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Da inspiração à transpiração

Redação Pais&Filhos

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Fomos de São Paulo a Blumenau conhecer todo o processo de criação das roupas infantis da Hering. O processo é longo e envolve mais gente do que você imagina

Por Ivy Tinoco, filha de Zé Maria e Cris / Fotos Ariel Costa de Castro Leão, filho de Carlos e Cleusa e Mariana Marques, filha de José e Silvia

Enquanto as coleções primavera/verão já estão pipocando nas vitrines das lojas pelo país, nos escritórios das marcas o que está sendo pensado é o inverno do ano que vem. Pois é, eles estão sempre lá na frente! Isso porque o processo até a peça chegar na sua gaveta é bem longo. Quem vê as roupas incríveis nas araras muitas vezes nem imagina que são feitas com um mix de inspiração e transpiração em iguais proporções. Por trás de cada peça para deixar meninos e meninas estilosos, há um alto grau de organização, criatividade, pesquisa, planejamento e até engenharia. Sem nunca deixar de lado, claro, grandes doses de amor.

Fomos conhecer o processo de criação da Hering Kids, em que toda coleção é feita em uma conexão São Paulo-Santa Catarina-Goiás. São esses três estados que sediam as etapas de criação, produção e engenharia de produto necessárias à confecção dos 180 artigos da coleção de alto verão da Hering Kids.

A Hering Kids corresponde a 10% da marca Hering, segundo a gerente de produto da marca, Fernanda D'Amaral, filha de Carlos e Cláudia. "O infantil é considerado uma marca dentro da Hering; ele tem os seus próprios temas, que, às vezes, tem algum link com o adulto, e às vezes não. É claro que nos temas de verão as inspirações são mais tropicais, então acaba coincidindo muita coisa", diz.

O estilo vem de Nova York e de Londres

No escritório do Itaim Bibi, em São Paulo, a equipe de criação se reúne e cada um leva o resultado de suas pesquisas feitas em sites de moda e de marcas estrangeiras. Peças, modelos, cores, estampas temáticas, tudo é compartilhado pelas sete pessoas que compõem o time. E pensar que em pleno inverno de 2011 eles estão reunidos para definir o tema da coleção para o inverno de 2012. "Agora, comecei a desenvolver o inverno, mas ontem eu estava fotografando o catálogo de férias e já estou fazendo o showroom de alto verão, revendo e fazendo custo do outono…", revela a coordenadora de produto da Hering Kids, Suzana Walker, mãe de Miriam. Saída há pouco da licença-maternidade, ela é a primeira a ter filho na jovem equipe de criação da marca.

As referências lançadas na reunião não vêm à tona sem algum critério. É preciso estar alinhado ao público-alvo: crianças que se vestem com referências fashionistas sem abrir mão do que eles costumam chamar de "peraltice", característica típica da infância.

Temas fechados, é hora de pegar o avião rumo a dois dos principais centros de tendência de moda do mundo: Nova York e Londres. De acordo com Fernanda, os dez dias de estada nas duas cidades servem para confirmar as tendências que sua equipe tinha identificado nas pesquisas e para perceber se está acontecendo algo de novo que merece aparecer na coleção. "Nas viagens, eu analiso as lojas, tiro fotos, vejo a campanha dos concorrentes. Na volta, monto uma apresentação para o marketing. A viagem também é importante, porque às vezes trazemos peças para ver a modelagem, a estampa, o acabamento, a malha."

Com o retorno da viagem e a confirmação dos temas, a equipe monta painéis de imagens, separados por menina e menino, que servirão de inspiração durante todo o desenvolvimento da coleção. Para o alto verão, que dura três meses na loja, os temas escolhidos foram Grécia e Tropical.

Paralelamente à criação, a equipe de planejamento está a todo vapor. É esta área que define quantas camisetas, bermudas, bodies, vestidos, entre outros itens, formarão o tema e qual será o valor deles nas lojas. Esse é um momento fundamental porque vai dar forma à coleção e torná-la acessível para a venda. Em cima desse mix de produtos, a equipe de criação vai combinando cores, estampas e modelagens. “As tendências acabam sendo sempre mais fortes no feminino do que no masculino”, diz a coordenadora de produto da Hering Kids.

Enquanto em São Paulo a equipe de criação escolhe as cores que serão utilizadas dentro do universo de inspiração, em Blumenau existe um laboratório de desenvolvimento, coordenado por engenheiros químicos, onde as cores são criadas e testadas no tingimento das malhas.

As cores são muito importantes. Depois do alto verão, a coleção férias chega às lojas e as duas se misturam nas araras. Por isso, o departamento de criação tem que pensar num encadeamento entre as cores das coleções para manter uma unidade visual dentro do ponto de venda. “Temos que ter um bom aproveitamento da cartela de cor para conseguir compor junto com a nova coleção que chegará à loja e mantê-la bonita", afirma Suzana.

Mas os cuidados com o custo não são os únicos. O conhecimento adquirido ao longo dos anos também é direcionado para o conforto da criança e do bebê. A engenharia de produtos está sempre atenta se o acabamento não vai machucar, se os acessórios utilizados são seguros. Para isso, também contam com o feedback do consumidor final, que é a melhor fonte de informação sobre o produto, pois é quem o usa no dia a dia. Por meio desse contato, por exemplo, desenvolveu-se uma proteção entre o bordado e a pele da criança para não machucá-la. “Tudo o que usamos é supertestado. O pessoal da engenharia faz teste em todas as malhas, em todos os tecidos”, diz Fernanda.

Na Hering, cerca de 90% da malha usada é produzida internamente, em um processo que começa na produção de fios a partir do algodão, que dá origem à malha ainda crua e, só então, há o tingimento. Caso seja necessário, esta malha ainda pode passar pela estamparia corrida ou localizada – nesse caso, já com a peça fecha