecer preferencialmente desacompanhada, no horário marcado para evitar encontro com outros pacientes, ir de máscara e não retirá-la em nenhum momento, além de higienizar as mãos com álcool em gel sempre que possível.

Quais os cuidados na hora de ir para o hospital?

A gestante deverá utilizar máscara, usar álcool gel nas mãos e sempre levar seu cartão pré-natal.

Quais cuidados devem ser tomados durante o parto?

As maternidades que atendem por convênio em São Paulo, por exemplo, estão solicitando que a paciente e o acompanhante realizem o teste para coronavírus até 2 dias antes, em caso de parto agendado, para que utilizem equipamentos de proteção específicos se o resultado do exame der positivo. De qualquer maneira, a principal recomendação é que todos da equipe, a paciente e o acompanhante utilizem máscaras durante toda a internação e o parto, além da adequada higienização das mãos.

As mulheres infectadas pela covid-19 podem amamentar? Quais os cuidados necessários?

Sim, a recomendação universal é que a amamentação seja realizada sempre que possível; só não ocorrerá caso a paciente esteja em ventilação mecânica. É preciso fazer isso sempre de máscara e lavar bem as mãos antes e depois das mamadas.

A mãe pode tocar ou segurar o bebê se tiver covid-19?

Sim, desde que higienize bem as mãos e utilize máscara a todo momento. Entretanto, a mãe não deve beijar a criança.

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