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Gravidez

Tudo sobre o segundo trimestre da gravidez: cuidados, exames e mudanças no corpo

Conheça as emoções e sintomas que você vai passar nessa segunda fase

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

No segundo trimestre da gestação, a ideia da gravidez torna-se mais concreta e interessante (Foto: Getty Images)

Depois do desafiador primeiro trimestre, chega a melhor parte da gravidez. Afinal, é a partir daí que você pode, finalmente, contar a outras pessoas que está grávida. Neste período também você começa a ser mais paparicada, se sentir quase uma celebridade, e poderá sentir seu bebê mexer. A ideia da gravidez torna-se mais concreta e interessante.

É no segundo trimestre também que é possível descobrir o sexo do bebê e sentir ainda mais a ideia de estar esperando um filho. Neste ponto, é provável que você se encontre com um sorriso de orelha a orelha, se pegue rindo alto em uma reunião chata de trabalho e o que muitas mulheres sentem é um aumento de libido, graças a maior quantidade de sangue fluindo pelo corpo.

Emoções à flor da pele

Quando se está grávida, qualquer coisa faz chorar. Desde um pedaço de queijo até uma propaganda de fraldas. É uma emoção atrás da outra, e você acha que ninguém em volta te entende. Sabe quando você está no auge da emoção? Parece que algum ser está invadindo o seu cérebro (além daquele que cresce na barriga). Mas, calma. Não é que você esteja louca, ou sendo controlada por alienígenas. A mudança de humor é normal durante a gravidez. É durante esse período que acontecem mudanças nos níveis hormonais, além das mudanças físicas e emocionais. Então, não estranhe: enquanto sua barriga cresce, é normal que você chore, dê risada e esqueça o próprio nome – às vezes, tudo isso em poucos minutos.

Os desejos malucos

Chupar limão, comer quilos e quilos de doces e até comer tijolo. São desejos que muitas grávidas têm e ninguém – muito menos os futuros pais – entendem o porquê. Essas vontades não são simples caprichos, mas sim uma resposta do organismo da mulher às necessidades do corpo dela e do bebê que vai nascer. Totalmente normal. Não há nada comprovado em relação a esse fenômeno, mas o que os médicos percebem é que as vontades estão intimamente ligadas aos diferentes períodos da gravidez.

No segundo trimestre da gravidez, quando os enjoos já não aparecem tanto, o corpo da mulher precisa de mais energia para formar o bebê. É daí que vem o desejo de comer alimentos calóricos, como doces, massas, gorduras e carboidratos em geral. Já nas últimas semanas de gestação, o útero está bastante distendido e chega a comprimir o estômago, o que faz com que a grávida não consiga comer muito, mesmo que sinta fome normalmente.

Episódios extremos, como vontade de ingerir coisas não comestíveis, como tijolo ou terra, não são considerados normais, e podem ser observados em mulheres que não têm uma alimentação adequada e saudável. Esses desejos indicam uma deficiência intensa de algum nutriente. Hoje, é difícil ver ocorrências desse tipo em grandes cidades, onde o acesso à alimentação é maior.

Em alguns casos, esse tipo de desejo também pode ser fruto de um distúrbio psiquiátrico, o que pode acontecer com qualquer mulher, grávida ou não. É por isso que, no caso das gestantes, é muito importante que o ginecologista questione no exame pré-natal se há antecedentes psiquiátricos no histórico da paciente. A gravidez, por ser um período em que a mulher fica muito suscetível ao emocional, pode desencadear uma doença desse tipo. Sentir vontade de comer coisas engraçadas tem um limite, e é essencial ficar atenta aos sintomas como depressão e bipolaridade, ok?

O muda no corpo?

Agora, as mudanças no corpo da gestante são consideráveis, como aumento de peso, mudança no formato do rosto e até um possível inchaço na face. Os cuidados são para evitar trabalho de parto prematuro e ruptura da membrana amniótica, mantendo o repouso quando indicado pelo obstetra.

Com o corpo, é preciso manter uma alimentação saudável, rica em vitaminas, com frutas e legumes, e ingerir bastante água. Se você for para praia no final do ano, não se esqueça de usar chapéu, bloqueador solar, ficar longe do sol entre às 10 e 16 horas e estar sempre protegida pelo do guarda-sol. As viagens de avião estão garantidas até a 32ª semana de gestação. A mudança na cor do cabelo também é liberada, dando preferência aos tonalizantes, luzes ou reflexos.

Hora das compras!

Agora que você já passou pelo primeiro trimestre e já garantiu cremes, óleos, algumas roupas que você amou e comprou na empolgação, é a hora de começar a pensar mais alto. No segundo trimestre as peças já podem ser oficialmente compradas, os produtos de higiene e também a cadeirinha, que é megaimportante. Mas vamos falar de cada mês individualmente, para você fazer tudo com calma:

No quarto mês:

Agora você já sabe quantos bebês virão e, se quiser, também o sexo. Concentre-se no quarto: berço, colchão, protetor de colchão e lençóis de baixo! O pediatra da maternidade Pro Matre Paulista, André Dutra, filho de Maria Lúcia e Francisco, adverte contra cobertas superiores e travesseiros: ambos devem ser evitados pelo risco de sufocamento, segundo ele. “Além disso, o travesseiro pode elevar demais a cabeça do bebê e dificultar sua respiração.” Ou seja, desapegue dos conjuntos de cama e foque num lindo móbile com música como arremate perfeito para a hora de dormir do seu filho. E, enfim, podem ser comprados os primeiros looks do bebê: bodies, calças culotes, camisetas, meias e casaquinhos. Para você também! Garanta que você tenha vestidos soltos, batas, leggings e jeans de grávida para os próximos meses.

No quinto mês:

Que tal tirar parte deste mês para se dedicar à higiene do bebê? Comece pela banheira ou balde, conforme sua preferência. Inclua no cartão de crédito: cueiros, fraldas de pano, toalhas, kit higiene (potes de algodão, garrafa térmica, etc.), kit manicure (ou só uma tesourinha!) e um aspirador nasal. É nessa fase que o peso da barriga começa a fazer diferença. Com isso, você também vai notar o inchaço das pernas e pés, o que pode incomodar muito nas atividades do dia a dia. Para ajudar a resolver o problema, cremes e meias elásticas podem ser seus melhores amigos, inclusive se você quiser continuar borboleteando pelas lojas para escolher cada detalhe dos novos produtos. Esse também é o momento de começar a adotar as calcinhas mais confortáveis – mês que vem, a barriga vai dar um salto no tamanho, então é bom estar preparada!

No sexto mês:

Hora de planejar os passeios. Com muita calma, escolha o carrinho que vai levar seu filho por aí. Ele deve ser fácil de montar e desmontar – imagine-se sozinha colocando-o no porta-malas! Outra dica preciosa: modelos com rodas grandes são mais resistentes a pavimentos irregulares. Do mesmo departamento, vem a cadeirinha do carro. Como seu filho vai usá-la até por volta dos 7 anos, aposte naquelas que se adaptam às várias fases do crescimento. Para encerrar o ciclo das compras de passeio, não se esqueça do canguru ou do sling para andar com o bebê bem grudado em você. Os acessórios do carrinho (colchão, lençóis, brinquedos) e um tapa-sol de carro podem também ser adquiridos nesta fase. E, claro, aquela bolsa que servirá para carregar todos os itens do bebê no primeiro ano que tenha a sua cara, afinal é você quem vai usar.

Exames em dia

A partir da 16ª semana:

– Amniocentese: é a coleta de líquido amniótico por meio de agulha guiada por ultrassom para avaliação do cariótipo ou infecções fetais. Também pode ser utilizado para confirmação diagnóstica no caso de NIPT alterado.

Entre a 18ª e a 24ª semana:

– Morfológico do segundo trimestre: detecta as deficiências estruturais e marcadores de cromossomopatias no feto, que consegue diagnosticar 85% das malformações fetais. O exame serve para avaliar detalhes da formação do cérebro, coração, tórax, órgãos abdominais, membros, genitália, coluna, pés e mãos.

– Doppler colorido das artérias uterinas: faz o rastreio das pacientes de maior risco para desenvolvimento de pré-eclâmpsia ou de fetos muito pequenos no decorrer da gestação.

– Avaliação do colo uterino via transvaginal: é a época mais indicada para rastreamento de risco do parto prematuro, por meio da medida do colo uterino. Se diagnosticado um colo curto, as formas de prevenção precisam ser imediatamente implantadas.

A partir da 20ª semana:

– Ecocardiograma fetal: faz o diagnóstico precoce de malformação cardíaca que pode ser essencial para um planejamento do parto e acompanhamento da equipe de cardiologia pediátrica.

Entre a 26ª e a 30ª semana:

– Obstétrico 3D/4D: são geradas imagens do feto em três ou quatro dimensões e em tempo real. É a maneira mais real de conhecer o rostinho do bebê!

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