Médico que agrediu mulher grávida durante trabalho de parto morre de insuficiência respiratória

Ele também era acusado de cobrar R$ 2 mil de uma paciente para a realização de um parto em um hospital público de Manaus, em 2012

O obstetra Armando Andrade Araújo faleceu no dia 29 de julho de 2020, segundo o Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM), por insuficiência respiratória.

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O médico foi denunciado por um caso de violência obstétrica, em 2018, quando um vídeo gravado dentro da maternidade Balbina Mestrinho mostrou o médico xingando e agredindo fisicamente uma mulher em trabalho de parto.

(Foto: Reprodução/Facebook)

Ele também era acusado de cobrar R$ 2 mil de uma paciente para a realização de um parto em um hospital público de Manaus, em 2012. O atendimento à paciente teve início no Instituto da Mulher, onde ela chegou no dia 8 de março de 2012, mas, como o plantão do médico Armando Andrade estava acabando, ele pediu para a vítima ir para casa e comparecer em outra maternidade às 7h da manhã seguinte. O parto só foi feito no dia 9 de março. Na ocasião, o médico cobrou R$ 2 mil da paciente, para a realização do parto, na maternidade pública. O processo foi julgado em julho de 2019, na 1ª Vara Criminal da Comarca de Manaus.

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Relembre o caso

Além da agressão, em que o médico bate com as duas mãos na virilha da gestante, o registro provou diversas irregularidades no momento do parto: a paciente está completamente nua e sem o avental hospitalar específico usado em maternidades, além do médico colocar a mão em cima das partes genitais da mulher.

Violência obstétrica

No Brasil, dados mostram que 25% das mulheres já sofreu algum tipo de violência obstétrica. Sem saber, muitas mães já foram vítimas desse tipo de agressão, que pode ser física ou verbal, durante ou antes do parto.

“Agressões físicas e verbais são consideradas violência em qualquer especialidade médica, isso é indiscutível. O consentimento é essencial. Quando a relação é de confiança, acolhimento e empatia, toda a intervenção necessária é aceita sem que haja desconfortos ou disputas, sabendo que todos estão buscando a melhor forma de nascimento para esse bebê”, explica Fabiana Garcia, ginecologista e obstetra e sócia-fundadora do Espaço MAE, dedicado ao atendimento integral da mulher e da gestação.

“Através de vídeos absurdos como esse, a gente constata a tristeza e a revolta sobre como ainda existe uma situação de poder do médico sobre a paciente. Um sistema misógino e desrespeitoso que não proporcionou a essa paciente as possibilidades de escolhas de ser ouvida por suas vontades”, reitera Paulo Noronha, médico especialista em medicina fetal.

A Organização Mundial da Saúde fez uma lista de possíveis violências no parto para que as gestantes e acompanhantes saibam identificar e combater nos hospitais e maternidades: abuso físico, abuso sexual, preconceito, discriminação, não cumprimento dos padrões profissionais de cuidado, mau relacionamento entre as gestantes e os profissionais e condições ruins do sistema de saúde.