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Bate-Papo Pais&Filhos Escola: “A expectativa positiva de pais e professores é capaz de mudar o cérebro dos filhos”

Roberta e Taís Bento, do SOSEducação, fizeram a consolidação da mesa-redonda do evento com uma palestra sobre os desafios das escolas e das famílias para a educação dos filhos

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

(Foto: Redação Pais&Filhos)

Roberta e Taís Bento, mãe e filha, nossas colunistas e embaixadoras, fundadoras do SOSEducação, especialistas em educação e neurociência fizeram a consolidação da mesa-redonda do Bate Papo Pais&Filhos – Escola, com o tema “Escola e Futuro”.

Roberta usou a própria trajetória e experiência de vida para provar a importância de mostrar às crianças que elas são capazes e do papel da família na educação dos filhos. “Assim que nasci, meus pais descobriram que eu tinha uma paralisia cerebral. Os médicos disseram que eu teria dificuldade de aprendizagem, na fala, audição e em outras áreas de desenvolvimento. Mas conseguimos mostrar e provar o contrário”, contou.

Ela relatou que, quando pequena, diversas escolas recusaram sua matrícula, até que após muita insistência de seu pai, foi aceita em uma. Sempre considerada como a melhor aluna da classe, Roberta formou-se em Letras e trabalhou nas maiores empresas como especialista em educação. “A forma como os meus pais decidiram que iriam focar na minha capacidade e não na paralisia e sempre falaram ‘vai lá, e tenta’ me fazia acreditar que eu era tão capaz quanto os meus irmãos e que eu poderia ir muito além”, lembra.

Alguns anos mais tarde, novamente os médicos colocaram uma limitação para Roberta e disseram que ela não poderia ser mãe. “A educação é minha missão de vida, mas o meu grande sonho era ser mãe. Mas resolvi tentar e ir novamente na contramão — e engravidei da Taís”, conta. Segundo Roberta, os estudos da neurociência mostram que expectativa positiva de pais e professores é capaz de mudar o cérebro dos filhos. E ela é a prova viva disso.

Escola e família

Para Taís e Roberta, a escola deve ser enxergada como uma verdadeira rede de apoio, mas também é preciso que os pais entendam que o papel dela não é de reproduzir ou atender o que é feito em casa. “Não significa que você precisa escolher uma escola que seja um espelho da casa. Mas deve sentir segurança e confiar no trabalho que a escola faz”, defende Roberta. 

“As crianças chegam à escola hoje com a base das habilidades socioemocionais não desenvolvidas. Hoje em dia, noventa por cento dos alunos de uma turma vão precisar de alguma atenção especial ou atitude diferenciada para assimilar o que o professor está ensinando. Além disso, está cada vez mais difícil separar o que é papel da família e da escola”, explica Taís. 

Por isso, é importante falar do quanto a família pode impactar para que a criança ou o adolescente desenvolva seu potencial máximo. “Faz toda a diferença quando a família se envolve com a escola. A família precisa e pode impactar para além do muro da escola”, explicam.