Saúde da gestante: saiba os principais cuidados que você precisa ter durante a gravidez

A gravidez é uma experiência única que traz diversas mudanças no corpo, além de muitas dúvidas sobre quais cuidados ter e o que fazer para cuidar do bebê da melhor forma possível. Por isso, é superimportante seguir algumas orientações durante os três trimestres da gestação.

Resumo da Notícia

  • A gravidez é uma experiência única que traz diversas mudanças no corpo, além de muitas dúvidas
  • É superimportante seguir algumas orientações durante os três trimestres da gestação
  • Fazer o pré-natal da maneira correta, ter vacinação durante a gestação em dia e manter hábitos saudáveis são 3 atitudes que fazem toda a diferença

A gravidez é um dos momentos mais importantes na vida da mulher, além de ser uma experiência única. Com todas as mudanças do corpo, surgem diversas dúvidas sobre quais cuidados ter e o que fazer para cuidar do bebê da melhor forma possível. Por isso, é superimportante seguir algumas orientações durante os três trimestres da gestação.

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Manter a saúde na gravidez não se resume apenas a ter bons hábitos alimentares, praticar exercícios físicos e ter um bom descanso. É essencial o complemento de tudo isso com os exames de pré-natal, não consumir bebidas alcoólicas ou substâncias ilícitas, não fazer uso de medicamentos sem orientação médica e, principalmente, ficar de olho no calendário de vacinação da gestante. ¹,²

Finalidade do pré-natal

O Dr. Igor Padovesi, ginecologista e obstetra, pai de Beatriz e Guilherme, listou o período como essencial. “Além dos exames, o pré-natal tem uma importância muito maior, pois ele serve para acompanhar a evolução normal da gestação, prevenir doenças, tanto da mãe como do bebê, orientar sobre as mudanças que irão acontecer no corpo da mulher e saber identificar os sinais de alerta, doenças que não são preveníveis, preparação para o parto e para a maternidade, além de questões psíquicas e emocionais. Portanto, além dos exames se fala também sobre alimentação, ganho de peso, suplementação e vacinas”.

Para cada um dos trimestres, o especialista reforça que existem exames, particularidades e vacinas específicas. “No primeiro trimestre é preciso informar sobre o risco de aborto espontâneo, a possibilidade da mulher ter sangramentos, que nem sempre significam aborto, e os sintomas classicos de gravidez, como enjoo, vômitos, cansaço, sonolência, que tendem a desaparecer entre 12 e 15 semanas”.

A vacinação durante a gravidez também é um ato de carinho

Segundo o especialista, o segundo trimestre é o momento mais tranquilo por ter menos exames e poucos sintomas, além de ser a fase em que a barriga começa, de fato, a crescer. “Algumas características neste trimestre são o útero aumentando e nas 20 semanas quando a mulher começa a perceber o bebê mexendo”. O terceiro e último trimestre da gestação podem vir acompanhados de um maior desconforto. “Dor nas costas, dificuldades para se movimentar, fase que começam as contrações de treinamento e o início da preparação para o parto”.

Vacinar também é um gesto de carinho

Você sabia que o bebê já começa a receber a imunidade contra diversas doenças desde a barriga da mãe?³ A partir da vacinação, que deve acontecer antes e durante a gravidez, o embrião fica protegido de diversos problemas como, por exemplo, a coqueluche, uma doença grave e bastante contagiosa, que pode ser fatal ³-⁴. “Durante os seis e doze meses de vida, é quando o bebê começa a desenvolver a própria imunidade. Então, de forma passiva, ele recebe os anticorpos da mãe de forma passiva, tanto pela placenta, como pela amamentação”, explica o especialista.

Vale lembrar que cada uma das vacinas são desenvolvidas nos mais altos padrões de segurança, além de serem estudadas e monitoradas por anos.³ Apenas em poucos casos é possível notar efeitos colaterais leves como, sensibilidade no local aplicado, vermelhidão e inchaço.³ De maneira gratuita, o Ministério da Saúde oferece as quatro vacinas que a gestante precisa tomar: dTpa (difteria, tétano e coqueluche); dT (difteria e tétano); hepatite B e a de gripe (Influenza), disponível durante as campanhas anuais.5 Ana Clara Medina, Farmacêutica, Gerente Científica de Vacinas da GSK Brasil, mãe de Benjamim, reforça que “a prescrição das vacinas deve ser sempre individualizada, então é importante que aquela gestante seja avaliada”.

Ainda sobre a importância de se preocupar com a caderneta de vacinação desde cedo, a farmacêutica orienta: “O ideal é que a mulher comece a atualizar a carteira de vacinação antes da gestação, porque ela deve seguir o calendário do adulto, normalmente, e atualizar aquelas que não vão poder ser feitas durante a gestação”.

Obstetras recomendam que grávidas mantenham hábitos saudáveis

O que evitar

Além de todas as orientações a serem seguidas, é importante ressaltar também o que não é indicado para a gestante. Algumas recomendações apontadas pelo obstetra são: “Não ingerir bebida alcoólica, não fumar e não usar drogas ilícitas, evitar atividades físicas de impacto, com saltos e luta, por exemplo, dietas específicas ou jejum intermitente, fazer tatuagens e doar sangue”.

Para ter uma gravidez ainda mais saudável, é importante ficar de olho na alimentação, evitando comer em excesso e limitar a  cafeína⁶,⁷.  Também é fundamental não esquecer do protetor solar, não tomar medicamentos sem orientação médica e ainda dormir o suficiente, entre 8 a 10 horas de sono por noite⁶,⁷,⁸.

A saúde mental também importa!

Por ainda ser um assunto considerado tabu, muitas vezes a saúde mental e emocional da gestante pode ser deixada de lado. O Dr. Igor Padovesi explica que, desde o início, o tema precisa ser abordado: “É importante avaliar como está a aceitação da gravidez, porque a incidência de gestações não planejadas no Brasil e no mundo é altíssima e, por vezes, é algo que, como existe um tabu social, não é compartilhado, mas existe uma vivência interna problemática em relação a aceitação da gestação”.

Sobre o problema, chamado de depressão perinatal, os dados são alarmantes⁹. “Estima-se que 80% das mulheres não são diagnosticadas, porque não trazem esse problema e não compartilham. Apenas 1 de 5 são tratadas corretamente”, comenta Igor. Para identificar a situação, o obstetra contou como funciona: “Existem ferramentas um pouco mais específicas para isso e questionários em que a mulher dá informações. Isso ajuda o especialista, de uma forma um pouco mais objetiva, a filtrar a paciente que precisaria de uma avaliação específica psicológica ou psiquiátrica. Na prática, ainda é um problema muito grande e que precisa ser monitorado”, conclui.

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE. Orientações às gestantes. Disponível em <http://www.ans.gov.br/prevencao-e-combate/orientacoes-as-gestantes> Acesso em: 7 jan. 2021
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário Nacional de Vacinação Disponível em: <http://www.epi.uff.br/wp-content/uploads/2013/10/calend-sbim-gestante.pdf> Acesso em: 7 jan. 2021
  3. CENTER FOR DESEASE CONTROL AND PREVENTION. Vaccines and Pregnancy Home. Vaccines & Pregnancy: Top 7 Things You Need to Know. Disponível em: <https://www.cdc.gov/vaccines/pregnancy/pregnant-women/need-to-know.html> Acesso em: 7 jan. 2021
  4. THE ROYAL CHILDREN’S HOSPITAL MELBOURNE. Whooping cough. Disponível em: <https://www.rch.org.au/kidsinfo/fact_sheets/Whooping_cough/#:~:text=Whooping%20cough%20is%20especially%20dangerous,or%20close%20contacts%20are%20infected>. Acesso em: 7 jan. 2021
  5. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Verdades e mentiras sobre a vacinação em gestantes. Disponível em: <https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-gestante.pdf> > Acesso em: 7 jan. 2021
  6. NATIONAL HEALTH SERVICE. Health things you should know in pregnancy. Disponível em <https://www.nhs.uk/pregnancy/finding-out/health-things-you-should-know-in-pregnancy/>. Acesso em 7 jan 2021
  7. UC SAN DIEGO HEALTH. 36 Tips for a Healthy Pregnancy. Disponpivel em: <https://health.ucsd.edu/news/features/pages/2016-01-05-36-pregnancy-tips-listicle.aspx> Acesso em 7 jan 2021
  8. FAMILY DOCTOR. Sleep and Pregnancy. Disponível em <https://familydoctor.org/getting-enough-sleep-pregnancy/>. Acesso em: 7 jan de 2021
  9. National Center for Biotechnology Information. Perinatal depression: implications for child mental health. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3083253/> Acesso em: 12 jan de 2021