Mais

Descubra qual é o seu estilo de mãe na hora da alimentação das crianças

Descubra qual é o seu estilo de mãe na hora da alimentação

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Por Samantha Melo, filha de Sandra e Tião

Imagine esta cena: uma criança sentada num cadeirão se recusa a comer, virando a cabeça, cuspindo e espirrando a comida por todos os lados. A situação, claro, deixa a mãe desesperada, fazendo com que ela insista cada vez mais, grite e force a colher na boca da criança. Cena 2: a mãe senta-se na frente do cadeirão, deixa a comida e a colher na frente do filho. E espera. A criança, aquela mesma birrenta da cena anterior, no primeiro momento, ignora o alimento, mas depois de alguns minutos, enfia os dedinhos na papinha e logo depois na boca. E pede mais.
 
Essas duas cenas foram mostradas num vídeo durante o 4º Encontro Internacional sobre Dificuldades Alimentares, que aconteceu em abril, no Rio de Janeiro. A intenção era mostrar como é a influência das mães na nutrição e no desenvolvimento das crianças, de acordo com a postura que elas adotam em relação à alimentação.
 
Em 2005, a psicóloga de desenvolvimento infantil americana Sheryl Hughes criou com sua equipe do Centro de Pesquisa em Nutrição Infantil de Houston uma classificação de estilos de alimentação, que distinguiu quatro padrões diferentes. Ao compreender o seu estilo, é mais fácil achar estratégias para o desenvolvimento do seu filho e construir um hábito alimentar saudável. Descubra qual tipo de mãe você é!
 
[!page]
 
1. A doida (controladora)
 
Embora seja o estilo de alimentação mais radical, é o mais fácil de identificar. Uma mãe controladora ou restritiva é aquela que usa práticas para que a criança coma, como forçar, implorar, chantagear, censurar ou oferecer prêmios em troca. Além disso, mães que adotam esse estilo restringem a criança de comer alimentos (ou quantidades) que consideram ruins.
 
“Essa mãe montou um esquema na cabeça em que foram estabelecidos horários de refeições, alimentos considerados adequados e quantidades mínimas. Ela não aceita nada diferente disso e força a criança”, aponta o pediatra e nutrólogo da Universidade Federal de São Paulo, Mauro Fisberg, pai de Yuri. “Ela pode ter definido que criança precisa comer quiabo, e o filho dela vai ter que comer e pronto”.
 
As mães que utilizam esses métodos de alimentação ignoram a fome de seus filhos e confiam em suas próprias ideias do que e quanto eles devem comer. As consequências são que a criança começa a  procurar oportunidades de sair da dieta rígida. De acordo com especialistas, cerca de 50% das mães utilizam práticas controladoras com os seus filhos em algum momento. 
 
Perfil e alimentação das famílias
 
O principal motivo delas adotarem esse tipo de abordagem é o comportamento rebelde das crianças. Uma mãe que sabe o quanto o seu filho é difícil, tende a levar esse padrão para a hora das refeições. O que elas não percebem é que essa personalidade agitada faz com que as crianças se distraiam na hora das refeições, o que não quer dizer necessariamente que eles estejam se alimentando mal.
 
“Confesso que sempre forcei a barra para a minha filha comer, chegando a proibí-la de sair da mesa se não raspasse o prato. Mas nunca adiantou”, lamenta a funcionária pública Cristina Vieira, mãe da Nina, de 4 anos. Depois do pediatra verificar que o seu crescimento e peso estavam normais, ele alertou: se a mãe continuasse sendo tão rígida, a tendência era que a criança ficasse cada vez mais arredia. 
 
O número de mães que não oferecem alimentos aos seus filhos, como doces, refrigerantes ou frituras está crescendo. Embora não sejam saudáveis, elas podem fazer parte de uma dieta adequada se forem exceções, permitidas aos finais de semana. 
 
[!page]
 
2. A mole (permissiva)
 
É aquela que não estabelece limites na alimentação e deixa a criança comer o que quiser e quando quiser. Ou seja, essa mãe não controla o ambiente e atende aos desejos do filho, dizendo a si mesma que o importante é que ele coma, não importa o quê.
 
É aí que surgem os casos de crianças que comem apenas um tipo de alimento, como o filho da secretária executiva Amélia Paes, que passou meses se alimentando apenas de iogurte tipo petit suisse. “Eu tinha tanto pânico do Lucca não querer comer, que ficava aliviada quando ele comia potes de iogurte".
 
Outra prática muito comum desse estilo de alimentação é a mãe preparar alimentos especiais para o filho. Não é raro as mães levantarem no meio da refeição para cozinhar outra coisa depois da recusa. Aquelas que adotam esse método trocam a comida várias vezes até achar uma que a criança aceite. Esse tipo de atitude é absorvido pelas crianças, que assumem que podem comer os alimentos favoritos sempre que quiserem, sem entender qual é a importância de uma alimentação balanceada. 
 
As mães costumam utilizar esse estilo de alimentação quando têm filhos reclamões e exigentes, que dão trabalho para aceitar determinados alimentos. São mães com temperamento pacífico e para evitar conflito e cenas de birra e joguinho, preferem ceder e recorrem ao que já sabem que a criança gosta.
 
Perfil e alimentação das famílias
 
“Elas se sentem culpadas por não se considerarem boas mães e, por isso, recorrem a recursos para ver os filhos felizes, como oferecer os alimentos que eles querem”, aponta a endocrinologista pediátrica Ângela Spinola, mãe de Maria Fernanda.
 
 A mãe permissiva é insegura e  acha que dar o que o filho quer vai satisfazer as suas necessidades emocionais e também as físicas. É aquela história de que é melhor comer qualquer coisa do que nada.
 
Na maioria das vezes, são oferecidos alimentos industrializados como salgadinhos, bolachas recheadas e congelados. Nas refeições principais, as mães costumam apelar para comidas mais fáceis de manusear, como batata frita. Esse tipo de perfil de alimentação costuma suprimir as grandes refeições