Criança

Autoestima infantil: 9 maneiras para desenvolver essa qualidade na vida do seu filho

Para evitar que seu filho tenha uma baixa autoestima, é extremamente importante ensiná-lo a lidar com críticas, inseguranças e frustrações

Rhaisa Trombini

Rhaisa Trombini ,Edileyne e Geraldo

Ensine seu filho a amar a si mesmo (Foto: iStock)

Positivo, maduro, corajoso, proativo. Toda família sonha em ter um filho com essas qualidades. Que não tenha medo de enfrentar desafios, erros ou críticas, que queira conhecer e explorar o mundo, que vá bem na escola e que saiba lidar com as dificuldades e inseguranças. Tudo isso faz parte da construção da autoestima infantil.

Para evitar que seu filho tenha uma baixa autoestima, é extremamente importante ensiná-lo a lidar com as frustrações. Se na infância uma pessoa for criada com uma autoestima elevada, será mais fácil de lidar com as pedras no caminho no futuro.

É uma família presente que molda a autoestima da criança. Atenção, cuidado e muito carinho é tudo que seu filho precisa para ser mais confiante. Segundo a neuropediatra Karina Weinmann, filha de Jacira e Hugo, essa necessidade de atenção vem desde a barriga. “O sistema límbico, das emoções, faz com que a gente tenha uma necessidade de ser amada. A primeira pessoa que ela vai querer chamar a atenção é a mãe, pois a criança acha que é uma extensão dela”.

Esteja presente para o seu filho (Foto: iStock)

Segundo a psicóloga Eliza Guerra, filha de Clauristina e José Carlos, é através das nossas primeiras relações, com pais, progenitores, cuidadores e até professores que desenvolvemos a autoimagem — a forma como passamos a nos conhecer e compreender o nosso corpo. Por isso, é muito importante ajudar seu filho a desenvolver a autoestima. E o melhor de tudo é que não exige equipamentos ou regras, mas sim amor e compreensão. Separamos oito maneiras de incentivar a autoestima infantil, olha só:

1. Corrija os erros a partir do afeto e carinho

Segundo Eliza, a melhor forma de lidar com a birra, por exemplo, é separar seu filho do comportamento dele. “Explique que a atitude não foi aceitável naquela hora, mas não fale de forma negativa sobre ele. Se fizer bagunça, você precisa explicar que não é o momento para aquilo, em vez de apenas chamá-lo de bagunceiro.” Isso porque a criança precisa entender o que fez de errado, mas às vezes ela não consegue enxergar o problema no erro, explica Roberta Bento, especialista em educação e neurociência cognitiva, fundadora do SOS Educação e mãe de Taís. Os pais devem incentivar as crianças não só a entender o erro, mas também procurar formas de resolvê-lo. Pense na seguinte situação: seu filho morde um colega da escola. Você deve conversar e fazê-lo entender o que fez e procurar soluções para o problema. Assim que ele decidir, acompanhe-o para que peça desculpas. “A criança sai com a autoestima aumentada dessa situação, porque descobre que pode consertar alguma coisa errada que fez. Ela se sente empoderada”.

2. Estimule a autonomia e dê responsabilidades

Outro conselho é deixar seu filho participar das atividades que são geralmente deixadas para os adultos em casa. Assim, ele vai se sentir mais importante e com certeza ter sucesso na realização de cada uma. Mas claro, sempre acompanhe para que nenhum acidente aconteça.

Deixe o seu filho te ajudar! (Foto: iStock)

3. Irmãos podem ajudar

“Ter um irmão não afeta a autoestima do seu filho. Pelo contrário, gera mais oportunidades para melhorar do que baixar a autoestima. Os pais têm medo que a criança se sinta em segundo plano e por isso começam a mimar a criança, pela culpa de não dar toda a atenção para ele”, explica Roberta. Se você tem dois filhos ou mais, precisa transmitir ao mais velho que, com um irmão em casa, ele vai desenvolver coisas que não iria fazer sozinho. Segundo a especialista, uma criança que divide atenção vai para a escola muito mais preparada. “O filho mais velho se sente mais importante se for chamado para ajudar. Quando ele se sente participando, é uma verdadeira injeção de autoestima. Os pais têm medo que isso acabe sobrecarregando a criança, mas é só dividir a responsabilidade”.

4. Vá além dos elogios óbvios

Você deve ser autêntico quando parabeniza seu filho pelas ações, pois o cérebro é capaz de perceber que aquelas palavras são realmente especiais e significam algo para ele. “É importante que os pais não fiquem tão obcecados por elogiar a criança. Os elogios são importantes, mas o carinho, a ternura, a aceitação são muito mais do que o elogio por si só”, explica Victor Friary, psicólogo e mestre em terapia cognitivo-comportamental, filho de Ismélia e Anthony.

Converse com seu filho e faça com que ele mesmo chegue a uma solução (Foto: Getty Images)

5. Valorize o esforço dele

“O que o seu filho vê afeta muito mais do que ele escuta”, reforça Roberta Bento. Em vez de dizer apenas “bonito” para o desenho que ele te mostrou, abaixe e fale sobre toda a dedicação para fazer aquela produção, elogie o trabalho e parabenize. Fazer comentários sobre as tarefas do seu filho é uma injeção de autoestima. “O elogio não pode ser vazio nem focado em uma coisa só. Ficar sempre falando que sua filha é bonita e não valorizar a inteligência dela, por exemplo, não funciona. A valorização não pode só acontecer quando ela vai bem, precisa ser genuína”, defende Eliza Guerra.

6. Demonstre afeto

Quando a criança percebe que o outro a ama, ela desenvolve valor próprio e vai entender também pode ser amada. Mesmo que cometa erros, seu filho vai entender que é aceito e não vai se avaliar de forma negativa. Por isso, demonstre interesse no universo da criança: pergunte o que fizeram na escola, como está a relação com os colegas. Não como um controle, mas para que seu filho se sinta seguro. “Quando sente que é encorajada, ela vê que as pessoas acreditam na sua capacidade para fazer as coisas”, explica Eliza.

Demonstre interesse na vida do seu filho (Foto: iStock)

7. Estabeleça limites

“Crie um espaço onde seu filho se organiza e se sente seguro, sabe até onde pode ir, cria senso de autoestima e autonomia. Com os limites, ela se sente cuidada, cresce sabendo se cuidar, vai ter amor próprio. Mas não mantenha o controle total, pois é importante que ele conquiste a própria liberdade para perceber que é capaz”, aconselha Eliza.

8. Ensine seu filho a lidar com frustrações

A autoestima é extremamente importante para que as pessoas saibam lidar com a frustração. “É importante ela ter autoestima para ser feliz e livre. Caso sofra quando estiver em uma adversidade, poderá enxergar a luz no fim do túnel. Baixa autoestima gera autopiedade, a pessoa não vai atrás da solução”, explica Karina Weinmann. Para isso, você e sua família não devem ter medo dos sentimentos. Não pode ser um problema sentir tristeza ou frustração. Isso é extremamente importante para a criança entender que não tem problema em errar e se sentir mal por isso. “Ele precisa aprender a lidar com esse sentimento”, defende Roberta.

9. Não seja superprotetoraCrianças mimadas geralmente têm baixa autoestima. Fazer tudo pelos filhos, dar todos os presentes e resolver os problemas acaba tendo um efeito reverso. A gente sabe que não é por mal e você imagina que está oferecendo o melhor ao seu filho. Mas quando há exagero, essas atitudes acabam passando a mensagem de que a criança não é capaz de lidar com os fracassos e dificuldades sozinha. “A importância de não mimar uma criança é que só dando limites você vai conseguir demonstrar que acredita na capacidade dela em lidar com as frustrações”. Segundo Eliza, crianças mimadas não passam por um processo importante do crescimento, onde aprende muito sobre a vida. “Ela entende que não tem a capacidade de conquistar nada, tudo vai vir dos pais, ela não passa por processos onde testa esses recursos”, conclui.

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