Notícias

Bela é realmente bela

Com um carisma sem igual, Bela Gil recebeu a Pais&Filhos num dia de gravação do programa Bela Cozinha, em que o tema era comida de criança

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

A casa estava, literalmente, de pernas para o ar. Móveis afastados, papelão forrando o chão, cabos por toda a parte e seis crianças brincando de esconde-esconde enquanto aguardavam o retorno da gravação do último episódio da 2ª temporada. O programa Bela Cozinha, que vai ao ar em outubro pelo GNT, fala de alimentação infantil, e a convidada especial é sua filha, a Flor, de 5 anos. As duas se relacionam com extrema intimidade na cozinha, e foi uma delícia poder assistir, de tão pertinho, como ela conduz o programa, as receitas e o fogão.

Bela Gil fala com propriedade sobre alimentação e saúde. Não só no programa, que ela improvisa o texto na hora – não existe um pré-roteiro de falas, – como na nossa entrevista. Aos 18 anos, Bela mudou–se para Nova York, onde foi estudar nutrição e gastronomia por necessidade. “Queria aprender a cozinhar para comer bem”, diz ela. Formou-se em Culinária Natural pelo Natural Gourmet Institute e em Nutrição e Ciência dos Alimentos pela Hunter College. Ainda estudou Filosofia Macrobiótica e Ayurveda, onde descobriu que as escolhas alimentares afetam não só a nossa saúde, mas a de todo o planeta. Ela foi descobrindo como a comida mexe com nosso humor e nosso organismo.

A preocupação com uma alimentação saudável e equilibrada Bela aprendeu dentro de casa mesmo. Gil é macrobiótico, e na mesa as escolhas sempre priorizaram a saúde. De volta ao Brasil para tocar o programa, Bela não poderia deixar de levar as mesmas preocupações às mesas dos telespectadores em casa. A ideia central do programa é mostrar como é possível comer bem de forma saudável, sem trabalho e com sabor. É a desmistificação de que comida natural e orgânica é ruim e sem sabor. O programa fala da alimentação em sua essência: como saúde, bem‐estar e educação à mesa. No cardápio da gravação teve biscoito de arroz coberto com cacau, bolinho de arroz com pesto, um guacamole que as crianças ajudaram a terminar e uma vitamina de banana com amora. E, no cardápio da Pais&Filhos, Bela Gil deu receitas deliciosas de como melhorar a alimentação das nossas crianças, falou de preocupações e revelou seus temperos – além dos da Flor, sua filha de 5 anos que come tão bem quanto a mãe. Vale cada letrinha da leitura.

Como você fez a escolha do cardápio?
BG: Queria um cardápio de lanche que também fosse comida. Lanche não é hora de besteira. Um sorvete não pode ser lanche. Um sorvete é um lanche esporádico num dia de sol na praia. O lanche deve conter nutrientes que reponha as energias gastas pela criança. Então escolhi fazer comida para mostrar que é possível incluir vegetais e grãos integrais. Além disso, todos esses pratos têm alguma coisa importante para o sistema nervoso. Eu usei linhaça na vitamina, que é muito rica em ômega 3, que é o alimento do nosso cérebro. As nozes que usei na receita também são ricas em ômega 3. O abacate é rico em ácido. Tudo muito focado nesse desenvolvimento intelectual. Para as crianças ficarem muito inteligentes e não comerem besteira quando crescerem.

Nós sabemos que existe um problema de obesidade infantil no Brasil porque se come muita besteira. Ao seu ver, o que está errado?
BG: A gente perdeu o contato da vida urbana com a vida rural e o efeito colateral disso está na saúde da população, porque a gente está sofrendo com essa distância na mesa. As crianças estão comendo menos comida de verdade e mais industrializados. Acordam de manhã e tomam leite fermentado, no lanche é um pacote de biscoito ou uma barra de chocolate. No almoço é nuggets ou batata frita congelada. Tudo muito rico em sal e açúcar e que faz as crianças ficarem viciadas e obesas. O açúcar no sangue vira gordura, e daí nós temos criança com 10 anos com diabetes.

E por que esses alimentos atraem mais o paladar infantil?
BG: São ingredientes, muitas vezes, que viciam mesmo. É o trio viciante do fast food: sal, gordura e açúcar. Se fizermos uma ressonância no cérebro, veremos que o açúcar mexe com as mesmas área que uma droga. Ele dispara as mesmas substâncias e estímulos de uma droga viciante. Libera mais serotonina, e com o tempo vamos ficando mais tolerante e você perde a sensibilidade. Ou seja, você vai precisar de mais para satisfazer. Você começa com um biscoito e depois de um mês está comendo o pacote. É a compulsão. A gordura é uma forma de reserva do corpo, só que em alta quantidade ela faz mal, porque bloqueia as veias e toda a corrente sanguínea. E o sal aumenta a pressão entre outros males. As crianças ficam sensorialmente dependentes de alguns produtos, infelizmente.

Qual um caminho possível para trazer à mesa alimentos mais saudáveis?
BG: Com certeza é comprar o menos possível de alimentos em pacotes.Não aos pacotinhos! Quanto menos pacotinho na despensa melhor é. Levar a criança ao supermercado, à feira, fazer com que ela participe da escolha dos alimentos e também do preparo são coisas muito importantes. Quando você tira o pacotinho, ela vai abrir a despensa, não vai achar nada e volta para mesa e come. Oferecer comida de verdade é primordial numa boa alimentação. Depois comece, aos poucos, a trocar a qualidade dos alimentos e ingredientes. Troque o arroz branco pelo integral, que é rico em fibras e satisfaz mais. Os refinados devem ser trocados pelos integrais. Estabelecer rotina e refeições equilibradas é extremamente importante, porque você educa a criança a comer quando estiver com fome. Senão ela come por gula, e daí você tem essa epidemia de obesidade.

O que você considera uma comida saudável ou comida natural?
BG: É aquela comida mais fresca, local, sem agrotóxico, conservantes, venenos, aditivos químicos… Menos refinada e industrializada possível. Como muitos dizem, é a comida que a vovó comia. Comida é estilo de vida e quando você faz uma escolha, do que vai comer, faz também uma escolha da forma de conduzir sua vida. Uma boa comida começa com bons ingredientes, e é importante garantir cinco nutrientes: as folhas verdes, as raízes, os vegetais, o cereal e a proteína. É o que chamamos de macro plate.

Você poderia dar dicas para ajudar as mães a fazerem trocas saudáveis na alimentação de seus filhos?
BG: Bom, para a criança que está acostumada a tomar refrigerante, a dica é diluir o suco, na água com gás. Ela vai ter a mesma sensação do gás, só que com um suco que é mais saudável. E, aos poucos, você vai diminuindo a quantidade de água. Funciona para retirar o vício do refrigerante. A bolacha recheada você pode substituir por cookies integrais ou essa da nossa receita de h