Gravidez

Saiba o que aconteceu com o médico que agrediu grávida durante parto em vídeo que viralizou

O caso aconteceu em Manaus e chocou o Brasil

Jéssica Anjos

Jéssica Anjos ,filha de Adriana e Marcelo

O caso aconteceu em Manaus (Foto: Reprodução/Facebook)

A imagem acima é de um vídeo que mostra um médico agredindo fisicamente e moralmente uma paciente grávida durante um trabalho de parto no Hospital Balbinha Mestrinho, em Manaus. De acordo com o Correio Brasilienseo senhor que aparece na gravação é Armando Andrade Araújo e foi completamente afastado do Instituto Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam), onde trabalhava. O especialista era responsável pelos atendimentos de ginecologia e obstetrícia nas maternidades públicas do estado do Amazonas.

O caso, que você pode assistir no vídeo abaixo, aconteceu em maio de 2018. Porém só veio à tona recentemente através de uma publicação feita no Facebook na última semana. Na gravação é possível ver Armando sem paciência com a paciente, que na época tinha apenas 17 anos de idade.

O médico chega a bater com as duas mãos na virilha da menina durante o trabalho de parto, porque ela não tinha forças para empurrar o bebê. A sogra, visivelmente desesperada, pede para que levem a menina para a sala de cirurgia porque não tinha mais condições de ter a criança por parto normal.

De acordo com denúncias, o médico de 70 anos já foi preso em 2015 na “Operação Jaleco” da Polícia Civil, que colocou na cadeia profissionais de saúde suspeitos de participação em um esquema de cobrança ilegal de cirurgias em unidades de saúde da rede pública do Amazonas — eles chegavam a cobrar entre 1 mil e 2,8 mil reais para fazerem cirurgias em hospitais públicos. Armando exigia das famílias altos valores para fazer cirurgias de cesáreas, além de abusar sexualmente das pacientes ao examiná-las na sala de repouso.

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) disse ter descoberto a existência do vídeo apenas na última terça (19) por meio das redes sociais. Segundo a maternidade, a família não fez denúncia na Ouvidoria na época da gravação do vídeo.

A Susam está encaminhando à Procuradoria Geral do Estado o pedido de afastamento do médico ginecologista obstetraArmando Andrade Araújo. O profissional é do quadro terceirizado, contratado pelo Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde para mais informações. A assessora de comunicação do órgão, Roseane Mota, enviou uma nota de esclarecimento sobre o caso:

“A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informa que o fato divulgado no vídeo que circula nas redes sociais e na imprensa é de 2018, ocorreu há nove meses na maternidade Balbina Mestrinho e que tomou conhecimento hoje por meio das redes sociais. Não há qualquer registro na maternidade ou na Ouvidoria à época de denúncia.

A Susam não está de acordo com o tipo de conduta praticada pelo médico. Por este motivo,  o vice-governador e secretário de estado de Saúde, Carlos Almeida, irá solicitar à direção do Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam), empresa ao qual o profissional é cooperado, o seu afastamento. E também reiterar pedido de providências ao Conselho Regional de Medicina (CRM). Já tramita na secretaria um processo administrativo para apurar outra denúncia de negligência contra o médico”.

A Organização Mundial da Saúde fez uma lista de possíveis violências no parto para que as gestantes e acompanhantes saibam identificar e combater nos hospitais e maternidades: abuso físico, abuso sexual, preconceito, discriminação, não cumprimento dos padrões profissionais de cuidado, mau relacionamento entre as gestantes e os profissionais e condições ruins do sistema de saúde.

Leia também:

Absurdo: vídeo mostra médico agredindo mulher grávida durante trabalho de parto

Desabafo: “Se por um lado não sofri violência obstétrica, por outro sofri a violência emocional”

Ser mãe é padecer nas siglas